Por Bruno Leonel

O prefeito de Londrina Alexandre Kireeff (PSD) visitou durante a noite da última segunda (27) a sede da ULES (União Londrinense dos Estudantes Secundaristas), que foi ocupada pelo Movimento dos Artistas de Rua de Londrina (MARL). As vereadoras Elza Correia (PMDB) e Lenir de Assis (PT) também foram ao local. Entre as principais pautas, a ocupação visa transformar o local em um espaço cultural permanente, com atividades e apresentações dedicadas à toda a comunidade como ocorre em outras Vilas Culturais. O prédio encontra-se inativo há quase 10 anos. Durante a noite da última segunda-feira um sarau ocorreu no local.

Imagem divulgada pelo M.A.R.L da visita do prefeito Alexandre Kireef na noite de ontem - Foto: Divulgação M.A.R.L
Imagem divulgada pelo M.A.R.L da visita do prefeito Alexandre Kireef na noite de ontem – Foto: Divulgação M.A.R.L

As visitas foram anunciadas na página do próprio movimento, no facebook. Segundo o relato do movimento, Kireeff se propôs a “estudar a possibilidade de cessão do espaço para os movimentos” ou “estudar alguma alternativa”. No mesmo texto, o MARL afirma que o prefeito “reconhece a importância pública do local e disse que fará esforços para evitar o uso das violência e da repressão para desocupar”.

Nesta terça, atividades continuam a ser realizadas no local. Às 19:30h haverá um ensaio aberto com o Macatu Semente de Angola e mais tarde, às 21h, haverá uma assembleia diária com membros dos coletivos participantes.

A ocupação

A ocupação ocorreu após a realização de um cortejo, iniciado às 9h30 próximo à Concha Acústica de Londrina. “Esse planejamento da ocupação acontece já há alguns anos. Desde 2012, quando iniciamos o M.A.R.L, essa era uma das demandas; A ocupação desses espaços públicos, em desuso, para que pudéssemos revitalizá-los e realizar atividades. Em 2014 teve o encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua (Em Londrina) onde compareceram vários artistas, de todo o Brasil, que divulgaram experiências anteriores de ocupação. Houve um contato com a Secretaria de Cultura, onde fizemos uma carta informando sobre a necessidade desse movimento… Desde então estamos nos organizando para que isso acontecesse”, contou à reportagem do RubroSom o ator Rogério Francisco Costa, integrante do Núcleo Às de Paus, e um dos articuladores do movimento.

Durante a tarde da segunda-feira, artistas e pessoas ligadas à ocupação se preparavam para pintar a fachada do local - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Durante a tarde da segunda-feira, artistas e pessoas ligadas à ocupação se preparavam para pintar a fachada do local – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

De acordo com Danilo Lagoeiro, articulador do M.A.R.L  representantes da Secretaria de Gestão Pública estiveram no local, nessa segunda-feira, e informaram sobre a existência de um projeto prévio, da Guarda Municipal de Londrina, para transformar o local em uma central de monitoramento. A informação foi confirmada ao RubroSom pelo Secretário de Gestão Pública de Londrina, Rogério Carlos Dias. “Em 2014 a Guarda Municipal solicitou o local para construção de um novo espaço sim, seria construído ali uma central de monitoramento. A obra seria feita logo que houvessem recursos disponíveis, assim como o projeto pronto para realização… Isso não foi publicado, desde então, porque não houve necessidade. Trata-se de um ato interno da administração pública. Quando o local foi disponibilizado, a Guarda Municipal foi a única ‘Secretaria’ que manifestou interesse pelo local”, enfatizou o Secretário.

Sobre o caso, o RubroSom entrou em contato com o Secretário de Defesa Social, Coronel Rubens Guimarães de Souza. A pasta atualmente é a responsável pelo local. “Não há ainda uma previsão para construção da central de monitoramento no local. Estamos finalizando ainda um projeto ao Prefeito… Temos também uma urgência nisso devido a uma reforma que acontecerá em breve na Caapsmel (Onde fica atualmente o monitoramento). Após essa ocupação, registramos já um boletim de ocorrência, sobre a ocupação de prédio público, e o mesmo posteriormente será encaminhado para a procuradoria jurídica do município. A ideia é entrar com um pedido de reintegração de posse do prédio”, explicou Guimarães.