Grafatório: abertas as inscrições para a feira DOBRA

Em Londrina, estão abertas as inscrições para a feira DOBRA de arte impressa na Vila Cultural Grafatório.  Editores independentes, artistas gráficos, quadrinistas, zineiros, fotógrafos, gravuristas e outros habitantes do papel impresso – inscrevam-se até dia 11 de outubro na feira mais excêntrica do sertão do Tibagi! O formulário para inscrição pode ser acessado pelo link: www.grafatorio.com/dobra.

Grafatório: abertas as inscrições para a feira DOBRA
Foto: Divulgação/Grafatório

Neste ano a feira acontece no dia 29/10 no ilustre MAL – Museu de Arte de Londrina, e a lista dos selecionados será divulgada no dia 13/10.

A DOBRA faz parte da programação do IV Ciclografias, evento que vai contar com oficinas, exposições e outras atividades durante toda uma semana. A programação completa será divulgada em breve. O IV Ciclografias é uma realização do Grafatório com o patrocínio do PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura. Dúvidas? Mais informações? contato@grafatorio.com ou (43) 3024-3533

Filme turco encerra ciclo de cinema em Londrina

Acontece hoje em Londrina a quarta e última exibição integrante do ‘Ciclo Oriente Médio de Cinema’ promovido pela Vila Cultural Kinoarte, iniciado em Março. O filme para esta sessão será “Era Uma Vez na Anatólia”, do diretor Nuri Bilge Ceylan, lançado no ano de 2011. Em exibições anteriores, o ciclo exibiu gratuitamente filmes de países como “O que me resta do tempo” (Palestina) e “Aproximação” (israel) e “Dez” (Turquia).

Nas planícies da Anatólia, na Turquia, um grupo composto de um policial, um médico legista e um advogado conduzem dois prisioneiros em busca do local onde enterraram sua vítima - Foto: Divulgação
Nas planícies da Anatólia, na Turquia, um grupo composto de um policial, um médico legista e um advogado conduzem dois prisioneiros em busca do local onde enterraram sua vítima – Foto: Divulgação

Como nos outros encontros a exibição acontece na Vila Cultural Kinoarte, localizada na Av. Faria Lima, 1399. A sessão começa às 19h30 e tem entrada gratuita.

O filme

Nas planícies da Anatólia, na Turquia, um grupo composto de um policial, um médico legista e um advogado conduzem dois prisioneiros em busca do local onde enterraram sua vítima. Já é tarde da noite e, em meio à escuridão, eles não conseguem mais encontrar o local exato onde foi colocado o cadáver. Entre as divagações e os deslocamentos, o advogado e o médico começam a se conhecer melhor, percebendo que eles têm pontos de vista muito diferentes sobre a vida.


Serviço

Kinoclube: Ciclo Oriente Médio com o filme “Era Uma Vez na Anatólia”, de Nuri Bilge Ceylan
Data: 03 de maio de 2016
Hora: 19h30
Local: Vila Cultural Kinoarte – Rua Pref Faria Lima, 1399
Entrada Franca

Documentário: ‘Ouro Verde – Memórias da cidade do Café’

Uma montagem dinâmica, apoiada em uma narrativa envolvente e, em vários momentos, bastante emotiva são alguns dos recursos usados pelo diretor Fábio Cavazotti no filme “Ouro Verde – Memórias da Cidade do Café” – Documentário lançado no finalzinho de 2015, e que buscou recuperar, através de depoimentos e registros de época, um pouco da história do grande ciclo da cafeicultura na região, assim como sua interferência na fundação e desenvolvimento de Londrina. O filme contou com produção executiva de Bruno Gehring (Filmes do Leste) além de roteiro assinado por Rodrigo Grota.

Membros da Companhia de Terras Norte do Paraná durante as primeiras excursões pela região (Anos 30) – Reprodução

Concluído após a produção de mais de 30 horas de gravação, o filme retrata desde o início das atividades da ‘Companhia de Terras Norte do Paraná’ na região, passando pela baixa dos preços em meados de 40 (Durante a 2ª Guerra Mundial) pelo crescimento da cidade com a urbanização nos anos 50 e, em seguida, o grande auge a partir de 1960. Com uma delimitação bastante clara entre todas as suas fases, a narrativa chega até o início dos problemas originados pelas questões climáticas (Anos 70) e com a grande geada de 1975 que, para centenas de famílias, representou o fim de uma era, e também de muitas esperanças. O apelo das imagens chama a atenção; vários planos de lavouras e de colheitas de café preenchem um espaço importante do registro e dão um tom ora épico, ora até bucólico ao documentário.

Benedito e Inês Signori relembram histórias da ‘Época de ouro’ do Café – Foto: Reprodução

A quantidade de imagens de acervo das décadas de 1930 e 40 – Cortesia dos registros do Museu Histórico de Londrina – também impressiona e reforça o caráter histórico da produção. O filme todo, especialmente nos depoimentos de pessoas mais velhas, corretores e agrônomos é permeado por uma certa nostalgia que, não raramente, foca mais em pontos positivos do período. “Hoje não pode trabalhar até ter uma certa idade né? Mas na época já com 5 ou 6 anos a gente trabalhava, o pessoal limpava pés de café…. Este era nosso mundo, a gente gostava de fazer isso. Trabalhávamos felizes”, contam Orides e Maria Inês Festti durante um trecho em que explicam sobre o dia a dia na lavoura.

Imagem 4 - Lavouras
Segundo o diretor, várias horas de material bruto, com registro das excursões da época, foram encontrados durante a pesquisa – Foto: Reprodução.

Sobram histórias na fala de pessoas mais velhas que contam com bastante entusiasmo sobre como era uma ‘Época de ouro’ e sobre como pessoas de todas as idades e famílias eram envolvidas com o trabalho, apesar das dificuldades. Em um dos trechos mais bonitos do filme, o casal Benedito e Inês Signori, cantam ‘à capela’ da canção ‘Paraná do Norte’(Do compositor Palmeira) cuja letra cita várias cidades da região – Arapongas, Cambé, Apucarana – Assim como o roteiro que muitos trabalhadores do período faziam durante o transporte e venda do produto.

Em entrevista ao Rubrosom, o diretor contou mais sobre a produção do material:

RS: Como surgiu a ideia de fazer esse filme?
Fábio Cavazotti: Eu sou londrinense…. Nasci um ano antes da grande geada de 1975 – Minha avó tinha uma fazenda de café, perto da cidade, e desde criança o café fez parte da minha vida. Recentemente fiz o passeio da rota do café, aquilo me fez retomar algumas lembranças e acabou despertando em mim a ideia de contar essa história através do café, sabendo também sobre a importância do produto para nossa história.

Quanto tempo de produção para concluir o projeto?
O documentário foi produzido de março até dezembro de 2015 – Neste tempo fizemos trabalho de campo, pesquisa, entrevista, edição, finalização, trilha sonora e conclusão. Há uns meses antes que é o tempo de maturação, mas a parte prática foi neste período. Ao todo foram mais de 30 entrevistados…. Mais ou menos 22 ou 23 fizeram parte do documentário. Mesmo os que acabaram ficando de fora, acrescentaram muito à pesquisa toda.

Algo que te surpreendeu na pesquisa?
O que realmente me chamou a atenção foram as imagens em vídeo dos primeiros momentos da região…. Lá no começo da década de 30. Achamos imagens da Companhia (de Terras) andando pelas matas, coisas que eu só havia visto em fotos. Encontramos um vídeo institucional dos 50 anos da companhia de terras, com quase 2 horas de imagens brutas daquela época.

E o material extra que não entrou no documentário…. Pensam em fazer algo com ele?
É muita sorte ter tanto material porque assim podemos contar de fato a história. O que ficou de fora pode render outras histórias. Não sei ainda o que seria, mas, certamente a partir da recepção maravilhosa que o trabalho vem tendo, a ideia é, cada vez mais, continuar contando a história da cidade. É uma coisa que me move, um assunto que me toca profundamente e foi um prazer muito grande fazer esse documentário. Fico já pensando no próximo… Foram produzidas cerca de 40h de filmagem, só com as gravações feitas pela equipe do documentário. O museu pediu uma cópia bruta dos registros. Iremos tentar formatar isso e fechar um material para os próximos meses. Em breve, outras exibições do documentário devem ser feitas.