Por Bruno Leonel

E teve lançamento de livro na última sexta-feira (15) em Londrina durante o evento Carnasarau 4;  Movimentando o circuito literário da região, o evento é notório dentro da programação cultural da cidade, por trazer em todas as edições o lançamento de obras de autores novos, e também de veteranos.  O volume intitulado”Começa aqui a morada do fogo” é o terceiro trabalho do escritor londrinense Vinícius Lima. O livro e o evento são realizações da Editora Madrepérola de Londrina.

Leitura - escritor Vinícius Lima lança livro nessa sexta
“Meu processo criativo não difere muito do que deveria ser todo processo de qualquer criação artística. Sempre há uma espontaneidade inicial dominada pela intuição e que depois é lapidada por um longo e duradouro processo de reescrita…”, contou o autor à reportagem do RubroSom – Foto: Divulgação

Lima já lançou de forma independente os volumes Herbarium (2013) e Planta de Pé (2014), pela Editora Liro de Porto Alegre. Segundo o próprio, o livro lançado nessa sexta é uma “recuperação das experiências poéticas” às quais se submeteu anteriormente entre 2005 e 2010. Há material registrado ali que pertence à diferentes fases da sua produção (Tanto em relação ás temáticas como também às referências).

Confira uma breve entrevista com o autor sobre o trabalho:


O “Começa aqui a morada do fogo” compila momentos diferentes de sua escrita em um só volume… (Que passaram tanto por referências como estilos diferentes)  você acha que alguns leitores podem ‘passar batido’ por essas peculiaridades de cada ‘plaquete’ ??

Eu puliquei em 2013 e 2014 os livros Herbarium e Planta de Pé, respectivamente. Estes livros foram editados de forma independente e impressos pela Editora Liro de Porto Alegre. Já o “Começa aqui a morada do fogo” é uma recuperação das experiências poéticas que me submeti anteriormente entre os anos de 2005 e 2010 e que desaguaram nas publicações mais recentes.

Com relação à percepção dos leitores, não posso dizer muito pois a construção da leitura é individual. Mas o que posso adiantar como leitor que sou é que a obra, mesmo sendo uma compilação de três “plaquetes” diferentes, possui uma unidade conceitual que passa pela valorização da noite e do fogo como moradas iniciais de todas as experiências humanas e não-humanas.

Como é seu processo criativo, é mais espontâneo ou você é um escritor que refaz os textos muitas vezes até achar bom?

Meu processo criativo não difere muito do que deveria ser todo processo de qualquer criação artística. Sempre há uma espontaneidade inicial dominada pela intuição e que depois é lapidada por um longo e duradouro processo de reescrita e reelaboração do material bruto e primevo.

Falando como o Vinícius de 2016, dentre toda sua fase independente, qual é hoje o trabalho que ainda tem um maior significado para você?

Gostei bastante do que desenvolvi em Herbarium (2013) por fazer uma síntese do meu imaginário e minha relação ética com o mundo. Estão ali minhas experiências com a agricultura natural, a magia e o anarquismo (tripé que norteia meus passos).

Eu vi algo sobre suas referências serem bem variadas (Lautreamont e Herberto Helder, jodorowsky) você diria que tem algo em comum entre todas essas influências que os leitores também podem encontrar  nos seus textos?

As influências podem ser notadas ora de forma explícita (quando cito diretamente estes autores), ora implícito na minha visão de mundo que acabaram sendo contaminadas pelas leituras e pelas traduções que fiz. Mas adianto que tudo que me rodeia me influencia e está presente nos meus textos (incluindo esta entrevista). Toda produção artística é uma experiência inter relacional entre o “eu” e o “outro” (e aqui o outro se expande ao infinito).

Você também escreve ensaios, além de ter feito traduções; Nicanor Parra (A Batalha Campal & Outros Poemas), Leopoldo María Panero (Dionysos)… Você diria que essas outras fases do seu trabalho influenciam na sua literatura? De que forma isso ocorre para você?

As traduções são muito importantes pois a tradução é uma universidade de escrita. Eu sempre costumo dizer: “não façam cursos de escrita criativa. leiam e traduzam que vocês economizarão um dinheirão). Minha vida acadêmica também é importante na minha formação de poeta. O fato de ter desenvolvido um doutorado e agora um pós-doutorado em letras me dá inúmeros subsídios para serem aplicados nos meus textos. A escrita é mais consciente.

Poderia citar pra gente dois livros que, pessoalmente, significaram muito para você em toda a sua carreira? (Livros de outros autores que você goste muito no caso)

Tem duas obras que marcaram minha vida: O Corpo, O Luxo, A Obra, do poeta português Herberto Helder. Este livro mudou minha forma de enxergar a literatura e a forma de caminhar pelo mundo. O outro livro foi As Plantas e Sua Magia, do francês Jacques Brosse, por ter me introduzido ao universo das plantas, de onde não quero jamais sair.

Sobre o autor – Vinícius Lima é jornalista, ensaísta, tradutor e poeta, além de andarilho, praticante de agroecologia, amante de gatos, árvores e silêncios. Publicou de forma independente e artesanal as plaquetes Fluxo Voz (2007), Visão Túnel (2008) e Nigredo (2009), além dos livros Herbarium (2013) e Planta de Pé (2014). Traduziu Nicanor Parra (A Batalha Campal & Outros Poemas), Leopoldo María Panero (Dionysos), Alejandro Jodorowsky (No Basta Decir) e Marosa di Giorgio (La Guerra de los Huertos). Vive em Londrina.