Por Bruno Leonel

Com mais de 25 anos de atuação, o Teatro Kaos de Londrina encena nessa semana a peça ‘Fim de Partida’ na Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159) em Londrina. Com dramaturgia assinada por Edward Fão, o texto reflete sobre o drama existencialista do homem fadado a uma morte que nunca chega.  Com um visual carregado, e um aspecto visual bastante agressivo, na peça o drama surge antes da dramaturgia; A imagem de um homem a beira da morte numa sala hospitalar de tratamento intensivo (UTI.) assistido por espectadores/médicos (responsáveis em evitar que ele deixe de sofrer física e existencialmente), foi o ponto de partida para a criação da montagem final. A peça é encenada nesta sexta (29) e sábado(30).

Personagens atuam em um cenário hospitalar, simulando uma situação de grande dor e sofrimento - Foto: Divulgação
Personagens atuam em um cenário hospitalar, simulando uma situação de grande dor e sofrimento – Foto: Divulgação

Segundo Edward, dois autores eram alvo de interesse: Fernando Arrabal e Samuel Beckett – Cuja peça ‘End Game’ usa uma estrutura com poucos personagens, e que influenciou a peça ‘Fim de Partida’ – As duas peças também, possuem uma maneira lúdica em estruturar suas criações, seus mundos oníricos possuem certo chamamento à imortalidade. “O texto foi escrito em 2001, de lá para cá foram feitas várias montagens da peça. Inicialmente ele foi concebido para um mestrado de estudos de teatro em Lisboa. A peça do Beckett é cômica, as personagens são estranhas… Na nossa, eliminamos as personagens, tiramos os diálogos e deixamos o texto literário (O texto original tem mais de 500 falas, nós ficamos com apenas 80 dessas) como um monólogo mesmo”, comenta o diretor e autor Edward.

Para que o drama (ação) pudesse libertar seu peso significativo, atravessar o espaço e comunicar com o espectador distraído (mostrando o profundo significado do seu drama), era necessário algum elemento literário dramático, que pudesse fundir-se com a imagem do texto cênico do pequeno drama, e a partir daí construir-se-ia uma dramaturgia original para essa hipotética criação.  O tema principal dessa peça é a impossibilidade de acabar. Personagens ou objetos estão no fim ou quase no fim, os personagens realizam uma serie de movimentos inúteis encaminhados para um fim que constantemente é adiado.

Nelson Moraes, Edward Fão (Diretor) e Aimee Neuman; Membros do Teatro Kaos - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Nelson Moraes, Edward Fão (Diretor) e Aimee Neuman; Membros do Teatro Kaos – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

O espetáculo, apresentado em tom de monólogo é feito inteiramente por dois atores; Aimee Neuman e Nelson Moraes. “Essa oportunidade, da montagem dessa peça é bem legal, é um desafio muito grande. A gente acaba sentindo na pele um pouco do que o personagem passa, eu tenho 19 anos e nunca vi alguém da minha idade fazer essa peça, é um processo extenso, o texto é enorme (risos), o foco é apenas em dois personagens, eu faço a peça todo amarrado…  Se eu tivesse me assistindo acho que ficaria nervoso, mas como estou lá (E o personagem é cego) não vejo nada do que acontece, só passo”, contou o ator que está já há um ano no grupo.

Sobre a Companhia

O teatro kaos foi criado em 1988, em Santa Catarina, onde por 06 anos participou intensamente de festivais de teatro regionais, estaduais e nacionais. Neste período o grupo foi elemento atuante no movimento amador do teatro nacional, esteve envolvido nas direções da Federação Catarinense de Teatro e da Confederação Nacional de Teatro.

Nos anos de 1994 e 1995 o grupo realizou uma grande turnê pelo Brasil e países limítrofes, representando o espetáculo baden-baden: o acordo, apresentado em 20 estados brasileiros, na Argentina e no Uruguay. Em 1996 bade-baden invade a europa e durante seis meses faz um giro pela Espanha e Portugal, fixando-se depois por um longo período em Lisboa.

De 1996 a 2011 a Cia desenvolve em Portugal um projeto dirigido à formação de atores e fomentação de ações voltadas à criação de novos públicos. Produziu nesse período, pelo menos 02 espetáculos por ano. Ao mesmo tempo prossegue sua pesquisa estética e formal, instrumento basilar à construção da sua teatralidade. Processo interminável na busca constante no caminho do desenvolvimento da nossa linguagem individual.

Ocupou nesse tempo 03 espaços na cidade de Lisboa, primeiro na baixa de Lisboa, onde numa grande sala residencial pombalina, estreou A bicicleta do condenado em 1998, primeira produção da Cia em Portugal. Depois ocupou o enigmático espaço do antigo teatro da Graça e finalmente uma sede própria numa concessão da autarquia de lisboa.

Texto da peça foi escrito originalmente em 2001 - Foto: Divulgação
Texto da peça foi escrito originalmente em 2001 – Foto: Divulgação

Em 2011 o teatro kaos retorna ao Brasil e se estabelece na cidade de Londrina onde em parceria com a vila cultural usina cultural têm desenvolvido ações de formação e produção. Nesse começo de um novo ciclo, a Cia produziu 03 espetáculos: Fim de Partida que até o momento realizou 45 apresentações em 05 estados brasileiros, baden-baden: o acordo, espetáculo de intervenção urbana com mais de 100 apresentações em 06 estados e In Certeza com 02 apresentações em 2014.

Em 2013 a Cia realizou no estado do Paraná 30 apresentações do espetáculo fim de partida, projeto financiado através da lei de incentivos fiscais, pelo edital Conta Cultura do governo do estado do Paraná e será patrocinado pela COPEL, Companhia Paranaense de Energia.


Serviço
Espetáculo ‘Fim de Partida’
Dias:
Sexta (20) e Sábado (21)
Local:
Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159)
Horário:
20h
Preço:
R$10 (Antecipado) R$ 20 (no dia)