Por Bruno Leonel

O Movimento dos Artistas de Rua de Londrina lançou na última segunda-feira uma campanha de financiamento coletivo (Crowfunding) como forma de arrecadar recursos para a reforma do prédio da antiga Ules (União Londrinense dos Estudantes Secundaristas – Avenida Duque de Caxias) com o objetivo de transformá-lo em um espaço cultural. O prédio foi ocupado, de forma pacífica por um grupo de diversos artistas e membros de coletivos no mês de junho deste ano e, desde então, tem sido o local de eventos culturais, debates e também cedendo espaços para apresentações de peças de teatro e eventos como o Encontro de Contadores de História (ECOH).

Segundo nota divulgada pelo M.A.R.L, o objetivo é arrecadar R$ 20 mil que serão utilizados para reforma estrutural do prédio. “Agradecemos as e aos inúmeros artistas londrinenses que somaram conosco nessa campanha e convidamos todas e todos para mais essa empreitada”, diz a nota. A campanha foi lançada pela plataforma Benfeitoria e visa arrecadar a quantia especificada até o dia 25 de setembro. Um vídeo teaser, de divulgação da campanha, também foi divulgado.

A Ocupação

A ocupação ocorreu no dia 26 de junho após a realização de um cortejo, iniciado às 9h30 próximo à Concha Acústica de Londrina. “Esse planejamento da ocupação acontece já há alguns anos. Desde 2012, quando iniciamos o M.A.R.L, essa era uma das demandas; A ocupação desses espaços públicos, em desuso, para que pudéssemos revitalizá-los e realizar atividades. Em 2014 teve o encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua (Em Londrina) onde compareceram vários artistas, de todo o Brasil, que divulgaram experiências anteriores de ocupação.

Faixas e bandeiras de vários coletivos integrantes da ocupação foram colocados na frente do prédio situado na Avenida Duque de Caxias - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Faixas e bandeiras de vários coletivos integrantes da ocupação foram colocados na frente do prédio situado na Avenida Duque de Caxias – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Houve um contato com a Secretaria de Cultura, onde fizemos uma carta informando sobre a necessidade desse movimento… Desde então estamos nos organizando para que isso acontecesse”, contou na época da ocupação o ator Rogério Francisco Costa, integrante do Núcleo Às de Paus, e um dos articuladores do movimento. O local estava há cerca de dez anos sem nenhum tipo de atividade. Segundo divulgado, a ideia é ocupar o local permanentemente com diversas atividades, utilizando-o também para montar uma biblioteca, um espaço de memorando além de usar o espaço em si para realizar oficinas para a população além de outros eventos. A ideia é também tornar o espaço o centro do projeto “A Maré” (Festival de Arte e Movimento) previsto para o segundo semestre deste ano, e que, levará atividades culturais a diversos bairros da periferia.

Na época da ocupação, o RubroSom entrou em contato com o Secretário de Defesa Social, Coronel Rubens Guimarães de Souza. A pasta atualmente é a responsável pelo local. Foi relatado que havia um projeto para reforma do local, assim como, transformação do mesmo em uma central de monitoramento da Guarda Municipal; “Não há ainda uma previsão para construção da central de monitoramento no local. Estamos finalizando ainda um projeto ao Prefeito… Temos também uma urgência nisso devido a uma reforma que acontecerá em breve na Caapsmel (Onde fica atualmente o monitoramento). Após essa ocupação, registramos já um boletim de ocorrência, sobre a ocupação de prédio público, e o mesmo posteriormente será encaminhado para a procuradoria jurídica do município. A ideia é entrar com um pedido de reintegração de posse do prédio”, explicou Guimarães. “A obra seria feita logo que houvessem recursos disponíveis, assim como o projeto pronto para realização… Isso não foi publicado, desde então, porque não houve necessidade. Trata-se de um ato interno da administração pública. Quando o local foi disponibilizado, a Guarda Municipal foi a única ‘Secretaria’ que manifestou interesse pelo local”, enfatizou o Secretário de Gestão Pública de Londrina, Rogério Carlos Dias.