Jovens hoje tem resistência a clássicos, diz Eduardo Silva

Foi através da influência dos pais, e também de coleções como livros voltamos ao público infanto-juvenil da editora Ática (Como a coleção ‘Vagalume’ e a ‘Primeiros passos’) que o escritor Eduardo José Silva teve o primeiro interesse pela leitura. O interesse se tornou atividade que o seguiu pela vida toda.

O escritor falou um pouco sobre seu trabalho na última terça (05) durante evento no Sesc Cadeião em Londrina - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
O escritor falou um pouco sobre seu trabalho na última terça (05) durante evento no Sesc Cadeião em Londrina – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Desde então o londrinense Eduardo José Silva criou o hábito de produzir crônicas para expressar seu olhar sobre os mais variados temas que envolvem seu cotidiano, mais até do que outros escritores que Eduardo conheceu até hoje. “A maior parte é influenciada por eventos do cotidiano, óbvio que por ler a gente é influenciado, então, tudo o que eu li de certa forma reflete na minha escrita… Eu tento reproduzir mais o cotidiano da vida mesmo, com muita poesia”, contou o escritor à reportagem do RubroSom. Com 15 anos, o escritor já produzia alguns trabalhos e, hoje, já com 53 cursa faculdade de letras.

Presença constante em atividades culturais desenvolvidas na cidade, o cronista passou a escrever sobre os bate-papos no projeto “Café com o quê?” do Sesc Cadeião em Londrina. Os textos agradaram tanto a coordenação do Sesc Cadeião Cultural que de espectador ele foi convidado a comandar um evento realizado ontem (05) junto com uma mostra de trabalhos pessoais de Eduardo expostos em varais e até em uma ‘árvore’ de literatura. Durante a conversa, Eduardo contou que escreve já há muitos anos, mas muita coisa era mantida engavetada. Apenas após muitas sugestões dos amigos e familiares, começou a levar seus textos para o público.

Devido a outras atividades, Eduardo conta que nunca teve preocupação de publicar textos ou até mesmo registrar livros, embora sempre tenha dividido textos com pessoas próximas. “Talvez eu tenha chegado a uma encruzilhada, na qual, eu tenha que começar a tirar minha produção da gaveta, penso em criar um blog… As opiniões de amigos, de professores, sempre foram positivas, já ouvi muito sugestões para publicar materiais, mas, eu falava que não era hora…” conta Eduardo. Segundo ele, a faculdade, a longo prazo pode proporcionar a ele poder exercer a docência no futuro. Segundo ele, lecionar pelos ‘rincões do Brasil’ onde há falta de professores, é uma das ideias caso venha a trabalhar como professor. “Quem sabe eu concluindo o curso, eu consiga realizar esse sonho… Me aposentar e dar aulas. Daria prazer para mim e eu estaria de alguma forma contribuindo com a sociedade”, contou Eduardo ao RubroSom.

Devido a outras atividades, Eduardo conta que nunca teve preocupação de publicar textos ou até mesmo registrar livros - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Devido a outras atividades, Eduardo conta que nunca teve preocupação de publicar textos ou até mesmo registrar livros – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Segundo ele, há ainda hoje uma certa distância, mesmo para pessoas que estudam literatura, entre gerações mais novas e os grandes clássicos. Como se os jovens de hoje, predominantemente lessem apenas produções feitas por pessoas da própria geração; “Na minha turma mesmo, em uma sala de quase 60 pessoas, a média de idade é de 18/19 anos… É uma geração que não tem tanta paciência para longos textos da literatura, muitas vezes é um pessoal mais disposto a ler fragmentos. Mas, ao mesmo tempo, percebo o prazer que eles tem em trocar experiências, em ouvir opiniões… Ainda que eles estejam mergulhados nessa pós-modernidade, eles, se preocupam com essas questões mais consistentes da vida”, enfatizou o escritor em conversa com a reportagem do RubroSom.

Para os planos mais próximos, o autor conta que pensa em criar um blog, para deixar mais registrada a sua produção. Quando perguntado sobre três livros que inspiraram pessoalmente sua literatura, Eduardo José relembra alguns clássicos; “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis) “Grande Sertão Veredas” (Guimarães Rosa) e “O Processo” (Franz Kafka).