Por Bruno Leonel

E teve rock autoral de qualidade marcando presença na segunda edição do Palco Alma ocorrida no último domingo (28) na Vila Cultural Alma Brasil. Em um dos finais de semana mais dedicado ao punk rock na cidade em tempos – Na última quinta e sexta, o lendário Richie Ramone (Ex-Ramones) já havia feito dois shows concorridos na cidade – o evento do domingo contou com o som enérgico da banda paulistana Water Rats que fechou a noite de forma enérgica após boas performances do hard rock do Turbö e do pós-punk do Mhorula.

Evento começou por volta das 16h e seguiu até perto das 22h - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Evento começou por volta das 16h e seguiu até perto das 22h – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Tudo colaborou para que o evento, se na primeira edição o ‘Palco’ contou com rítmos que iam desde o regae e afrobeat, a segunda leva do ‘Palco Alma’ atraiu fãs mais dedicados à música underground que ganha espaço no projeto. O evento teve início às 16h, por volta das 18h30 o Mhorula, primeira atração da noite subiu ao palco. As batidas cadênciadas e o som soturno chamaram atenção para o som da banda, cujo repertório contou com faixas do trabalho recentemente lançado ‘Armadura de Beleza’ além de covers como uma versão da banda inglesa ‘Joy Division’ tocada durante o show; “É uma grande satisfação participar hoje aqui. A vila cultural faz parte da minha carreira desde 2007, seja com o pessoal do maracatu, com as oficinas de percussão junto de amigos, é como se estivesse tocando no quintal de casa mesmo. E, principalmente, essa coisa do intercâmbio da troca de ideias com outras bandas, na passagem de som conversamos com o Water Rats e foi muito legal. Essa iniciativa para eventos é fantástica, tem que continuar… “, contou o músico Maurício Werner, vocalista e idealizador do Mhorula à nossa reportagem.

AlmaMhorula levou seu projeto de rock industrial/pós-punk ao festival - Foto: Sense/Alma Londrina.
Mhorula levou seu projeto de rock industrial/pós-punk ao festival – Foto: Sense/Alma Londrina.

Além do show das bandas, o londrinense Dj Diq era responsável pela discotecagem que envolvia o público com hits de rock e outros ritmos mantendo assim o clima da boa música. Entre o público, chamou a atenção a grande variedade de ‘perfis’ presente; Homens e mulheres de várias idades (inclusive algumas crianças) marcaram presença no evento ocorrido em plena tarde e noite de domingo (Horário no qual geralmente poucas pessoas se animam para sair de casa).

Por volta das 19h30 o Turbô subiu aos palcos do evento - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Por volta das 19h30 o Turbô subiu aos palcos do evento – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

O Turbö, segunda atração da noite, também marcou presença com um show enérgico e direto (Com cerca de 40 minutos de duração). O grupo retorna os shows de seu trabalho autoral (Tendo lançado recentemente seu disco ‘Trilha Sonora para Pessoas Rústicas” ) após uma bem sucedida turnê (Com cerca de 15 datas) com o músico americano Willie Heath Neil. “Primeira vez que tocamos na Alma, já viemos dar entrevistas (na rádio) e participar de outros projetos. Eles fazem um trabalho que admiramos muito… E também no prazer de estar junto com bandas que achamos boas como o Mhorula e o Water Rats (Banda que vimos outras vezes ao vivo), o evento sempre abre espaço pra vários gêneros, também o que não está na moda, e é muito bom participar disso. As vezes quem é de Londrina pode achar que aqui é ruim por ter muitos covers, mas, é um pouco assim em todo o lugar. Quando o pessoal disposto a fazer som autoral se junta é sempre bom, com essa turnê junto do Willie tocamos em muitos lugares e foi positivo, tocamos pra públicos grandes e pequenos, a turnê foi incrível e terá continuação”, contou o músico Ricardo Pigatto, vocalista do Turbö.

Quarteto 'Water Rats' em ação durante o Palco Alma - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Quarteto ‘Water Rats’ em ação durante o Palco Alma – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Fechando a noite, o quarteto Water Rats concluiu os trabalhos com um punk rock bastante enérgico e com ecos do rock alternativo dos anos 90. O grupo se formou em Curitiba e hoje está baseado em São Paulo. Seu segundo disco, Ugly by Nature, foi lançado em vinil em 2014 (edição esgotada), para no ano seguinte ganhar o videoclipe lançado exclusivamente pelo site da revista Rolling Stones e também uma versão em CD pelo selo paulistano Hearts Bleed Blue. “Show de domingo é sempre o pior pra tirar o pessoal de casa mas foi muito bom. A gente tava acompanhando a divulgação, o equipamento de som tava muito bom – Melhor hotel dos últimos tempos também, estamos sendo muito bem tratados (risos). Os dois shows que fizemos até hoje em Londrina foram bem legais, teve um outro no qual reclamaram por causa do volume do som e tivemos que parar (Risos)”, contou o vocalista e guitarrista Alexandre Capilé (Que também é integrante do Sugar Kane). “Apesar de já ter vindo algumas vezes aqui, não entendo bem ainda a ‘cena’ da cidade, agora tenho entendido mais, é bem diferente, o Sugar Kane mesmo tinha outro público, algumas pessoas mais novas apareciam. Hoje com o Water Rats o público é mais punk rock/alternativo, diferente do que era no Sugar Kane, é uma experiência diferente”, contou o músico logo após a apresentação.

Construindo, a cada edição, seu nome como evento voltado a música independente, o Palco Alma cada vez mais se estabelece como um nome emblemático para o circuito ‘além de eixo’ na cidade. Sempre promovendo o espaço para bandas da cidade (e de fora) cada vez mais se torna uma opção válida para movimentar o circuito e envolver uma certa ‘cena’ vigente na cidade, apesar das eventuais dificuldades que o cenário musical (sempre) impõem. Com uma produção de qualidade e com foco apenas na música autoral, vale a reflexão sobre a possibilidade de viabilizar mais eventos e iniciativas voltadas para a música autoral  (de gêneros diversos) na cidade. Em outubro e dezembro mais duas edições já estão confirmadas.