Por Bruno Leonel

Após 17 dias de apresentações de teatro a atrações musicais chegou ao fim, no último domingo (11), a edição 2016 do Festival Internacional de Londrina A edição que marca os 48 anos do Festival reuniu um público de 23 mil pessoas, segundo estimativa da organização. O número foi inferior ao público do ano passado, considerando também que em 2016 foram menos atrações na grade do festival.

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O FILO 2016 provocou sensações e despertou reflexões sobre o momento que o País atravessa. A programação suscitou polêmicas e trouxe à cena o debate. A diversidade de linguagens possibilitou revisões de conceitos e preconceitos.  Teatro, dança, música, circo. Plateias recheadas de pessoas de todas as idades. Espetáculos consagrados e produções independentes sobre os mais variados temas, estilos e gêneros.

O ator Rudinei Morales e seu Teatro de Caixa na Concha Acústica - Foto: Celso Pacheco/Filo
O ator Rudinei Morales e seu Teatro de Caixa na Concha Acústica – Foto: Celso Pacheco/Filo

Nesta edição, o FILO programou 64 apresentações de 33 espetáculos e mais 7 atrações musicais, entre elas, um show de Eduardo Dussek na Concha Acústica (Confira entrevista com ele AQUI).  Foram 30 companhias e produções independentes, representantes dos estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. Londrina marcou a agenda com nove espetáculos e seis atrações musicais. Quatro companhias internacionais vieram da Espanha, Argentina e França. A programação ocupou 12 espaços de Londrina e chegou à cidade de Ibiporã, com duas apresentações no Cine Teatro Padre José Zanelli. Circulou por teatros e também foi a uma biblioteca, a espaços da universidade, a um centro cultural, à Concha Acústica, a um bar, a uma vila cultural, passou pela capela e acabou no auditório lotado. Para o diretor do FILO, Luiz Bertipaglia, a edição deste ano teve uma programação forte e representativa, que provocou um debate fundamental em tempos de extremismos e intolerâncias no Brasil e no mundo. “O FILO reafirma seu caráter de resistência e sua persistência em alimentar o importante papel da cultura na vida brasileira”.

Em mais um ano de orçamento reduzido, Bertipaglia ressalta que o Festival conseguiu manter a força da programação. “Trouxemos trabalhos com uma trajetória no teatro brasileiro, além de jovens artistas e companhias internacionais importantes”, comenta. “Tivemos atrações para toda a família e também espetáculos que falaram a um público marginalizado e excluído da sociedade. Tivemos polêmica e exercitamos o debate”, destaca o diretor.

O público do FILO 2016 respondeu em peso. “Registramos salas lotadas na maioria dos espetáculos e um público muito bom nas atrações ao ar livre. Também notamos uma renovação nas plateias, com público bastante diversificado, em todas as faixas etárias, reforçando a formação de novos espectadores”. O Festival também promoveu a formação e a reflexão em intercâmbios entre artistas, estudantes e produtores, que falaram sobre técnicas, estética e ética no fazer artístico.  Foram 15 atividades formativas realizadas no Centro Cultural Sesi, na Biblioteca Pública e na Universidade Estadual de Londrina – três oficinas, 10 bate-papos, palestra-espetáculo e demonstração de processo de construção de um  trabalho.

Para a coordenadora das atividades formativas, Laura Franchi, o ponto forte das atividades formativas foi a realização de ações voltadas para a máscara teatral. “Tivemos oficinas intensivas com mestres no assunto e um bate-papo que reuniu dois grandes nomes que relataram suas experiências com a máscara teatral , em atividades transmitidas ao vivo pelas redes sociais”, comenta. “É o FILO fomentando o espaço de formação do artista, em diálogo com a tradição teatral”. Enquanto finaliza a edição deste ano, a organização do FILO começa a trabalhar para 2017 e já inicia os preparativos dos 50 anos do Festival de Londrina em 2018.

Com o formato de monólogo a peça 'O Evangelho Segundo Jesus' interpretado por uma atriz transsexual foi alvo de críticas por parte de setores conservadores da cidade - Foto: Saulo Ohara
Com o formato de monólogo a peça ‘O Evangelho Segundo Jesus’ interpretado por uma atriz transsexual foi alvo de críticas por parte de setores conservadores da cidade – Foto: Saulo Ohara

O FILO é uma realização da Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná e da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Este ano,  o Festival foi viabilizado com o patrocínio da Petrobras, Governo Federal, Prefeitura de Londrina/Secretaria Municipal de Cultura/Programa Municipal de Incentivo à Cultura, UEL, Unimed e Horizon/John Deere.

(Com informações da Assessoria de Comunicação FILO)


Alguns números do FILO 2016

33 Espetáculos
64 Apresentações
15 Atividades Formativas
7 Atrações musicais
Estados (RJ, SP, PR, SC, PE, RS).
Países (Brasil, França, Argentina e Espanha)
13 Espaços ocupados
23.000 espectadores