Por Bruno Leonel

Músicos, artistas, crianças, moradores do bairro e também curiosos marcaram presença durante o último domingo (24) no sarau ‘Para Além das Fronteiras do Hip Hop’ realizado no Conjunto Vista Bela, durante o período da tarde. O evento é uma extensão do projeto ‘MH2: Música e Hip-Hop’ que semanalmente realiza oficinas no bairro com discussões e temas ligados à história da canção popular e da cultura hip-hop em geral.

O evento teve início por volta das 15h30 até às 19h30 - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
O evento teve início por volta das 15h30 até às 19h30 – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Aproveitando o evento, algumas mudas de árvores foram plantadas (Como uma forma de melhorar, ainda que um pouco, a falta de arborização do bairro). Em um domingo de bastante sol – E com um calor potente que apenas deu trégua após às 16h30 – Moradores da região puderam participar de oficinas com contadores de histórias (Com a educadora Daniella Fioruci), dinâmicas cênicas voltadas para crianças (Com membros do ‘Teatro de Garagem’) além de conferir também apresentações musicais do rapper Banana Flow e do compositor João de Carvalho – Que também é educador no projeto MH2. No sábado, um evento semelhante o ‘Block Party’ (Festa do Quarteirão) já havia movimentado o bairro com atrações semelhantes.

O rapper Banana Flow se apresentou durante o evento levando o hip-hop para um palco montado no local - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
O rapper Banana Flow se apresentou durante o evento levando o hip-hop para um palco montado no local – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

O evento, realizado na Rua Luiz Moro Neto (Em frente ao Centro Municipal de Educação Infantil – C.M.E.I) também contou com a presença de grafiteiros do grupo Capstyle além de artistas convidados de fora de Londrina que realizaram pinturas no local, dando assim um novo aspecto estético ao local. “O grafite hoje, na visão de cultura e como arte é muito importante nesses bairros, a criança da periferia não tem acesso à museu e a espaços de arte contemporânea, infelizmente. Através do grafite podemos mostrar um pouco de arte e a pessoa, mesmo na periferia, consegue criar suas obras e viver um pouco deste contexto” contou o grafiteiro Márcio Zion, da cidade de Apucarana, que durante o evento ajudou a espalhar cores pelos muros do Centro Municipal. Contando os dois eventos (De sábado e domingo) nove grafiteiros participaram – Inclusive artistas de Curitiba.

Os grafiteiros convidados Zion (Esquerda) e Black (Direita) ilustraram parte do mural do C.M.E.I - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Os grafiteiros convidados Zion (Esquerda) e Black (Direita) ilustraram parte do mural do C.M.E.I – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

O trabalho em encontros na comunidade sempre soma ideias também segundo o grafiteiro ‘Black’, parceiro de Zion. “Acho muito legal poder participar destes eventos, eu mesmo quando era criança via esses desenhos e achava ‘poxa, que legal, um dia eu quero fazer isso’, e foi quando comecei a batalhar para tentar conseguir isso, vejo crianças hoje que estão no mesmo lugar em que um dia eu estive… O pessoal pode ver isso hoje como uma arte e, no futuro, podem acabar fazendo trabalhos como os que a gente desenvolve” ressalta Jhonathan Augusto de Castro (Black) que é morador da cidade de Mandaguari, e que junto com Black esteve no evento do domingo.

Para vários artistas e pessoas participantes do sarau a troca de informações ocorrida no evento é sempre um dos aspectos de mais destaques. Para crianças pouco familiarizadas com teatro, por exemplo, é sempre curioso ver as reações e os sorrisos que se abrem ao ver apresentações como as de contadores de histórias e até brincadeiras de interpretação realizadas durante o sarau. “Aqui, é uma região muito afastada do centro, um bairro que foi construído sem nenhum cuidado com a vida social. Não tem ainda ‘equipamentos culturais’ por aqui e nós vemos que isso é tão importante quanto a educação, a saúde para que as crianças e moradores daqui tenham uma vida saudável. Esses eventos promovem uma integração entre o que acontece de cultura na região central, e também o que acontece na periferia, essa troca é o principal…” menciona o ator Pedro José do grupo ‘Teatro de Garagem’.

Artistas do coletivo Capstyle também deram sua contribuição para colorir o mural do CMEI Vista Bela - Foto: Bruno Leonel/RubsoSom
Artistas do coletivo Capstyle também deram sua contribuição para colorir o mural do CMEI Vista Bela – Foto: Bruno Leonel/RubsoSom

Moradores do bairro também acharam o evento proveitoso, como é o caso de Fábio Bezerra, residente do ‘Vista Bela’ já há cinco anos. “Tudo o que a gente vê por aqui durante esse tipo de sarau, como a alegria dessas crianças, isso emociona a gente bastante. É um incentivo para que a gente possa se dedicar cada vez mais a esse pessoal mais novinho. É um grupo que as vezes acaba ficando um pouco abandonado, faltam incentivos, espaços como teatro e espaços para cultura, falta escola…. É triste. Esses projetos com música acabam movimentando o bairro, fazendo algo por essas crianças acho que com evento assim, outras pessoas podem acabar se conscientizando e somando às realizações feitas aqui no conjunto” ressalta o morador que acompanhou de perto as quase quatro horas do evento.

Em 2016, este foi o primeiro, de uma série de encontros que deve ainda ocorrer até o final do ano do ano, todos eles como extensão do projeto semanal. “Os eventos são para que os jovens tenham mais interesse pelos projetos, para que eles vejam as ações e possam ter interesse em participar das oficinas, assim como do projeto MH2”, explica o educador Leandro Palmeirah, idealizador do projeto MH2. Segundo ele um próximo evento está já marcado para próximo do dia 15 de maio, nele, o foco serão aspectos da cultura de matriz africana assim como temáticas ligadas à questão racial. Ele ainda ressalta a importância da cultura da música como forma de conscientização e instrução. “Nossa região é carente, sem estrutura, os caras jogam a gente aqui para morrer, o hip-hop vem para fazer esse pessoal viver, ter vontade de fazer novas coisas” afirma Palmeirah.


Serviço

Projeto “MH2 Música e Hip-Hop”
Todos os sábados às 16h
Rua André Buck 641 (Próximo ao Posto de Saúde)
Jardim Pandovani/Vista Bela  Londrina-PR

Informações:
Leandro Palmeirah – (43) 3357-2326/ 9134-0359