Por Bruno Leonel

Inaugurado no ano de 1950 e encerrado após 62 anos de atividade (Em 2015) o jornal londrinense Paraná Shimbun é lembrado, dentre outras coisas, pelo enfoque peculiar das notícias, pela importância em informar membros da Colônia Nipônica baseados em Londrina.  Toda a história do jornal (O qual nem mesmo o site existe mais), assim como, algumas das figuras que fizeram parte de sua trajetória podem ser conferidos no livro “Sayonara Paraná Shimbun” (Editora Kan) de autoria da jornalista Marivone Ramos. O volume será lançado nesta quinta-feira (10) no Museu Histórico de Londrina. A publicação tem patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

"Tudo o que era feito, era voltado à colônia japonesa. Muitas vezes tínhamos que buscar agulhas no palheiro" (Para arrumar temas e assuntos), contou a autora Marivone Ramos - Foto: Divulgação
“Tudo o que era feito, era voltado à colônia japonesa. Muitas vezes tínhamos que buscar agulhas no palheiro” (Para arrumar temas e assuntos), contou a autora Marivone Ramos – Foto: Divulgação

Feito a partir de uma pesquisa que a jornalista iniciou em 2005, a ideia do livro veio após a experiência da profissional como repórter e editora do jornal, durante anos e decidiu deixar sua contribuição para a cultura japonesa em Londrina. Para tanto, em seu livro, ela traz entrevistas com os pioneiros da redação, colaboradores do jornal e colegas da redação. “Muitos dos pioneiros e pessoas que entrevistei, já faleceram de 2005 para cá” conta a autora, há inclusive depoimentos exclusivos do livro “Um  dos entrevistados por exemplo trabalhou 35 anos por lá, o trabalho era muito diferente de um jornal diário, fiquei muito encantada com a cultura japonesa conforme ia aprendendo”, conta Marivone.
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De acordo com Marivone, foram feitas dez entrevistas para a pesquisa que resultou no livro. A última edição do Paraná Shimbun, foi a de número 1904 – Correspondente  à semana de 15 a 21 setembro de 2012, “O jornal se despediu com um até logo” relembra Marivone, ele tinha uma tiragem próxima de 5 mil exemplares.”O que meus entrevistados diziam é que, todos os dias morriam leitores, não havia sentido em fazermos um jornal bilíngue (A publicação possuía textos em português e japonês). O motivo econômico teve um peso nisso também – Falavam que só as pessoas mais velhas liam, e os filhos pagavam” relembra a Autora.

Segundo ela, algumas descobertas interessantes, sobre a colônia japonesa em Londrina, foram feitas durante a pesquisa para o livro. “Existiu um outro jornal japonês que circulou durante cerca de 15 anos, na década de 80 (Há um exemplar no museu – Não foram encontrados outros), acho que a pesquisa mostrou também o desenvolvimento da cidade, na visão da colônia, assim como a contribuição do grupo para Londrina” contou a autora durante entrevista ao Rubrosom. Segundo a autora, o livro é uma forma de agradecimento à colônia japonesa, que sempre lhe foi solícita, além de ser uma maneira da jornalista deixar sua colaboração à cultura japonesa. “Há poucos estudos sobre ele e suas particulares. Por isso, decidi registrar a história do jornal e de seus pioneiros e jornalistas”, disse. Ao todo, o Promic patrocinou a publicação de mil exemplares, desses, 800 serão doados para as escolas estaduais e municipais e para as faculdades de comunicação. O  livro de Marivone Ramos é fruto de seu Trabalho de Conclusão de Curso em Comunicação Social – Jornalismo, apresentado em 2005.


SERVIÇO
Lançamento do livro: Sayonara Paraná Shimbun
Onde: Museu Histórico de Londrina (Rua Benjamin Constant, 900, Centro)
Quando: Quinta-feira (10/11) às 19h30
Entrada Gratuita