Por Bruno Leonel

Várias ilustrações que permaneceram inéditas por quase dez anos estão em exposição nesta semana na Vila Cultural Triolé, na Zona Oeste de Londrina. O material foi feito sob encomenda pelo artista Antônio Marcos Feitosa da Silva (o Dovinho) no ano de 2006 para o que viria a ser Londrina Jazz Festival.

Antônio Marcos Feitosa da Silva e algumas das artes feitas há 10 anos para o 'Londrina Jazz Festival' - Foto: Bruno Leonel/ Rubrosom
Antônio Marcos Feitosa da Silva (Dovinho) e algumas das artes feitas há 10 anos para o ‘Londrina Jazz Festival’ – Foto: Bruno Leonel/ Rubrosom

Na época, foram feitos mais de vinte trabalhos para o festival. As peças usam abordagens variadas como mosaicos, desenhos em nanquim, esculturas de arame e até trabalhos com técnicas mistas. A ideia era que as artes fossem expostas durante o festival, o que nunca ocorreu. “Nessa época, eu trabalhava com o parente de um dos realizadores do evento. Eu sugeri fazer algumas artes para serem expostas durante o festival, e acabaram gostando da ideia. Devido a uma questão com apoiadores e a falta de dinheiro, o evento acabou não acontecendo, mas as artes (Que nunca haviam sido expostas antes) ficaram”, comenta o artista.

'O Quinteto' produzido em 2006 pelo artista 'Dovinho' para o Londrina Jazz Festival. - Foto: Bruno Leonel/ Rubrosom
‘O Quinteto’ produzido em 2006 pelo artista ‘Dovinho’ para o Londrina Jazz Festival – Foto: Bruno Leonel/ Rubrosom

O traço peculiar e a preferência por linhas curvas e texturas ora recortadas, ora até com leves traços estilizados e geométricos remetem à um cenário de cidade grande e de cores soturnas. Segundo o próprio autor o resultado traz muito da influência do Jazz, cuja audição serviu como trilha sonora para a criação das peças; “Eu colocava os discos para ouvir e ficava trabalhando…. Ouvia Miles Davis, John Coltrane, Liquid Soul (Que é mais Acid Jazz), deixava o som enquanto desenhava. Eu acho o Jazz uma música concreta, um som muito urbano, eu o associo à metrópole ao movimento. Acho que o som é todo feito em uma lógica bem racional”, comenta o ilustrador.

Formado em Educação Artística, e trabalhando no ramo já há quase 20 anos, Dovinho também cita os quadrinhos como uma influência no seu trabalho; “Tinha muita influência de autores como Angeli e Fernando Gonzalez. Comecei uma época a fazer desenhos para camiseta e, durante a faculdade, comecei a aprofundar o lado mais artístico…”, cita o artista que também é educador social de crianças e adolescentes no Caaps infantil. (Vila Nova). Segundo ele, o material exposto, que havia sido feito para o festival, não está completo. Nesses 10 anos, algumas peças foram vendidas e outras ainda dadas à amigos.

'O Clarinetista' ilustração feita em 2006 pelo artista para o Londrina Jazz Festival - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
‘O Clarinetista’ ilustração feita em 2006 pelo artista para o Londrina Jazz Festival – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Quem for à exposição na Vila Triolé (Salvar Rua Etienne Lenoir, 155 – Industrial) poderá ver também alguns trabalhos feitos posteriormente à série do ‘Festival de Jazz’, já mostrando um certo avanço do processo criativo. “Há algumas peças que foram anos depois. Experimentei outras linguagens, há até uma roda de bicicleta Columbia, quase toda pronta, algum dia eu termino ela (risos)” cita Dovinho.

Além das artes do festival, outros trabalhos do artista podem ser conferidos na exposição - Foto: Bruno Leonel / Rubrosom
Além das artes do festival, outros trabalhos do artista podem ser conferidos na exposição – Foto: Bruno Leonel / Rubrosom

Se dividindo entre várias tarefas, Antônio Marcos já pensa também em próximos projetos. Segundo ele, não há uma prioridade em relação a prazos ou em terminar uma nova arte, o mais importante no modo de trabalho é que o resultado faça sentido. “Eu tenho uma outra serie em casa, já com alguns trabalhos prontos. Ela já tem até um nome ‘Prioridades do eu’ – É uma autorreflexão, envolve alguns trabalhos mais introspectivos. A partir do momento em que vou descobrindo as coisas eu tento inserir isso de alguma forma no meu trabalho. O sentimento mesmo sabe? Eu vejo o artista como um arquiteto das emoções, ele transforma o intangível no tangível. Ele materializa uma ideia…. Eu misturo algumas técnicas, e faço algumas espécies de ‘mini instalações’ neste trabalho novo. Eu não me preocupo em ser original, eu só quero comunicar uma ideia, falar o que eu quero…. Neste processo, algumas vezes, você chega em algo original, é tudo consequência”, enfatiza Dovinho.


Serviço

Vila Triolé Cultural
R. Etienne Lenoir, 155 – Vila Industrial – Londrina – PR
(43) 3024-3330 – segunda a sexta- 9h às 17h30