Por Bruno Leonel

O frio implacável do último domingo não foi problema para dezenas de pessoas que compareceram na Vila Cultural Alma Londrina para acompanhar o evento “Não estacione: Sarau na Garagem – 10 Anos na Contramaão” realizado pela Cia. Teatro de Garagem, que comemora 10 anos de existências. Música, teatro, dança, poesia e também momentos de crítica política fizeram parte de uma programação eclética e repleta de linguagens. A Alma Londrina possui o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC).

Apresentações realizadas próximo ao público marcaram intervenções cênicas ocorridas durante o 'Sarau na Garagem' - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Apresentações realizadas próximo ao público marcaram intervenções cênicas ocorridas durante o ‘Sarau na Garagem’ – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

O evento reuniu uma serie de artistas, músicos, curiosos e também membros de outros coletivos artísticos que compareceram ao local para presenciar o grande evento que ocupou diversos espaços da Alma Londrina. Dentro do espaço principal uma exposição com fotos dos dez anos da Companhia foi montado proporcionando assim um pequeno resgate de todas as realizações feitas ao longo de sua trajetória. Houve também oficina de danças circulares e também uma intervenção cênica do Teatro de Garagem – A encenação teve início no pátio da frente da vila, e, conforme o desenrolar dos eventos, o público foi convidado a entrar para os outros espaços de forma a acompanhar a continuação da intervenção. Temáticas políticas, e até um enquadro policial que apreendeu ‘Poesia ilegal’ de artistas fizeram parte da trama (É possível relacionar a encenação com o recente evento da Ocupação do Movimento dos Artistas de Rua, e sobbre a realização da arte em espaços públicos, por exempo).

Uma exposição com fotos de toda história do coletivo foi montada durante o evento na Vila Cultural Alma Londrina - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Uma exposição com fotos de toda história do coletivo foi montada durante o evento na Vila Cultural Alma Londrina – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

O caráter experimental da encenação e o uso inteligente da iluminação (Que em alguns momentos deixava a cena totalmente azul, ou verde) deu um clima meio espectral à encenação. Instrumentistas posicionados acima do público realizavam um fundo musical que envolveu o público presente. Em um segundo momento, a encenação continuou no salão interno do local. Em uma montagem dinâmica, atores, constantemente, circulavam e interagiam com pessoas do público provocando reações das mais diversas. Houve também momentos em que a encenação ocorria no ‘mezanino’ da Vila Cultural e o público acompanhava do ‘andar inferior’ criando um jogo de cena peculiar e utilizando as questões de espaço como próprio recurso para as ‘tramas’ apresentadas. Temas ligados a atual crise política do Brasil, questões de gênero e também até passagens mais ‘oníricas’ marcaram o tom das ‘cenas’ apresentadas. O grupo já realizou encenações semelhantes em vários outros espaços públicos da cidade.

Uma encenação foi realizada com início do lado externo da Vila Cultural, e em seguida, convidou o público para seguir para dentro do espaço - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Uma encenação foi realizada com início do lado externo da Vila Cultural, e em seguida, convidou o público para seguir para dentro do espaço – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

O momento intitulado ‘segunda cena’, colocou juntos personagens de vários espetáculos diferentes, realizados ao longo dos dez anos do teatro de garagem, unindo, pela primeira vez, personagens que nunca haviam encenado juntos. Atores (E antigos membros) do Teatro de Garagem participaram. “Não é nem um espaço de rua, nem um teatro de caixa. É uma performance, realizada em vários espaços, quase como um teatro de câmara… é uma prática já da nossa linha de ocupação de espaços alternativos. Nessa cena estávamos em 14 pessoas, oito atores (Que já participaram do coletivo no passado) aceitaram participar do evento, realizando personagens antigos. Trouxemos de volta pessoas que já passaram por aqui e que trouxeram influências, deixaram impressões. Embora não façam mais parte do grupo, continua a admiração”, contou Danilo Lagoeiro, do Teatro de Garagam à reportagem do Rubrosom.

O grupo 'Serumbando' se apresentou no evento unindo referências ecléticas (Mpb, indie rock) e arranjos bem trabalhados - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
O grupo ‘Serumbando’ se apresentou no evento unindo referências ecléticas (Mpb, indie rock) e arranjos bem trabalhados – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Nos momentos finais, houve também um Slam de poesia de garagem (Com palco aberto para que todo pudessem contribuir) e uma apresentação da banda Serumbando, montada por diversos músicos e universitários da cidade. Com influências de música brasileira, e também de referências mais atuais do rock contemporâneo, o grupo chama atenção pelo ecletismo e pelo grande número de instrumentos (Havia uma escaleta e até nipe de metais na banda). Por fim, o saldo do evento – Que levou dezenas de pessoas à Alma Londrina, mesmo em um dia frio – foi positivo. Uniu manifestações artísticas diversas e uma pluralidade de linguagens. “O evento foi uma realização nossa, partilhada com o público… Foi um dia de celebração, pela produção independente e pelos afetos”, conclui o Relações Públicas, Danilo Lagoeiro, um dos articuladores do Teatro de Garagem. Membros de outros coletivos também participaram do evento.