Por Bruno Leonel

Na mesma semana em que a ocupação do antigo prédio da ULES (Avenida Duque de Caxias, 3241) completa 9 dias de duração, prosseguem diálogos entre o município e o Movimento dos Artistas de Rua de Londrina que articularam o movimento junto a outros coletivos. Entre as pautas, o coletivo de artistas visava realizar atividades culturais no local, e através da ação direta, exigir discussões sobre a utilização de espaços públicos dedicados à movimentos culturais na cidade. O prédio encontra-se inativo há quase 10 anos.

Diversas faixas e mensagens foram colocadas na frente do local da ocupação - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Diversas faixas e mensagens foram colocadas na frente do local da ocupação – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Na noite da última segunda-feira (04) o Prefeito Alexandre Kireeff pela segunda vez compareceu ao local. Após a visita ao local, através do facebook, Kireeff divulgou uma nota sobre o encontro. “Um grupo formado por representantes do MARL e da própria prefeitura irá trabalhar para viabilizar no menor espaço de tempo que a antiga sede da ULES se torne um novo espaço cultural. Esse episódio tem alguns aspectos bastante interessantes a serem considerados. O que mais chama a minha atenção é o fato que o movimento dos artistas , ao invés de bater à porta da prefeitura reivindicando que a prefeitura cedesse, reformasse, aparelhasse e bancasse um novo espaço cultural para que eles pudessem simplesmente utilizar, apresentou uma proposta de revitalização, reforma e utilização do local através de seus próprios esforços , buscando recursos através de plataformas colaborativas e outras formas de apoio e viabilização do projeto”. A nota também afirmava o interesse em prosseguir com as negociações, respeitando sempre questões previstas na legislação.

O RubroSom esteve no local da ocupação durante a última terça-feira (05) e o que se viu foi uma organização já bastante estruturada no local, com barracas, uma cozinha improvisada e até uma mini biblioteca montada no local. A fachada do local, estava já bastante colorida após diversas intervenções e ilustrações feitas por vários artistas no espaço. Uma extensa agenda cultural já estava definida para os próximos dias da semana.

Detalhe do muro externo do local onde diversas ilustrações cobriram parte da pintura - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Detalhe do muro externo do local onde diversas ilustrações cobriram parte da pintura – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

O M.A.R.L também publicou uma nota sobre o caso em sua página do facebook. “…Embora tenha se recusado a assinar um termo de compromisso que elaboramos, disse que irá fazer todos os esforços ao seu alcance para viabilizar que o projeto do Movimento dos Artistas de Rua de Londrina se torne real mediante a cessão do imóvel. Filmamos tudo, fotografamos tudo”, afirmava o comunicado.

A ocupação

A ocupação ocorreu após a realização de um cortejo, iniciado às 9h30 próximo à Concha Acústica de Londrina. “Esse planejamento da ocupação acontece já há alguns anos. Desde 2012, quando iniciamos o M.A.R.L, essa era uma das demandas; A ocupação desses espaços públicos, em desuso, para que pudéssemos revitalizá-los e realizar atividades. Em 2014 teve o encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua (Em Londrina) onde compareceram vários artistas, de todo o Brasil, que divulgaram experiências anteriores de ocupação. Houve um contato com a Secretaria de Cultura, onde fizemos uma carta informando sobre a necessidade desse movimento… Desde então estamos nos organizando para que isso acontecesse”, contou à reportagem do RubroSom o ator Rogério Francisco Costa, integrante do Núcleo Às de Paus, e um dos articuladores do movimento.

Após mais de uma semana de ocupação, representantes do movimento afirmam que o progresso foi sim positivo, mesmo sem a ratificação de nenhum tipo de documento. Desde o dia da ocupação houve sim abertura para o diálogo, só o fato do prefeito ter vindo aqui no local, no dia da ocupação, já foi um começo de diálogo, ai, ontem tivemos uma primeira resposta, ainda verbal, mas teremos ainda uma negociação ao longo dessa semana para ter alguma posição sobre o local. Um engenheiro fez uma primeira avaliação do local, e garantiu que o prédio não tem nenhum problema estrutural sério, logo… Acreditamos também que esse tipo de diálogo também, só foi possível, devido ao tipo de ação direta que fizemos. Se fossemos pelas vias usuais e ‘burocráticas’ concerteza demoraria muito mais, desde 2012 tentamos através de outros meios e as pautas em questão nunca havia sido ouvido. Vejo que demos um exemplo também, mostrando que o trabalho coletivo, colaborativo já fez uma mudança significativa no espaço, mesmo sem contar com nenhum vínculo”, afirma Pedro José articulador do Movimento dos Artistas de Rua.

Programação com oficinas teatrais e outras atividades foi divulgada já no início dessa semana - Imagem: Divulgação.
Programação com oficinas teatrais e outras atividades foi divulgada já no início dessa semana – Imagem: Divulgação.

No dia da ocupação representantes da Secretaria de Gestão Pública estiveram no local, e informaram sobre a existência de um projeto prévio, da Guarda Municipal de Londrina, para transformar o local em uma central de monitoramento. A informação foi confirmada ao RubroSom pelo Secretário de Gestão Pública de Londrina, Rogério Carlos Dias. “Em 2014 a Guarda Municipal solicitou o local para construção de um novo espaço sim, seria construído ali uma central de monitoramento. A obra seria feita logo que houvessem recursos disponíveis, assim como o projeto pronto para realização… Isso não foi publicado, desde então, porque não houve necessidade. Trata-se de um ato interno da administração pública. Quando o local foi disponibilizado, a Guarda Municipal foi a única ‘Secretaria’ que manifestou interesse pelo local”, enfatizou o Secretário.