Por Bruno Leonel

Foi uma coincidência feliz, a gente ter conectado uma galera da comunicação aqui… tenho uma relação antiga já com a cidade, foi aqui que iniciei minha carreira com a assessoria de imprensa de festivais – contou à reportagem do RubroSom o jornalista Gabriel Pansardi Ruiz, integrante do Mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) que esteve em Londrina durante essa semana participando de eventos junto à estudantes e membros de outros coletivos. Como uma proposta de contrapor o que chamam de ‘mídia antiga’, o  NINJA nasceu como uma alternativa ao convencional em 2013. Cresceu em momentos de choque político – Como os protestos de 2013 e a crise hídrica em São Paulo, iniciada em 2014 e segue desenvolvendo atividades através de coletivos espalhados por várias cidades do país.

Gabriel Ruiz contou, durante a reunião, sobre experiências da Mídia NINJA em outros locais - Foto: Bruno Leonel
Gabriel Ruiz contou, durante a reunião, sobre experiências da Mídia NINJA em outros locais – Foto: Bruno Leonel

Conhecida como a parte ‘jornalística’ ligada ao coletivo Fora de Eixo, a mídia NINJA despontou para o cenário nacional a partir de 2013, quando ganhou notoriedade graças à cobertura das manifestações em junho e passou também, a ser alvo de algumas críticas. Com a ideia de criar uma rede desmonetizada de colaboradores, a proposta do grupo é promover eventos e projetos culturais (Como já fazia o FDE) na base da parceria e da colaboração, uma vez que seus membros não recebem um ‘salário’ ou pagamento (Ao menos, da forma convencional).

Aproveitando uma eventualidade (Gabriel Ruiz tem parantes morando na região) o jornalista passou por Londrina na última semana quando foi convidado a participar de eventos na Universidade Estadual de Londrina, e também, na ocupação realizada por coletivos no prédio da antiga Ules, onde conversou com estudantes interessados em conhecer mais sobre as experiências da mídia e, eventualmente, montar um núcleo na cidade…  Após a reunião, Gabriel conversou com o RubroSom onde explicou que há um interessa da mídia NINJA em buscar maior atuação em cidades do interior (Uma vez que vários membros hoje nasceram em cidades do interior) assim como atuais projetos do coletivo. Confira a entrevista:

Durante a reunião você comentou sobre o ‘FDE’ estar buscando atuar mais em cidades do interior… Porque isso?
A gente vem do interior né? O FDE nasce no interior (Em Cuiabá, Rio Branco, Uberlândia e Londrina) nossa raiz vem dai… depois que a gente começa a fazer um trabalho que atinge um pouco mais as capitais. O que nós queremos é retomar isso com mais força, organizar mais isso, ter mais contato com outras cidades, não apenas pelo mídia ninja mas pelos festivais, pelas articulações de campanhas jovens, articulações dos movimentos, das bandas e movimentos…

Houve criminalização dos movimentos culturais, cita membro do NINJA
Gabriel Ruiz (Mídia NINJA) conversa com estudantes e jornalistas durante encontro na última quarta (03) – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Falando um pouco do momento político que a gente passa… Você acha que nessas épocas de crise é importante contar com alternativas e canais de mídia independente?
Sim, tem acontecido várias experiências nesse ramo… tanto na questão mídia livrista, como, nas juventudes que estão se organizando para ir atrás de seus direitos e também defender causas ligadas à minorias, preconceito e gêneros… Cada vez mais tem ocorrido experiências disso no Brasil todo, os coletivos não são exceção… No interior, tem as vezes coletivos especializado em contra narrativas, monopólio de informação e questões ligadas a política, grupos que dominam determinados setores da sociedade…

Houve um momento muito emblemático da história do coletivo, em Junho/2013, com as grandes manifestações acontecendo em todo o Brasil… Teve aquela entrevista emblemática no Roda Viva (Tv Cultura – com Pablo Capilé e Bruno Torturra), a partir disso muita gente que não conhecia passou a criticar tanto o coletivo como também a mídia ninja (Tanto pelas práticas, como também, pela forma de utilizar recursos)… Essas críticas você acha que partiram mais de setores conservadores, ou de pessoas que diretamente criticam a ação do grupo?
Foi um momento interessante porque houve gente da esquerda e da direita criticando… Veio de todos os lados, “O que está acontecendo?”, nós pensamos… A partir do momento em que vimos pessoas como Diogo Mainardi (Que representa e extrema direita) fazendo críticas a gente, bem, é sinal que estávamos fazendo algo certo. Mas acho que ali foi um momento com diversas coisas. Não éramos conhecidos, logo, isso abriu brecha para muitas pessoas falarem, abriu espaço para chamarem de ‘seita’, falaram que o coletivo é ‘machista’ e muitas críticas em vários locais… Isso tudo foi desmistificado, essas críticas não procederam, caso fosse tudo verdade a organização teria acabado naquele momento, logo em seguida… E o crescimento do Ninja e do coletivo só mostrou que aquilo não foi um grande linchamento público na internet. Vale destacar também que houve uma criminalização dos movimentos culturais, uma vez que nós ganhamos bastante visibilidade por termos alcançado a mídia, acho que foi o estopim né? Muita gente usava recursos públicos, e que é um direito de todo mundo, que é de direito de todo cidadão e isso passou a ser criminalizado como se fosse uma coisa proibida… E como o coletivo era criticado (E o NINJA era um veículo que todo mundo gostava) não dava para bater na mídia ninja, então bateram no coletivo mesmo, isso nós entendemos um tempo depois…

Mas não somos prepotentes, havia críticas importantes que serviram pra gente melhorar, pontos construtivos… Houve pontos que foram usados como forma de sobrevivência. Hoje, três anos depois é o que podemos avaliar.

E os próximos projetos aqui em Londrina, a ideia é realizar outras reuniões por aqui?
Isso… Não somos nós quem vamos organizar, a gente vem aqui para trocar informações, sugerir que isso aconteça. A gente vem e propõem que algo seja organizado por aqui. O pessoal que veio colaborar tem totalmente nosso apoio, abertura para discutir pautas que são locais… E que seja um núcleo que crie mesmo, se organize, que seja um espaço de resistência, fatos que a ‘velha mídia’ não cobre com tanta repercussão. Nossa ideia é fomentar Londrina e outras cidades da região para que possam surgir outros coletivos.