Por Bruno Leonel

Cerca de 150 pessoas – Entre estudantes, artistas e curiosos – estiveram presentes no último domingo (27) no Diretório Central dos Estudantes, na região central, durante às quase sete horas de duração do ‘Sarau Libertário’, evento organizado pelo Grupo de Estudos Anarquistas de Londrina. Unindo apresentações musicais, falas de conscientização, ilustradores e fotógrafos (Que puderam expor seus respectivos trabalhos) e até venda de livros a ideia do evento foi movimentar o espaço como forma de arrecadar recursos para investir no próprio Diretório que tem como foco os estudantes da cidade. Não foi cobrada entrada. Havia também um ‘palco aberto’, montado dentro do diretório, para apresentações musicais, e ainda, eventuais curiosos que quisessem arriscar uma declamação de poesia ou ainda cantar alguma canção sem muito ensaio. Também aconteceram no lugar performances de estudantes de artes cênicas, e ainda, atividades de grupos ligados a direitos dos animais como o coletivo ‘Londrina sem Rodeio’ que compareceu ao DCE

O Sarau teve início às 16h e encerrou perto das 23h do domingo (27) - Foto: Bruno Leonel/ Rubrosom
O Sarau teve início às 16h e encerrou perto das 23h do domingo (27) – Foto: Bruno Leonel/ Rubrosom

Em outros tempos, moradores mais velhos da cidade se lembram da intensa agitação que pairava sobre o local. No passado, diversas atividades culturais como shows de rock, grupos de estudo e agitações ligadas ao movimento estudantil povoaram o cotidiano do local, embora atualmente, o lugar não seja mais tão associado à essa atividade toda. “Este é um espaço histórico. Foi ocupado por estudantes desde os anos 80 e onde já houve muita movimentação cultural, mas atualmente, o local está abandonado, sem energia, sem água e com várias contas pra pagar. O que nós estamos propondo, em um primeiro momento, é levantar uma grana pra acertar essas contas e poder retornar com atividades mais frequentes, com shows, eventos, atividades ligadas à movimentos sociais e outros”, cita o jornalista Lucas Godoy, membro da organização do Sarau.

O músico Pedro José durante apresentação no Sarau Libertário - Foto: Bruno Leonel/ RubroSom
O músico Pedro José durante apresentação no Sarau Libertário – Foto: Bruno Leonel/ RubroSom

Quem esteve no Diretório durante o domingo pode ter achado no mínimo curioso o grande ‘ecletismo’ por lá, tanto em relação ao público como também em relação às atrações. Entre varais de poesia, mostras de artesanato e estilos musicais variados – Que iam desde música brasileira até Reggae e Rap – É no mínimo difícil não observar a cena toda sem fazer associações com os tempos de auge do diretório (Como costumam dizer os mais saudosistas). Vale lembrar que no mesmo dia o Londrina Esporte Clube (LEC) havia goleado o J. Malucelli por 4×0 no estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD). E embora em vários pontos da cidade o cenário fosse de comemoração (Pelo menos para os fãs do time) muitos ali, pareciam indiferentes àquela comemoração toda, e talvez, apenas buscassem a celebração em outros tipos de cores e sons. Dentro da ‘casa’, a preferência por uma iluminação peculiar (Cedidos pelo músico Luis Eduardo ‘Cientista) e um sistema de som com uma boa definição (E que também não causou grandes problemas a vizinhos) criou um clima todo ‘espectral’ ao evento.

Sistema de som e iluminação foram montados dentro da 'casa' o que garantiu boa audição dos artistas e declamações - Foto: Bruno Leonel/ RubroSom
Sistema de som e iluminação foram montados dentro da ‘casa’ o que garantiu boa audição dos artistas e declamações – Foto: Bruno Leonel/ RubroSom

Também membro da organização, o estudante Artur Boligian Neto fala sobre à importância do espaço também para questões ligadas, entre outras, à pautas ligadas à educação e o ensino público. “A ideia é extrapolar o âmbito artístico, conciliando também com o político. O DCE é uma ferramenta muito importante para os estudantes e para vários grupos de Londrina. Em meio a essa conjuntura que nós estamos agora, é um espaço que pode vir a ter uma grande importância para discussões políticas na cidade”, ressalta Boligian. Ele comenta que a ideia de chamar artistas e músicos de diferentes vertentes, foi uma forma também de ampliar a discussão e garantir a presença de variados públicos no evento.

A saxofonista Sofia pellegrini, Hermano Pellegrini (Ao fundo, nos teclados) e Bernardo Pellegrini na voz e violão - Foto: Bruno Leonel/ RubroSom
A saxofonista Sofia pellegrini, Hermano Pellegrini (Ao fundo, nos teclados) e Bernardo Pellegrini na voz e violão – Foto: Bruno Leonel/ RubroSom

Entre as apresentações musicais, cantaram durante o sarau o rapper Leandro Palmerah (Família IML), o Músico Pedro José e a Cantora Carolina Sanches (Que também formam o grupo Caburé Canela), o músico Hermano Pellegrini (Electric Hermano Trio) e também o músico Bernardo Pellegrini (Bando do Cão sem dono) que em momentos diferentes se apresentou junto de Hermano e também da Saxofonista Sofia Pellegrini. “‘Eu acho que a coisa mais importante da formação de uma pessoa, durante o tempo de universidade, é a chance de convívio com pessoas e coisas diferentes, que não aconteciam na cidade de onde a pessoa veio. É um momento de troca muito grande, e o DCE é um espaço de crescimento. Na época de ditadura mesmo, era um espaço de reflexão, de política, mas também cultural…. Já vi shows importantes aqui, como João Bosco. Eu fico feliz de ver essa movimentação hoje, há este momento para que os estudantes possam viver as diferenças delas. O DCE tem esse papel que é ampliar o convício, o espaço da universidade. Dessa forma, com eventos, aprendendo a trabalhar junto, acaba o lugar sendo uma escola paralela à formação acadêmica”, conta o músico Bernardo, que em outros tempos, participou ativamente da vida política do Diretório.