Por Bruno Leonel

O som é enérgico, remete à música de bandas de ‘rock clássico’ dos anos 70 e 80. Une um competente trabalho da cozinha à habilidosos arranjos de guitarra, e ainda letras que falam de temas diversos ligados à vida na estrada como viagens, álcool e o universo dos motores. Assim é o som da banda Turbö de Londrina, que neste mês lançou seu primeiro trabalho de estúdio “Trilha Sonora para Pessoas Rústicas” (Produzido em Londrina por Julio Anizelli. E conta com canções conhecidas dos shows como ‘Manifesto Carnívoro’, ‘Nem Tudo tá a venda’ e Cheiro de Churrasco).  E se prepara para a turnê ‘Outlaws & Rebels’ Junto com o músico americano Willie Heath Neal. A empreitada passará por diversas regiões do país entre Julho e Agosto deste ano.

Banda de Londrina inicia turnê com músico dos EUA
Da esquerda para a direita, Netto Pavão, Ricardo Pigatto, Rafael Bueno e Thiago Franzim – Foto: Divulgação

O grupo londrinense, está na estrada desde 2013, e foi formado a partir da banda ‘Flat Black Pack’. Em sua trajetória viajou já para diversos estados brasileiros onde excursou junto a bandas como Nashville Pussy.  Composta por Ricardo Pigatto (Baixo e vocal), Netto Pavão (Bateria), Rafael Bueno e Thiago Franzim (Que também toca no ‘Red Mess’) nas guitarras, a banda tem construído uma história coesa, além de já ter feito eventos importantes como em duas edições do Festival Alternativo de Londrina, além de terem feito o show de abertura do músico Tim “Ripper” Owens (Judas Priest).

O novo trabalho chega à internet através da plataforma CD Baby, que disponibiliza as músicas nos maiores sites de streaming e downloads do mundo, como o Amazon, iTunes e Spotify. Após o lançamento do trabalho, a banda cai na estrada com a turnê Outlaws & Rebels, acompanhados pelo norte americano Willie Heath Neal (Atlanta, Georgia), conhecido pelos hits The Classifieds e Even Alive. Serão realizados mais de 20 shows passando por várias regiões do Brasil.

O RubroSom acompanhou, em estúdio, um ensaio do grupo (No último dia 09) – Enquanto o mesmo era transmitido pela internet através do facebook do grupo. Entre risadas, breves comentários entre as músicas e uma performance bastante habilidosa do grupo – Que foca principalmente em timbres ‘vintage’ e equipamentos valvulados ao invés de excessos digitais – Trocamos algumas ideias com os integrantes da banda sobre a trajetória, o atual momento da carreira e as expectativas para a turnê. Entre uma canção e outra, o ensaio era pausado para interações e responder peguntas dos ‘espectadores’ pela internet. Confira conversa:

Vocês lançaram o disco ‘Trilha Sonora para pessoas rústicas’, como surgiu esse nome?
Ricardo: Veio por causa do estilo do que é o som mesmo. O Turbö não tem o objeto de ser “hype” ou “cool”,  só rock’n’roll e pronto. É música para ouvir no churrasco, para ‘bater cabeça’ em um show. E para pessoas rústicas porque, não tem grandes efeitos, nenhuma ‘grande sacada’ (Em relação ás letras) é para gente comum mesmo, é essa ideia…

Banda de Londrina inicia turnê com músico dos EUA
A banda durante ensaio no dia 09 de Junho, antes de embarcar para Minas Gerais (O ensaio foi transmitido pela internet) – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

E a gravação? Entraram em estúdio com as faixas prontas? As músicas foram feitas em épocas diferentes?
Ricardo: Algumas dessas músicas eu fiz lá por 2008, quando o turbo era ‘Flat Black Pack’, a gente tinha dado uma pausa, voltamos já com essa formação atual. Músicas novas gravadas no disco foram apenas três (O disco completo). O nome mudou em 2013, ninguém conseguia falar ‘Flat Black Pack’ direito (Risos).

Rafael Bueno: Eu era baterista inclusive… passei para a guitarra. Era eu, o Thiago e o Pigatto. Ai sentimos que faltava mais uma guitarra também, eu mudei de instrumento, até porque não toco muito bem bateria – Nem de guitarra também (Risos). Ae procuramos um baterista novo.

Netto: Eu fui achado, minha irmã trabalha com a mãe do Thiago, ai, começamos a fazer um som. Ai acabou que deu certo, o outro baterista saiu, eu acabei entrando…

E a mudança para o nome Turbö? Tem alguma explicação?
Pigatto: Foi para facilitar mesmo, ninguém conseguia falar ‘Flat Black Pack’  (Risos) – O nome seria algo como ‘preto fosco’ – É uma expressão da cultura ‘custom’ de personalizar carros, há um hábito de deixar o carro mais potente, mexer no motor, e na hora de customizar pintar dessa cor, mas o pessoal não conseguia falar. Fizemos uma turnê com o Nashville Pussy e, no dia a dia, ninguém conseguia acertar o nome. Ai, ficamos pensando em outros nomes… Turbö é simples porque é fácil e tem a ver com a coisa do custom, do motor, e das coisas com que sou envolvido.

E o som de vocês hoje? Cabe algum rótulo de-repente?
Pigatto: Acho que é rock, mas é engraçado, pessoas difetentes, definem nosso som de formas diferente… Nossas influências vem bastante dos anos 70 (Thin Lizzy, Motorhead, Black Sabbath), mas assim, todo mundo aqui tocou muita coisa diferente.

Rafael: Cada um tem uma época diferente, tem uma essência diferente… Eu sou mais da música pop, hardcore, mas mesmo assim a gente se identifica bastante. Tem essa linguagem rock’n roll mas sem frescura mesmo.

Banda de Londrina inicia turnê com músico dos EUA
A jornalista Mônica Peres (Assessora do Turbö) grava a banda durante a transmissão ao vivo do ensaio – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Vocês excursionaram com bandas importantes do estilo, tocaram no Festival Alternativo de Londrina, hoje em dia o Turbö toca mais em Londrina ou fora da cidade?
Pigatto: Eu acho que ta misto assim… A gente toca em Londrina até que razoavelmente e, a gente tá sempre tentando fazer shows fora. A galera não convida tanto a gente para tocar aqui em Londrina. Pessoal organiza os shows e festivais, mas, são poucos os que ‘brother’ que chamam a gente pra tocar, é mais o Luke de Held, o Paulão Rock’n Roll… Muita gente de outras bandas faz festival mas, nunca convida. Quando a gente toca aqui é porque, a gente mesmo ta organizando a parada, é meio louco… A gente queria está tocando mais, com as bandas daqui mas, acabamos fazendo isso mais pra fora (A banda tocou em Poços de Caldas/MG no último dia 11). Iremos tocar em São Paulo também, em um festival que surgiu três semanas atrás, eu conversei com as bandas de São Paulo mesmo e, acabei fazendo coisas que não consigo fazer com as pessoas daqui…. Eu vejo que a galera daqui agita eventos, mas, não chama a gente.

Vocês vão ter 20 shows ai com o Willie Heat Neal (EUA), como rolou a aproximação? Vocês já conheciam ele de outros eventos?
Pigatto: Eu fui vocalista do Fabulous Bandits e, a gente fez uma turnê com o Willie Heat Neal nessa época. A gente ficou bem amigo, e ele queria bastante voltar para o Brasil e tal, começamos a trocar ideia e ele queria vir pra cá outras vezes. Eu falei com ele; Se ele quisesse fazer uma turnê com esse formato (Usando baixo elétrico e tudo mais) nós faríamos, e ele topou, foi em 2016 isso. Ai eu fui atrás de fechar datas, se tornou muito mais fácil com ele junto, na maioria dos lugares o pessoal já conhecia ele e fomos acertando datas. Demos até um tempo de ensaiar as nossas para focar um pouco nas músicas deles; Vão rolar três shows em Londrina, interior de SP e capital, MG, vamos tocar em Brasília… Santa Catarina, muitas datas. O último show será 13 de Agosto no Vitrola (Começa 14 de Julho no Oficina Bar).


Turbö Rock
Confira o site oficial da banda: http://www.turborock.com.br/
Facebook: Facebook.com/bandaturbo