Por Bruno Leonel

Em meio ao tempo fechado, à escassez de recursos e várias adversidades, começou na última segunda-feira (13)a 13ª edição do Festival Literário de Londrina (Londrix). A programação teve início no Museu Histórico, e depois, seguiu para a Vila Cultural Cemitério de Automóveis para prestigiar o evento “Poesia In Concert: Letra e Voz na Cena Cultural Londrinense”. A programação contou com artistas de grupos como Augusto Silva, Benditos Energúmenos, Orifício dos Deuses, Saco de Ratos Blues e outros grupos. O evento estava marcado para ocorrer na Concha Acústica, mas, o tempo instável fez com que a organização precisasse remanejar os shows para a Vila Cultural.

Mário Bortolotto (De cinza) e Augusto Silva (De chapéu marrom), junto de amigos participam de 'conversa' no Museu Histórico de Londrina - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Da esquerda para a direita; O artista Edu Tadeu, o escritor Augusto Silva (De chapéu marrom), Mario Bortolotto (De camiseta cinza) e  Marcelo durante a ‘conversa’ no Museu Histórico de Londrina – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

No museu, a ideia era que os escritores conversassem sobre algumas histórias das manifestações artísticas em Londrina, sobretudo nas décadas de 80 e 90. O escritor e dramaturgo Mario Bortolotto (Um dos fundadores do grupo ‘Cemitério de Automóveis’ em 1982) e o escritor Augusto Silva (Autor de obras como ‘Os 5 Tiros de Canhão do Abilolado Capitão’) estiveram presentes e relembraram algumas histórias de Londrina dos anos 80 e 90. “Conheci o Mario em 1987, em um festival em Maringá… Aqui em Londrina, o pessoal de Umuarama, o Marcelo Galvão, Duda Victor tinham a banda Farenheit 451, sempre encontrava esse pessoal nos eventos daqui, o Mario já tocava e foi todo mundo se juntando. Isso foi o começo da aproximação do pessoal do teatro, das letras e da música”, contou o autor Augusto Silva em entrevista ao Rubrosom. “De espaços mesmo havia bastantes lugares, tinha o Zerão, a Concha Acústica, bares como o Potiguá, havia shows como Cherry Bomb (Já nos anos 90)”, pontuou Augusto.

Rodrigo Garcia Lopes e Eduardo Batistella se apresentam durante abertura do Londrix 2017 - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Rodrigo Garcia Lopes e Eduardo Batistella se apresentam durante abertura do Londrix 2017 – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

“Na época não tinha espaço nenhum, tinha o Ouro Verde mas, que era muito difícil usar pra apresentar peças de teatro, só grupos maiores de fora usavam, nós conseguíamos horários como no domingo de manhã, só pra ter uma ideia… Em meados de 80, quando o teatro Zaqueu de Melo surgiu deu um pouco de gás pra trabalhar, antigamente só grupos grandes como Proteu e Delta podiam trabalhar, eles tinham acesso ao Ouro Verde”, contou Mário Bortolotto. “Londrina nos anos 80 não tinha ainda essa lei idiota do ‘silêncio’, essa coisa moralista pra caramba, sempre tinha muito bar aberto, sempre tinha gente tocando…. E, tinha também um movimento muito forte, gente que escrevia poesia, o Nelson Sato, Maurício Mendonça, Rodrigo Garcia Lopes, os caras todos publicavam em zines, materiais xerocados, o pessoal vendia em bar. Cheguei a fazer um livro chamado ‘heavy madruga’ e vendíamos nos bares… “, contou o dramaturgo. ““Em 1990 chegou a ter uma jam poética no Bar Valentino, com traduções de poetas beatniks, além de poesias daqui, tinham vários autores de Londrina como o Nelson Capucho, várias pessoas que estão até hoje produzindo, era o ‘Palavra Cantada, Palavra Voando’… Lotava o Valentino de ficar lotado, de ter gente na janela… Nunca vi tanta gente comparecendo em evento de poesia”, contou o autor Augusto Silva.

Saco de Ratos Blues durante apresentação na abertura do Londrix 2017 - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Saco de Ratos Blues durante apresentação na abertura do Londrix 2017 – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Cemitério de Automóveis – Por volta das 18h30 o som iniciou na Vila Cultural Cemitério de Automóveis. Com uma sequência de atrações emblemáticas (Augusto Silva, Benditos Energúmenos, Fábio Mungo & convidados, Maurício e Hermano, Rodrigo Garcia Lopes e Eduardo Batistella, Orifício dos Deuses e Saco de Ratos Blues), o espaço reuniu shows dedicados à gêneros como o blues, rock e até vertentes influenciadas pela música brasileira. Se no Museu, as chuvas afastaram o público que relutou em comparecer, o mesmo não ocorreu na Vila Cultural (Ainda bem); Até ás 21, horário em que a banda ‘Saco de Ratos Blues’ se apresentava, um número considerável de pessoas já ocupava o local. O tempo chuvoso, que afastou a maior parte do público no cemitério, não interferiu na presença do pessoal no ‘Cemitério’ que compareceu e prestigiou as atrações. Diversos escritores da cidade como Edra Moraes, Samantha Abreu e outros marcaram presença no evento.

Mesmo com todos os desafios – Neste ano o Festival não conta com o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC) – o Londrix segue resistindo com sua edição de 2017, o que de certa forma, reforça a importância do evento para a cidade, e ainda, para uma cena literária da cidade, em constante mudança, e que periodicamente revela novos escritores e artistas em um meio cada vez mais plural.


Londrix – A programação continua nesta terça, com contação de histórias no Museu Histórico, e ainda bate-papo com os escritores Felipe Pauluk e Reinaldo Moraes. A programação segue até o dia 18. Atualmente uma campanha de Financiamento Coletivo, para arrecadar recursos para o Festival está em andamento. A campanha segue até o mês de abril.


Festival Literário de Londrina
De 13 a 18 de Fevereiro
Programação: 
http://www.londrixfestivalliterario.com.br/