Por Bruno Leonel

Teve muito rap, intervenções artísticas e também cultura hip-hop durante a terceira edição da ‘Quarta Féra’ realizada na noite do último dia de agosto (31) na ocupação da antiga ULES, no centro de Londrina. Rappers, curiosos e também entusiastas das rimas se reuniram por volta das 19h30 para acompanhar uma programação toda voltada ao estilo.

Cinco artistas participaram da disputa em 'rounds' do tipo melhor de 3 - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Cinco artistas participaram da disputa em ‘rounds’ do tipo melhor de 3 – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Dezenas de pessoas acompanharam a exibição do filme biográfico ‘Straight Outta Compton: A História do N.W.A” (Que conta a história do grupo de música gangsta rap N.W.A. entre 1987 e 1995). Após apresentações artísticas de malabares e mímica – Com artistas de coletivos ligados à própria ocupação – o local foi transformado em uma arena onde rappers puderam competir em uma batalha de rimas. Ao invés de críticas e provocações (Como costuma ser feito em disputas do tipo ‘batalha de sangue’) a ideia era que os cantores rimassem sobre coisas do ambiente e objetos encontrados no espaço junto à arena. Segundo o critério estabelecido, o cantor que ‘produzisse mais rimas’ ligadas ao espaço seria o vencedor.

A disputa durou até perto das 22h10 no espaço da ocupação do antigo prédio da ULES (Avenida Duque de Caxias) - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
A disputa durou até perto das 22h10 no espaço da ocupação do antigo prédio da ULES (Avenida Duque de Caxias) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Durante as disputas, o fundo sonoro e as bases instrumentais eram feitas pelo Dj Diq. Teve ‘Fora Temer’, faxina no congresso, comentários sobre a situação política da cidade, além de eventuais críticas sociais (típicas do gênero) rimas rápidas e muita sagacidade aliada a uma certa poética urbana.

Antes das disputas artistas do M.A.R.L realizaram apresentações com malabares e mímicas - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Antes das disputas artistas do M.A.R.L realizaram apresentações com malabares e mímicas – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Ao todo cinto artistas participaram da disputa. A maioria, atendia por pseudônimos como: ‘Caminhão’, ‘Esc’ e ‘Negrim’ (O grande artista vencedor da noite). A batalha durou até pouco depois das 22h10. “Começamos há alguns anos e hoje é uma parada mais séria, participamos de competições, viajamos pelo Brasil, hoje apenas organizo eventos como a batalha na concha”, contou o produtor cultural “Washington Luis dos Santos” o ‘W” que responde pela organização do evento. Ele conta que já desde 2007 organiza eventos do tipo pela cidade. “Todo o dia tem batalha em Londrina, toda segunda temos a batalha do lado (Região Norte de Londrina), terça-feira na Zona Oeste (Atrás do Shopping Com-Tour), quartas-feiras (Região Sul) e acabou mudando para a ocupação… Toda quinta no Antares (Região Leste) e sexta-feira temos a tradicional da concha. Esses eventos centrais permitem ‘colar’ gente de todas as tribos, punks, gente do rock, é tudo muito legal… A gente respeita todos, o hip-hop amadureceu muito com isso”, contou ‘W’ à reportagem do Rubrosom.