Por Bruno Leonel

Cerca de 40 pessoas, de várias idades, compareceram na noite do último domingo (05) na Vila Cultural Flapt (Região Norte) para acompanhar a apresentação do espetáculo Donantônia, encenado pelo Núcleo Às de Paus de Londrina. Após levar o espetáculo para palcos do Sesc Cadeião e da Usina Cultural, o grupo irá realizar, até o fim do ano, apresentações em diferentes espaços e regiões da cidade. Neste domingo, o bairro Luis de Sá (Onde fica a Vila) foi o local de mais uma apresentação do grupo.

Durante o espetáculo as Antônias são encenadas por atores usando pernas-de-pau - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Durante o espetáculo as Antônias são encenadas por atores usando pernas-de-pau – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Em meio a uma noite de temperaturas frias e uma incansável chuva (Que continuou e parou durante boa parte do final de semana), um número considerável de pessoas (Inclusive de outros bairros) compareceu à Vila Cultural para prestigiar a peça que, entre outros detalhes, é notável pela sua montagem experimental e pelo uso inteligente do espaço durante o desenrolar da encenação; Três dos personagens (As ‘Antônias’) passam a peça toda caminhando sobre pernas de pau além de interagirem com a plateia. O público é dividido em lugares espalhados por todo o espaço, com a peça acontecendo no centro. Uma iluminação especial garante um tom mais ‘espectral’ à narrativa. A trama tem um tom surreal, embora dialogue com temas muito presentes na vida cotidiana como vida/morte, expectativas e a passagem do tempo. Durante o dia, uma espécie de ‘cortejo’ foi realizado no bairro, pelos atores  (Sobretudo em locais como a feira da Saul Elkind) como uma forma de convidar mais pessoas para a apresentação.

"A peça começa fora do espaço, e depois todos são convidados à entrar e ver a realidade da trama, faz a gente pensar”, contou o aposentado João Severiano Pereira, 66 anos - Foto: Bruno LeonelRubroSom
“A peça começa fora do espaço, e depois todos são convidados à entrar e ver a realidade da trama, faz a gente pensar”, contou o aposentado João Severiano Pereira, 66 anos – Foto: Bruno LeonelRubroSom

Crianças, jovens e também pessoas mais velhas acompanharam atentamente à peça que carrega sua narrativa principal com diversas nuances (Há momentos cantados, falas banais que refletem um pouco do universo das ‘Antônias’ e até questões mais existenciais trazidas à tona em momentos pontuais da peça com temáticas sobre solidão e espera). A pluralidade do trabalho permite que públicos com ‘bagagens’ culturais diferentes possam tirar dali entendimentos diferentes do texto (Assinado pela dramaturga Yara Camilo). “Tem vários níveis sim. A criança mesmo talvez não entenda a ‘filosofia’ toda, mas, ela fica com as imagens na cabeça, com a figura da Antônia e dos meninos. Quem já tem um pouco mais de idade, pelo menos a gente espera, já entende esse recado do texto”, contou ao RubroSom o ator André Luiz Demarchi, que participa do espetáculo.

Diversas linguagens como canto e até divagações introspectivas aparecem na encenação - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Diversas linguagens como canto e até divagações introspectivas aparecem na encenação – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Durante a peça, o público presente é convidado também a interagir com os personagens, como em momentos onde os atores entregam café aos presentes, quase como uma forma de ‘agradecimento’ pela visita. Na peça, as ‘Antônias’ a todo momento resgatam lembranças de um passado distante. Citam velhos conflitos que se tornam presentes diante do público. É até difícil não pensar nos relatos contados ali sem se identificar com algo do texto. “Eu achei a história da personagem, tudo o que ela passou, o mais interessante. A peça começa fora do espaço, e depois todos são convidados à entrar e ver a realidade da trama, faz a gente pensar”, contou o aposentado João Severiano Pereira, 66 anos, que sempre acompanha peças de teatro em Londrina, e que pela primeira vez acompanhou um espetáculo na Flapt! O educador Carlos Alexandre Guimarães, morador de um bairro próximo à Vila, achou bastante positiva a realização da peça no espaço. “Essa parte cultural mexe muito com a gente, faz a gente refletir bastante. Acho muito importante ter a realização desses espetáculos em bairros diretos. A Flapt! Mesmo eu acompanho há algum tempo, sempre vejo os projetos feitos por eles por aqui” contou o profissional ao RubroSom.

Momentos de interação, do lado de fora da Vila, também marcaram a apresentação deste domingo - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Momentos de interação, do lado de fora da Vila, também marcaram a apresentação deste domingo – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

A Vila Cultural Flapt! e o Núcleo Às de Paus, contam com o apoio do Programa Municipal de Incentivo á Cultura (PROMIC) para mais informações sobre outras atividades, assim como, novas datas da peça, acompanhe as respectivas páginas do facebook das duas (Assim como o facebook do Rubrosom) para novidades!