Por Bruno Leonel

Voz marcante, carisma e interpretação poderosa são algumas das características associadas á figura da cantora Carmem Miranda (Nome artístico de Maria do Carmo Miranda da Cunha), personagem icônico para o rádio e para a música brasileira nas décadas de 40 e 50. A interprete, falecida no ano de 1955, será homenageada nesta quarta-feira (13) pela banda Celebrate Jazz Combo, no Bar Valentino. O show “O que é que a Baiana tem?”, faz parte da programação do Festival by Night, que tem o patrocínio da Vivo por meio da plataforma Vivo Transforma, criada para promover a democratização do acesso à cultura em iniciativas voltadas essencialmente à música.

Grupo realiza tributo a Carmem Miranda nesta quarta
Longo processo de pesquisa e estudo marcou a montagem do show “O que é que a Baiana tem?” feito pelo Celebrate Jazz Combo – Foto: Divulgação.

As célebres canções e os grandes sucessos que animaram as décadas de 1930, 40 e 50 na voz de Carmen Miranda, poderão ser relembradas através da apresentação do grupo (Formado por músicos de várias cidades do Paraná) e pela interpretação da cantora Keidma Juliana quem irá incorporar a emblemática figura de Carmem Miranda.

De acordo com a interprete, o preparo todo para esse espetáculo teve início em janeiro desse ano após um projeto de intensa pesquisa e planejamento. Um apoio da Secretaria de Cultura de Maringá (Onde é baseado parte do grupo) viabilizou a realização do projeto.”Eu sempre quis cantar Carmem Miranda, ela é uma personagem que me fascina pela forma peculiar de como ela traduziu a arte na época dela. Foi a frente do tempo, das mulheres daquela época, representou o Brasil fora e cantava de um jeito incrível, brincava com a voz, era muito cômica nas interpretações. Isso não vinha só com as roupas, isso vinha nos áudios mesmo. Era um talento incrível, com uma voz super potente. A capacidade vocal dela me fascinou em primeiro lugar, depois, vi a personagem que ela se tornou e achei incrível – quero cantar isso!” contou Keidma, que também estuda bacharelado em canto (UEM) à reportagem do RubroSom.

A montagem – Segundo a cantora, a ideia (De interpretar Carmem Miranda) surgiu à cerca de quatro anos, e de lá pra cá, alguns eventos somaram ao conjunto. “Em 2015 tive um ensaio de Carmem Miranda junto ao pessoal de um circo no qual trabalho em Campo Mourão – (No Espaço ‘Sou Arte) Onde fazemos homenagens a mulheres diversas (Importantes para a história) – E deu certo porque a companhia incluiu ela na programação… Acharam legal porque além de uma figura importante, não foi alguém que teve uma história trágica também. Fizemos uma performance com um medley de canções dela. Alguns artistas circenses faziam a performance comigo – tinha dança, e tudo mais. A partir disso pensei em fazer um espetáculo só dela”, relembra a cantora.

O processo para a preparação do espetáculo foi bastante elaborado. Segundo Keidma Juliana houve um rico processo de busca de referências e informações para compor a ‘persona’ de Carmem Miranda na tributo: “Houve uma intensa pesquisa para realizar o filme: A pesquisa não foi tanto em livros, mas bastante ‘midiográfica’, através de filmes da época, o site dela que tem um conteúdo bacana… As biografias são meio difíceis de achar, recentemente eu descobri que uma pessoa da minha cidade (Apucarana) é muito fã e tem tudo, embora guarde a sete chaves… Ainda quero ter essa conversa com ele, pra ter acesso ao material. O essencial que eu precisava eu obtive, estudar o gestual dela, estudei muito, é praticamente como ser outra pessoa em palco (Risos)… O fato dos gestos com a mão é muito dela. Tive aulas de dança, de interpretação… Assisti muito, muito os vídeos, teve estudo de figurinos, maquiagem, me ative muito a ela em cena. Assim eu conheci mesmo ela como uma pessoa expressiva. Ela era original, uma pessoa muito estilística…” comentou Juliana ao Rubrosom sobre o processo de preparação para a personagem.

Embora a ideia tenha sido mais antiga, apenas neste ano foi possível reunir o time de músicos que integrou o projeto. No repertório, com arranjos de Vitor Gorni e Thiago Ueda, estarão clássicos consagrados como “Tico Tico no fubá”, “O que é que a baiana tem?”, “O tic tac do meu coração”, “Me dá me dá”, “Rebola bola”, “Ai ai ai”, “Disseram que eu voltei americanizada”, “Chica chica bom”, “Cai cai”, “Bambu bambu”, “E o mundo não se acabou”, Medley (‘Touradas de Madrid’, ‘O balance balance’, ‘Mamãe eu quero’, ‘Tahí’). “Além do Ueda, que é muito focado nessa parte de harmonia, encontramos também o Vitor Gorni, que além de excelente, ajudou nessa ponte de Maringá/Londrina, por ser da região. Eu já o conheci de outros projetos, ele é uma figura bastante respeitada”, comenta Keidma.

O grupo que sobre aos palcos do Valentino hoje é integrada pelos músicos: Sax Alto: José Luiz Nogueira; Sax Tenor: Phernando Campos; Trompete: Reinaldo Resquetti; Piano: Thiago Ueda; Baixo: Gideon Machado; Bateria: Lucas Machado; Backing Vocal: Dhemy de Brito; Vocal: Keidma Juliana. Participação do Grupo de Dança Sambaadois.

Cantora – Também conhecida como “Pequena Notável”, Carmen Miranda transitou com grande desenvoltura pelo rádio, teatro de revista, televisão e cinema. Com sua voz e grande presença no palco, conquistou plateias em todo mundo até tornar-se um ícone internacional do Brasil no exterior. De forma única interpretou composições que animam os bailes de carnaval até hoje e poucos artistas retrataram a alegria do povo brasileiro como ela. O seu sucesso na indústria fonográfica lhe garantiu um lugar nos primeiros filmes sonoros lançados na década de 1930.


Serviço
Show “O que é que a Baiana tem?”
com a Banda Celebrate Jazz Combo
Quando: quarta-feira (13)
Local: Bar Valentino
Horário: 22h
Quanto: R$10,00 e R$5,00 (meia entrada)