Por Bruno Leonel

‘O passo é lento, mas eu vou correr…’, este é o verso que abre o EP  ‘Faça Crescer todas as flores’ lançado este ano pela banda Londrinense Montauk. O trabalho, repleto de um lirismo particular e de reflexões sobre a passagem do tempo (E sobre a impossibilidade de revertê-lo) é já o segundo registro de estúdio do grupo, fundado no ano de 2012.

O montauk em 2016; Rafael (Sentado, à esquerda), Wagner (ao lado), Paula Stricker e Vinícius Gimenez (Ambos sentados). O vocalista Fernando Marrom (Em pé, do lado esquerdo) e o guitarrista Giovani Nori - Foto: Divulgação
O montauk em 2016; Rafael (Sentado, à esquerda), Wagner (ao lado), Paula Stricker e Vinícius Gimenez (Ambos sentados). O vocalista Fernando Marrom (Em pé, do lado esquerdo) e o guitarrista Giovani Nori – Foto: Divulgação

Diferentemente do primeiro trabalho (Pés descalços e peito aberto de 2014), este EP mais recente do grupo foi financiado através de crowdfunding. Com a contribuição de 160 apoiadores da banda que, com doações variadas, ajudaram a pagar o processo de masterização, mixagem e finalização do trabalho. “Fizemos a gravação e achamos que ficaria mais barato irmos para uma pousada, e, então gravar por lá! Foram quatro dias de captação…”, contou à nossa reportagem o vocalista e compositor Fernando “Marrom” Abreu.

O Ep “Faça Crescer Todas as Flores” surpreende pela qualidade da gravação, leveza dos arranjos e esmero das letras. Os vocais são divididos com a cantora Paula Stricker, que integra o conjunto desde 2014. “Pelo fato da gente estar junto, fazendo o trabalho, parece que a banda vai tendo o mesmo diálogo. Para este EP também, o Fernando compôs sobre uma ótica feminina… O que ajuda bastante”, conta a vocalista sobre o processo de criação da banda. Completam o time, o baterista Vinícius Matos Gimenez, o baixista Rafael Rodrigues, o tecladista Wagner Barbosa e o guitarrista Giovani Nori (Os dois últimos não estavam presentes no dia da conversa).

O grupo lançou o compacto, com cinco faixas, no último dia 23 de Abril e toca no próximo domingo (08), bem no dia das mães, no Bar Valentino, durante a festa barbada.

O RubroSom conversou com o grupo sobre a nova fase, o êxito da campanha de arrecadação e o  futuro do grupo. Confira:

Voltando um pouco para o passado… Como foi o início da banda?
Fernando “Marrom” – A banda começou em 2012 (Da formação original resta apenas Fernando e o baterista) no fim daquela ano gravamos ‘A Janela que foi nossa primeira música. Gravamos ela no final do ano, depois que soltamos ela, fizemos mais algumas coisas e ai pensamos em gravar um disco completo. Em maio de 2013, mais ou menos, soltamos nosso primeiro clipe, e um pouco depois disso já começamos a fazer a gravação do primeiro disco (Pés descalços e peito aberto) e começamos a fazer o trabalho de shows e divulgação… Um tempo depois já teve uma mudança na banda, a Paula e o Giovani Nori (Guitarra) entraram pra banda, substituindo integrantes que haviam gravado o disco…. Eramos 6, depois viramos um quinteto, agora somos 6 novamente, e temos tocado e feito bastante coisa!

Falando um pouco das referências, vocês mexem com folk, misturam outros estilos, qual vocês falariam que é o ‘som da montauk’ hoje?
Rafael – A gente tava falando disso outro dia; Quando nós começamos a fazer o primeiro álbum, quando estávamos ainda produzindo, nem sabíamos o que era, no começo parecia que era folk, mas, com o tempo começamos a ver que as coisas que a gente tava levando para o segundo, passaram a ter uma outra roupagem que a gente, não sabe dizer bem o que é… A gente costuma falar que é música brasileira. É o que a gente faz, do som que a gente faz agora já dá pra falar isso.

E o processo de composição com vocês? É algo mais coletivo, o marrom é mais quem inicia o processo?
Rafael – Basicamente, o marrom trás as ideias de letra, as vezes, a Paula faz uma modificação ou mudança quando trabalhamos em grupo. A parte dos arranjos mesmo, é feita em grupo dai. Nesses últimos tempos, temos reunido a banda toda em estúdio mesmo e feito as músicas. O Marrom geralmente manda a guia e a gente ‘arranja’ tudo junto. O Marrom geralmente faz bastantes músicas, escreve muita coisa…

Vinícius – Depois de algumas briguinhas, a gente acaba chegando a um arranjo muito bom (risos)… A gente discute um pouquinho. A gente recebe a guia, no meio da semana, mas geralmente é no estúdio que a gente, para, e resolve como vai ficar…. A Paula dá a ideia dela do arranjo de voz, cada um sugere sua parte, depois de uma certa discussão acaba ficando bom. (risos).

Você como vocalista Paula, o lance das letras pessoalmente  é algo que pesa muito pra você? Precisa ser algo que faça sentido pra você? Já teve vez do marrom escrever algo com o qual você não se identificasse?
Paula – Quando eu entrei na banda, o 1º álbum já estava pronto (Tinha sido gravado com a Layane, antiga vocalista) então eu acabei não participando da composição das letras e tudo. Neste segundo (Faça crescer todas as flores) eu participei um pouco mais, mas, não no sentido das letras, mas, como eu estive junto desde o início do processo, parece que a banda foi construindo junto mesmo sem eu ter ajudado a compor diretamente. Pelo fato da gente estar junto, fazendo o trabalho, parece que a banda vai tendo o mesmo diálogo. Para este EP também, o Fernando compôs sobre uma ótica feminina… O que ajuda bastante.

Depois já de alguns anos de banda… O que inspira o montauk hoje para fazer música??
Marrom – Eu comecei/ouvir conhecer muita coisa depois que a banda rolou, então, muita coisa que eu ouvia antigamente, levava como referência na época, não levo mais com a banda. A gente mudou muito né? Agora, depois do EP ainda, nós fizemos mais 4 faixas que já são diferentes do que foi gravado no ‘Faça Crescer todas as flores’… Eu não sei, a gente valoriza muito mais as coisas brasileiras hoje. Uma banda que influenciou bastante a gente no começo acha que foi o “Teatro Mágico”, e também a Banda mais Bonita da Cidade, a gente acabou adquirindo um pouco deles no método de fazer as coisas… Não a forma de escrita, mas, como eles fazem o trabalho. O produtor deles, produziu nosso disco também, no fim, a gente gostou disso, nós nos identificamos com a banda deles também.

Rafael – Eu tenho ouvido mais música brasileira mesmo… Não consigo chegar e citar uma banda só. Cada integrante tem sua especificidade, mas o som da montauk mistura tudo.
Vinícius – Eu ouço de tudo, tirando acho que ‘psy’ e funk carioca… Uma hora to ouvindo Maria Gadú e na outra Angra antigo. Chega na hora de compor, percebe–se que tem muita virada de outros estilos que já toquei, o mesmo acontece com o Rafael. É um som brasileiro, mas, geral com tudo o que a gente já ouviu.

Vocês fizeram um EP agora, por crowdfunding… As músicas já chegaram prontas em estúdio, ou, vocês foram fazendo coisas ao longo do caminho?
Marrom – A gente começou a fazer as músicas em janeiro de 2015… Aí começamos a trabalhar nelas. Eu acabei sendo o que mais encheu o saco pra gente gravar… Mas a gente não tinha dinheiro nenhum! Nós tocamos algum tempo de graça e conseguiu juntar pra fazer a gravação do disco. Fizemos a gravação e achamos que ficaria mais barato irmos para uma pousada, e, então gravar por lá! Foram quatro dias de captação…

Rafael – E após finalizado, faltava um monte de coisa, mixagem, edição, masterização, tudo era um processo exterior… Nós pagamos a captação com dinheiro nosso, ai, faltou o resto. Foram quatro dias, mas, as vezes você ir para o estúdio e gravar horas e horas, faz diferença. Você faz um pacote com quatro horas, grava em uma tarde, grava outra tarda… Muda um pouco seguidão.

Vinícius – A faixa 3 (Mobília) foi gravada natural, com violão e voz ao mesmo tempo. Tanto que vai sair um clipe, registrado durante a gravação da faixa lá na pousada.

Marrom – Pelo Crowdfunding arrecadamos R$ 10 mil, perto de 160 pessoas contribuíram…

Foi um número bem expressivo… Isso é legal porque é resultado do apoio de pessoas que já acompanham a história da banda, eu imagino…
Marrom – Sim, já tínhamos três anos de banda até então, já havia bastantes pessoas ligadas a isso. Foi muito bacana ver a resposta do pessoal. Eu tinha um pouco de medo de fazer isso, achava que era coisa apenas para banda maior. Mas, notamos que dá pra funcionar mesmo com bandas menores… Foi trabalhoso, mas foi muito legal.

Vocês tocam agora no domingo na festa Barbada (Dia 08 no Bar Valentino), como tem sido os shows agora com o repertório?
Marrom – A gente toca um pouco de tudo. A gente toca músicas do EP, do disco antigo, algumas novas que ainda não divulgamos e algumas surpresas no show… No show de domingo vão ter todas essas!

E sobre o futuro? O objetivo agora é gravar mais coisas, ou talvez, excursionar com a banda pra fora?
Marrom – A gente pensa em bastante coisa, muitos projetos… São várias possibilidades, mas, a gente pensa em espalhar nosso trabalho o máximo possível. Queremos realmente levar nosso show para todos os lugares possíveis. O que a gente tem feito, o que a gente tem falado, acho que é uma coisa muito ‘coração’…  Acho que a coisa que a gente mais tenta, é ser uma banda que tenha um objetivo, fazer com que as pessoas que ouçam se sintam felizes durante a escuta. Tentamos trazer as pessoas para o nosso universo, por isso tem o nome ‘Faça crescer todas as flores’ é uma coisa que envolve né? Mais do que uma banda, queremos que seja uma mensagem, que as pessoas fiquem felizes em ver, em estar no show…