Por Bruno Leonel

A escritora londrinense Edra Moraes lança nesta terça-feira (27) seu terceiro livro intitulado, com poemas, intitulado ‘Para ler enquanto escolhe feijão’ publicado pela Atrito Arte. O trabalho é resultado de aproximadamente dois anos de produção da autora. “Algumas pessoas falam que minha escrita é mais intimista escrevo aquilo que eu vivencio, que eu vejo no meu dia-a-dia. O que eu tentei neste terceiro volume foi sair das metáforas, tentei sair da poesia como ‘mundo em que eu não existo’, e falei de coisas mais reais. Acredito na poesia e arte como forma de redenção, como forma de ressignificar algumas coisas”, contou a autora ao Rubrosom. O lançamento acontece hoje na Vila Cultural Cemitério de Automóveis. às 20H.

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Assim, com palavras diretas, sem delongas, a moça se expõe a quem vai caminhar pelos cenários de sentimentos erigidos por ela em linhas apaixonadas, acomodadas nos poemas. Não esperem por mulheres diáfanas, olhares distraídos, almas frágeis como hastes vergando ao vento, desmaiando em versos. Despudorada, terrena, ela é toda nudez, traz à tona o que era silêncio, emenda vozes torturadas e mudas, falas iluminadas, felizes, por vezes tontas, febris, esquecidas.Confissões eivadas de paixão, sem dúvida, mas em climas amenos, sem acréscimo de elementos trágicos àquilo que por si só já é drama.
Edra Moraes, a autora, recompõe sua presença em novo retrato neste “Para ler enquanto escolhe feijão”. Esse ir e vir, fenecer e reinaugurar-se é o movimento constante da existência, todas as tonalidades dando cor e brilho ao sentimento. Edra Moraes foi volúpia em seu livro inaugural “Da divina, da humana, da profana”. Nesta nova empreitada poética as confissões têm algo de etéreo e rude envolvidas numa delicadeza que gera fascínio, como se coberta por véus de intenções e recados. A gente até se esquece do feijão, seguindo os passos, as pistas, as delícias no contato com esse mundo complexo de abismos e alturas, porém jamais desabençoado.

Aos desavisados de plantão, um aviso sintetizado no título do primeiro texto deste livro: “Eu não sou musa, sou poeta”, segundo Edra, a passagem, assim como o título, faz alusão ao preconceito e à descriminação ligada ao  papel da mulher e da visibilidade feminina, muitas vezes subestimada, em espaços literários. “Encontrei, durante algumas leituras, um texto antigo que falava: ‘As mulheres que ousam outro papel na literatura, que não seja de musa…são taxadas como vedete…’, o que mostra como era o preconceito, em várias épocas, tanto na Literatura beat (anos 60), como na Semana de Arte de 22 (Que teve Anita Malfati como uma das grandes idealizadores), nunca falam das mulheres que participaram dos movimentos, nunca lembram. Por aqui mesmo, nós lutamos o tempo todo para trazer mulheres para eventos como o Londrix (Festival Literário de Londrina). Vivemos uma época de mais empoderamento do papel feminino, mas  sua produção é pouco falada…”, analisa a escritora durante conversa com nossa reportagem.

Embora seja atuante na literatura há anos, tanto na produção como também na organização de eventos, Edra conta que ainda é muito ligada à produções recentes de arte e literatura. “Leio muitos autores contemporâneos, tenho a obrigação de passar os olhos e acompanhar autores da atualidade, ver o que está acontecendo – Eu analiso muito, essa coisa de ‘poeta bom é poeta morto’, essa ideia veio um pouco com a classe dominante, que prega uma certa ‘Elitização da arte’, algo como: ‘Se eu conheço autores consagrados, eu sou melhor” e não deve ser assim. Hoje mesmo, temos uma época muito positiva, em Londrina mesmo há uma produção em alta, autores como Rodrigo Garcia, Felipe Pauluk, Manuela Pérgola… Célia Musili. Muita coisa boa sendo feita…”, comenta Edra sobre o momento na cidade. E o questionamento vem aí, ‘Será que nós saímos da cozinha?”,  sobre o papel da mulher da sociedade atual, “É uma questão tão antiga e, as vezes, parece que não evoluímos nisso, no debate…..”, pontua Edra. O trabalho gráfico foi todo feito pela artista Daniela Stegman, cujas ilustrações e artes deram um aspecto ‘antigo’ através de iluminuras. Além do evento, o livro será vendido na página da Atrito Arte. A Vila Cultural Cemitério de Automóveis, tem o patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC).


SERVIÇO

Lançamento ‘Para ler enquanto escolhe feijão’ de Edra Moraes
Onde:
Cemitério de Automóveis em Londrina (Rua João Pessoa, 103-A)
Quando: Terça-feira (27) às 20h
(Entrada gratuita)