Por Bruno Leonel

Música, teatro, poesia, fotografia e até momento de ‘Contação’ de histórias (Realizado por Edna Aguiar)… Teve um pouco disso tudo durante o Sarau ‘Aqui é Vista Bela’ realizado durante a tarde do último domingo (12) na Rua Oribe Frigerii, no Vista Bela 2 (Região Norte de Londrina). Mesmo com um frio que castigava pessoas na rua (As temperaturas mínimas chegaram à casa dos 10º C, dependendo da região), um número considerável de pessoas compareceu ao evento que misturou sons, e também, diferentes tipos de arte. O Sarau contou com a participação do Dj Frá, do grupo Ataque Lírico, do Cassiano (Família IML) além do grupo ‘Azmina’ (Coletivo de rap formado inteiramente por mulheres). Ressaltando a pluralidade do evento, também participou do Sarau o grupo Teatro de Garagem.

O evento teve início por volta das 15h e foi até cerca de 19h - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
O evento teve início por volta das 15h e foi até cerca de 19h – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Desde às 15h, pessoas se reuniram próximo a um palco montado no meio da rua, onde voltaram atenção para as diversas atrações. Seja caminhando pelo local, ou mesmo, observando de longe, pelas janelas de um prédio próximo ao Sarau, vários moradores e curiosos pararam para observar o evento.

Eles cantam coisas da realidade, da favela, da periferia”, relatou à reportagem André Antônio Custódio, morador do bairro Vista Bela já há cinco anos - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
“Eles cantam coisas da realidade, da favela, da periferia”, relatou à reportagem André Antônio Custódio, morador do bairro Vista Bela já há cinco anos e que prestigiou o evento no domingo. – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

A pequena multidão  que se aglomerava junto ao palco, em alguns momentos, até sugeria a ideia de uma ‘ocupação’ da rua, em uma notável demonstração de espaço público sendo preenchido através de artes e música. “Sempre acompanho os eventos, o pessoal que se apresenta por aqui manda muito bem. Quando tem algo, convoco todos os amigos, os vizinhos e compareço. Gente que nem é do bairro comparece…. Acompanhamos sempre para contribuir também com o evento. Eles cantam coisas da realidade, da favela, da periferia”, relatou à reportagem André Antônio Custódio, morador do bairro Vista Bela já há cinco anos.

Pessoas de várias idades prestigiaram o evento - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Pessoas de várias idades prestigiaram o evento – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Em um momento bastante emotivo, e envolvente, o coletivo de rap “Azmina” cantou a música ‘A cidade Sangra’, e relembrou o ‘Massacre’ do dia 29 de janeiro deste ano, ocorrido na região Londrina, no qual, cerca de 20 jovens foram brutalmente assassinados, em diversos bairros periféricos. Os crimes teriam relação com a morte de um policial – Além das mortes, pelo menos 16 pessoas foram baleadas no mesmo período. “29 de janeiro foi dia de sangue na periferia”, clamou uma das cantoras durante a apresentação. “A gente criou a banda porque acreditamos que através da arte, da cultura da música a gente pode chegar a uma sociedade em que a gente acredita, onde a mulher, o negro a mulher, o homossexual não é discriminado, onde não há mortes apenas por morar na periferia… Com a música acreditamos em poder empoderar as mulheres, os negros, as pessoas da periferia para construir algo bom”, contou Danielle Barbosa Daniel, uma das integrantes do coletivo que também é estudante de Ciências Sociais.

Danielle Barbosa (Ao centro, de boné) com o coletivo 'Azmina', temáticas críticas cantadas através do rap - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Danielle Barbosa (Ao centro, de boné) com o coletivo ‘Azmina’, temáticas críticas cantadas através do rap – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Segundo ela, a oportunidade de poder tocar em espaços públicos e sobretudo na periferia, é uma forma de conscientizar e propagar sua mensagem. “Todo 29 é dia de violência, 29 de janeiro, de fevereiro, de março… 29 de abril (de 2015) mesmo, em Curitiba, teve a manifestação de professores e estudantes, e que também resultou em violência. A manifestação havia sido a favor da educação e ainda assim teve isso, a violência está em todas as esferas. Tem violência, mas também tem resistência” comentou o estudante de Biblioteconomia, Lucas Bernardes, morador do Conjunto Farid Libos (Região Norte), e que, pela primeira vez acompanhou um evento no Vista Bela.

Este foi pelo menos o terceiro grande evento realizado no Vista Bela durante este ano de 2016; “Nosso evento tem também o lado do protesto, de lembrar das pessoas que sofrem no cotidiano, e também, de ajudar à comunidade… Estamos aí para isso mesmo, para levar um pouco mais de alegria e agregar conhecimento às pessoas do bairro”, relatou o educador Leandro Palmeirah, idealizador do Sarau (Leandro também é criador do projeto Mh2 Música e Hip Hop, que leva educação musical à crianças do Vista Bela – Tanto o projeto como também o Sarau contam com o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura – PROMIC).