Por Bruno Leonel

Dando continuidade à boa ‘onda’ de lançamentos de trabalhos autorais feitos nesse ano em Londrina (Aqui no RubroSom falamos de alguns álbuns e EPs, de diferentes gêneros) mais um trabalho autoral foi disponibilizado para ouvir através da internet, trata-se do EP Armadura de Beleza, da banda de rock industrial/Eletrônico Mhorula.

A banda durante show de lançamento do disco no dia 11 de Junho no Oficina Bar - Foto: Divulgação
A banda durante show de lançamento do disco no dia 11 de Junho no Oficina Bar – Foto: Divulgação

Mhorula é o nome do projeto formado em 2010 pelo músico Maurício Werner, veterano da cena Londrinense e que já colaborou com grupos e projetos de diversos gêneros – Além de fundador dos ‘Picaretas’, Maurício foi também integrante do trio Trilobit, além de tocar com o Bacalhau Samba Rock Club. Com este novo projeto, apoiado em uma sonoridade mais obscura e sintética, o registro apresenta seis faixas que, após um longo período de gestação e amadurecimento, chega ao público.

O disco foi produzido por Gustavo Rocha (No GR Estúdio) e contou com Maurício assumindo as bases e instrumentos quase que nele por inteiro. Com exceção das guitarras que foram gravadas pelo músico Tiago Ponti que também toca com a banda ao vivo.

Após tanto tempo de amadurecimento do trabalho, conversamos com o músico Maurício Werner sobre os bastidores do trabalho e os próximos passos após o lançamento do material.

O projeto tem algumas anos, mas esse foi o primeiro registro de estúdio da banda certo?
A primeira vez que fomos pra estúdio (A gente, eu na verdade – Como uma banda de homem só) foi em 2010. Gravamos no Bressan uma música só, levei uma ideia e um violão além de alguns samplers no computador, que virou o primeiro single, uma música chamada ‘In The Sand’, lançamos no My Space e fomos até chamados para participar de uma coletânea, só com bandas de rock industrial da América Latina, acabou que não efetivou o contrato. Um pouco depois, em 2012 (Junto com o produtor Gustavo Rocha) começamos a fazer uma gravação, com captação de qualidade (Que depois resultaria no disco).

De começo era apenas a gravação do vocal, e mais samplers, baterias eletrônicas…. Não ficou como eu esperava. Senti um pouco de falta da coisa orgânica no som. Mas teve a necessidade de outras coisas, gravei os baixos e o vocal e o músico Tiago Ponti (Que já tocou em bandas como Silêncio’, e Escopo) gravou as guitarras, chegamos depois no resultado.

O trabalho teve um período de gestação bem longo em?
Sim! De 2012 pra cá muita coisa aconteceu. A gente nunca termina na verdade né? Chega um momento você tem que finalizar. A demora foi devido a maturação da ideia, foi concebida de uma forma, mas, não gosto muito de trabalhar com coisas estáticas, tudo foi acontecendo. Experimentamos com vários músicos e outras pessoas (Risos) – Nota: O repórter Bruno Leonel chegou a participar como guitarrista de algumas apresentações do grupo – cada pessoa vai adicionando uma ideia, sempre podendo melhorar o trabalho.

E as referências suas pra esse trabalho? Você sempre teve uma afinidade com essa coisa do do pós-punk e industrial né?
Sim, isso é muito forte. Eu sou filho caçula, e meus irmãos sempre ouviram música rock antes de mim, e foi passando essas influências. Sempre gostei de Ramones, The Cure, Billy Idol, Joy Division, Banda Zero… Legião Urbana das nacionais. Isso tudo influenciou o som. Nosso trabalho é esse, fazer rock brasileiro mas com influências que são universais, isso tudo foi somando.

As letras são todas em português, passando ali por algumas críticas (Como a faixa ‘Amardura de Beleza’) tem alguma coisa de influências literárias na sua música?
Tem sim, várias coisas como Paulo Leminski, o pessoal de Londrina do Cemitério de Automóveis que vão por essa linguagem da madrugada, das relações humanas. Eu estudei psicologia, isso tudo está dentro das composições, carrega um pouco disso tudo.

Essas referências que você mencionou, o Industrial, o Pós-Punk não são estilos que tem um grande espaço no Brasil hoje… O lance do disco, aqui em Londrina, tem até um certo pioneirismo?
Nessa vertente, talvez seja um pouco pioneiro sim (Pelo menos até onde sei). Eu fui baterista do Trilobit por muito tempo, na banda a gente já tinha esses elementos eletrônicos na banda. O Mhorula é meio que uma continuação disso, desse estilo. Tem uma banda que eu gosto muito, de San Thomé das Letras, Escarlatina Obsessiva, sempre estou em contato com eles. O Plastique Noir do Ceará, não são conhecidos, mas nomes importantes. Gosto muito dessas influências e fico feliz em fazer esse tipo de som.

Daqui pra frente, tiveram um show de lançamento e, pretendem circular mais com o trabalho? Ir para festivais, tocar fora?
Tem alguns projetos que iremos organizar já para o segundo semestre. Iremos tocar no ‘Palco Alma’ em Julho e, ainda temos algumas inscrições feitas para eventos como o Londrix, o DemoSul, a Semana da Música de SP e, dentro das músicas, algumas coisas que apareceram como ideias foram incorporadas em outras canções – Como a faixa ‘Ela quer’.

A gente conversou uma vez sobre o meio musical em Londrina, por volta de uns 15 anos atrás… Você comentou sobre haver muito mais espaço para bandas ‘underground’ naquele período do que tem hoje. O que será que aconteceu? O público migrou mesmo?
É… Não quero cair naquele discurso saudosista de ‘Na Minha Época era melhor’ (risos), mas, acho que tudo tem o seu tempo, tudo sofre transformações. Hoje vejo uma cena muito bacana em Londrina, efervescente, mas as responsabilidades de quem faz o som são outras. Eu tenho mais prioridades do que apenas ‘ser um bom baterista’, me dedicar a um som e ir atrás disso até as últimas consequências… Acho que já dei isso, já fiz muita coisa, me sinto gratificado por tudo o que a música já me proporcionou, me sinto bem ainda fazendo esse tipo de música.


Informações

Soundcloud da banda: Soundcloud.com/mhorula
Facebook/Mhorula