Por Bruno Leonel

Após mais de 60 horas de trabalho, o Senado Federal decidiu na última quarta (31), por 61 votos a 20, condenar Dilma Rousseff pelo crime de responsabilidade e retirar seu mandato de presidente da República. Seus direitos políticos foram mantidos após uma segunda votação. O afastamento ocorreu mais de dois anos antes do fim de seu segundo mandato. Ex-ministra do governo Lula e presa política durante a ditadura militar, Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte.

Brasília - A presidenta afastada, Dilma Rousseff, faz sua defesa durante sessãoo de julgamento do impeachment no Senado - Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil (29/08/2016)
Brasília – A presidenta afastada, Dilma Rousseff, faz sua defesa durante sessãoo de julgamento do impeachment no Senado – Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil (29/08/2016)

O evento repercutiu na imprensa internacional em veículos de centenas de países no mundo todo. Quem assumiu o cargo foi Michel Temer (PMDB), que até então, já estava empossado como Presidente interino. O episódio foi alvo também de críticas por parte de diversos setores que questionavam os métodos e critérios usados para concluir o processo, uma vez, que vários dos membros da comissão do impeachment também eram investigados por crimes fiscais e denúncias envolvendo desvio de recursos. Após o fim do mandato, em uma segunda votação, foram mantidos os direitos políticos da ex-Presidente. O episódio repercutiu também entre coletivos artísticos e produtores culturais da cidade. O Rubrosom conversou com alguns representantes de grupos artísticos, e pessoas ligadas á cultura, para saber mais sobre a repercussão do fato.

Maracatu Semente de Angola – A grande maioria do coletivo tem um posicionamento contrário ao impeachment. Participamos recentemente de um ato em Londrina (Ocorrido no dia 01/09) e tudo indica que as medidas que o governo irá implantar irão contra que houveram nos últimos anos. Iremos tentar participar da luta, para que não haja mudanças em relação a cultura e ao trabalho. Por mais que sejamos de um grupo cultural, acreditamos que podemos nos posicionar politicamente e usar isso como instrumento de mudança”, contou Thais Hamer (Integrante do coletivo já há quatro anos) à nossa reportagem.

Leandro Palmeirah (Mh2 Música e Hip-Hop) – Este governo que entrou agora não me representa. Não temos como saber ainda o que pode ocorrer. O início já foi de forma negativa. Não é possível confiar em um governo que tirou uma presidente, mas que, não puniu outros políticos ligados a questões piores. Desde o começo desse processo, fizeram a mudanças no ministério da cultura, que foi um retrocesso! Da forma como se deu esse impeachment foi anti democrático, não respeitaram a voz do povo, foi quase como uma eleição perdida. Daqui pra frente acho que irá piorar. Já era difícil para a periferia, para o artista de rua… E agora é complicado imaginar algo positivo disso.

Para Leandro Palmeirah, do projeto MH2, o cenário oferece uma perspectiva negativa - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Para Leandro Palmeirah, do projeto MH2, o cenário oferece uma perspectiva negativa – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Teatro Kaos: “A situação é muito complexa. Tudo isso é um jogo político muito bem pensado por todos eles, não é uma questão inocente… Desde o primeiro dia todo mundo já sabia se (Dilma) iria sair ou não. No meu ponto de vista, parece que o começo do impeachment não parecia uma decisão correta. Houve também Essa manobra de votar separada (A questão dos direitos políticos), já estava sendo discutida antes. É uma diferença grande ter a votação separada, perder o cargo e não perder o direito de disputar outras eleições, abre muitos precedentes… Certamente há pessoas que podem se beneficiar disso no futuro, Eduardo Cunha mesmo pode ser caçado e não perder os direitos políticos… Quando você vê senadores chamando o outro de ladrão, mas que também estão sendo processados, é uma situação muito estranha mesmo…’, contou Edward Fão , coordenador do Teatro Kaos de Londrina.

Núcleo Às de Paus: “O que eu vejo é mesmo a situação de um golpe parlamentar, agora isso agora começa a se desenrolar efetivamente. É muito triste, estamos há tempos batalhando pela conquista dos direitos que a constituição nos proporciona e, com isso, nós artistas nos sentimos usurpados. Nós que trabalhamos com cultura estamos também ligados, de certa forma, à luta pelos direitos movimento negro, do movimento de artistas, trabalhadores, da comunidade LGBT, todos que trabalham e ajudam a construir o país. As pessoas em geral não estão conscientes desta situação, muita gente acha que (Com o Impeachment) está tudo resolvido. Em um momento no qual podíamos nos mobilizar para evitar situações piores, não se evitou, deixou-se levar pelo que a imprensa colocou como verdade da coisa. isso é trise. Mas, mesmo assim, não deixaremos de protestar. A luta deve continuar, precisamos buscar eleições diretas, o povo deve escolher os governantes. E não este parlamento, que ja é corrompido…”, contou á reportagem o ator Rogério Costa, integrante do Núcleo Às de Paus.

Núcleo Ás de Paus durante apresentação da peça 'Donantônia' - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Núcleo Ás de Paus durante apresentação da peça ‘Donantônia’ (Rogério é o primeiro da direita)- Foto: Bruno Leonel/RubroSom