Autor londrinense lança livro de poesia para crianças

Reunindo textos escritos desde a década de 80, até material feito em anos mais recentes, o escritor londrinense Carlos Francovig lançou recentemente o livro de poesias ‘Balaio de Gato’ (Editora Atrito Arte), com enfoque no público infantil. É já o terceiro livro do escritor (Que também assina “Ouro Verde, Café Quente” e “Figueira Branca” que reúne contos de Carlos) o primeiro voltado para o público mais novo. “Iniciei a escrita de alguns textos (Do ‘Balaio’) em 1980, e acabei concluindo-o em 2015… São 23 poemas lúdicos, feitos para ‘brincar’ com as palavras, e não importa a idade, seja de um ano, dois anos… Até mais idade. Pessoas mais velhas irão ler e também irão se sensibilizar com o que está escrito”, contou Francovig à nossa reportagem. O livro conta com o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC).

Carlos Francovig com o livro de poesias 'Balaio de Gato" (Capa assinada por Daniele Stegman) - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Carlos Francovig com o livro de poesias ‘Balaio de Gato” (Capa assinada por Daniele Stegman) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Nesta semana, aproveitando o período voltado ao ‘Dia das Crianças’, Francovig participou de um bate-papo com alunos do Colégio Marista, em Londrina, onde falou mais sobre o processo criativo e suas inspirações. Entre perguntas do tipo “Qual foi o primeiro poema que você escreveu?”, “Quando você percebeu que queria ser escritor” e até “O que é preciso para ser escritor?” – Todas elas feitas por crianças com idades entre 8 e 10 anos – Carlos falou um pouco sobre suas inspirações e seu processo criativo… “Como eu publico pouco, jamais pensei que estes poemas tivessem o alcance que eles tem. Me surpreende muito devido à respostas que tenho, até de escolas de outros estados (Até em outros países como Portugal)”, comentou o autor.

O livro “Balaio de gato” traz, em forma de poemas lúdicos, um universo de personagens composto por bichos, fenômenos naturais, objetos e pessoas que remetem às lembranças mais profundas e primárias da vida. Nesta coletânea, o autor buscou resgatar a pureza das indagações e afirmações, dos sentidos e das sensações, das cores e dos amores e lança-nos para além de nós mesmos, muitas vezes frios, distantes e estanques do mundo. Em seus versos, o poeta oferece belos toques sobre a potência da imaginação. Versos que recheiam um balaio repleto de gatos, elefantes, peixes, passarinhos, sacis e muito mais. Algo como perceber alguma coisa diferente no usual e se divertir com tal percepção.

Carlos Francovig durante conversa com estudantes no Colégio Marista sobre o livro 'Balaio de Gato' - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Carlos Francovig durante conversa com estudantes no Colégio Marista sobre o livro ‘Balaio de Gato’ – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Durante a conversa, embora o escritor cite referências como Manuel Bandeira, o ato de compor textos e poemas acaba sendo um pouco mais complexo do que isso “Pra este tipo de trabalho, acho que não tenho tantas influências de nenhum outro autor. Talvez esses poemas conseguem ter esse carisma natural, essa coisa de ‘cativar’ justamente porque eu me desnudei e escrevi aquilo que veio de dentro de mim, sem nenhum estudo, é bem espontâneo… Isso talvez cativa as crianças”, pontuou Carlos. Atualmente o autor já pensa nos próximos trabalhos, há outros livros a caminho, mas, com um enfoque para a prosa. No próximo sábado (15), Carlos estará na loja Ciranda, em Londrina, também conversando com crianças sobre o trabalho.

Entrevista – Felipe Pauluk lança Tórax de São Sebastião

Com um título que poderia fazer alusão à temas como a espiritualidade e fé – Mas que na verdade, não carrega esse significado (Veja a seguir) – Será lançado nesta sexta (09) o livro ‘Tórax de São Sebastião’ do escritor Felipe Pauluk, atualmente baseado em Londrina. O trabalho é composto por diversos poemas escritos desde o ano de 2013 (Muitos deles ainda inéditos. O lançamento ocorre durante a quinta edição do Carnasarau – Edição Clarice, no Bar Brasil (Rua Hugo cabral, 757) no centro da cidade.

Escritor lança seu quinto livro nesta sexta (09) - Foto: Carlos Fofaun Fortes.
Escritor lança seu quinto livro nesta sexta (09) – Foto: Carlos Fofaun Fortes.

Como foi realizado em outras edições, além do lançamento do livro, o evento contará com um varal de ilustrações e poesia, venda de livros e um concurso de declamações de poesias – Com o tema dedicado à obra da escritora Clarice Lispector. “As outras edições caíram em datas e, agora ficamos mais livres de algum rótulo, nada melhor do que a liberdade literária da Clarice pra representar isto. Adoramos ela e sabemos como o povo gosta. É tiro certo!”, contou o autor por e-mail. O evento acontece bimestralmente no Bar Brasil, além dos lançamentos conta também com  varal de poemas, poesias, ilustrações e fotografia. Haverá também palco aberto para declamações onde poderão ser declamados poemas e/ou trechos da CLARICE. O Carnasarau tem organização de Manuela Pérgola, Felipe Pauluk, Rafael Silvaro e da Editora Madrepérola (Quem assina a publicação do livro). Aproveitando o lançamento do novo trabalho, o RubroSom conversou com o escritor sobre este novo trabalho. Confira a conversa:


Sobre o ‘Tórax de São Sebastião’ de onde vem o título do livro? Tem alguma coisa de referência à religiosidade/espiritualidade??
Não tem nada de religioso, Tórax de São Sebastião é o título de um dos poemas que compõem o livro e como despejei muito sofrimento nesta obra, achei que o sofrimento eterno do santo representa bem como o corpo de um poeta dói todos os dias, até sangrar e virar livro.

É já o seu quinto livro lançado (Contando a compilação ‘Comida de Botequim’), ao longo dos seus lançamentos, conscientemente, há uma preocupação em não repetir ideias ou temáticas ou o processo vai ficando de forma mais ‘solta’ ??
Autor independente é tipo Robert deNiro no Taxi-Driver, fala consigo mesmo diante do espelho da literatura. se vende pouco, se labuta muito, um mártir… Não dá pra ficar pensando nisto, não. Lança por tesão mesmo, pra gozar gostoso e sozinho. uma punheta egocêntrica-literária. Eu junto o material e lanço, não fico pensando ‘Ah, já lancei isto.”…”ah preciso lançar outra coisa diferente para o público’… É muito desgaste para uns direitos autorais que não dá 39,90 (base de cálculo feito sobre o preço vigente de uma garrafa de Domecq).

O livro é descrito como ‘poesia marginal’ diferente por exemplo do ‘Town’ (Terceiro livro do escritor) que é um romance… Como você encara as duas formas de criação? Atualmente você consome mais poemas ou mais romances?
Tenho trabalhado muito e tô com uma penca de livros pra ler, tenho devorado o que dá pra devorar nas horas vagas. tô fascinado num livro do Stallone chamado “Hell’s Kitchen” e em um Pulp de banca de jornal chamado “Calendário das Virgens”. Tenho repassado os olhos sobre um livro do Roberto Piva e da Ana Cristina Cesar, então, pode se falar que eu como de tudo, e quem come de tudo não passa fome. Gosto de todos os estilos, não fico nesta de preferência. sou um escritor sazonal, ultimamente estou escrevendo poemas longos, coisa que não fazia desde 2011, o tórax é uma comemoração a isto, a este retorno…

E o processo de escrita deste trabalho? São poesias feitas em tempos recentes ou foram concebidos em épocas diferentes?
São coisas que estou escrevendo desde fim de 2013 até este ano. coisas que publiquei no facetruque e algumas inéditas. é um apanhado. muita gente vai ler e dizer: “ah, eu li isto uma vez no perfil dele”, e vai ser gostoso relembrar.

Vi um comentário seu (Facebook) onde você falava que seria seu último livro, pelo menos, por algum tempo…. Essa premissa ainda vale? O que te fez pensar que o ‘Tórax…’ poderia ser o um fim de ciclo?
Quando você embarca nesta ideia de lançar livros, vira um crackudo literário, todo santo ano quer lançar coisa nova, todo ano entra na pira do “Preciso lançar. preciso lançar”, e eu enjoei disto, eu to com vários trampos diferentes, finalizando um curta, fazendo uns roteiros que irão sair para mais um cara no nível do Emicida (Rapper), entre outras coisas como a Terça Beat que pagam contas. Tenho muito material para terminar, muita escrita parada e quero parar para terminar tudo isto. Quando eu digo o último, digo que é último que farei como escritor independente. vou ficar na miúda, esperando uma boa editora, daquelas grandes – Que lançam ‘youtubers-fake-escritores’ – Me chamar e me pagar direitos adiantados.

No comentário você também falava que dificilmente superaria o nível do trabalho do ‘Tórax’ pelo bom resultado atingido… Houve uma entrega muito maior pessoal sua neste quinto livro?
Como é um apanhado dos últimos anos, são coisas que eu venho escrevendo durante minha evolução literária. eu não sei o que vem por aí, mas creio que hoje eu sou meu melhor “Pauluk escritor”. pode ser que eu tenha queimado a língua com este comentário, mas é que você não sabe o dia de amanhã. Se você tá feliz com o que tem agora, claro que você pode se superar, mas é bom curtir o momento.


SERVIÇO
Carnasarau – Edição Clarice + Lançamento Tórax de São Sebastião (Felipe Pauluk)
Também haverá varau de poesia e declamações (Dedicadas à Clarice Lispector).
Onde:
Bar Brasil (Rua Hugo cabral, 757)
Quando: Sexta-feira (09)
Entrada gratuita