Por Bruno Leonel

Artistas, coletivos e músicos se reuniram no último domingo, no Cemitério de Automóveis de Londrina, para prestigiar o Festival Mobiliza Londrina na Resistência. Unindo linguagens diversas como declamações de poesia, , forró, capoeira, música regional e até shows de rock, o evento reuniu um número considerável de pessoas que, através da arte, aproveitaram o espaço para trocar ideias e discussões sobre o atual momento político do país, assim como, os eventos recentes envolvendo o impeachment de Dilma Rousseff e a posse do atual Presidente Michel Temer, ato considerado controverso por muitos setores, uma vez que diversos deputados e membros, ligados á comissão julgadora, também estavam sendo investigados por crimes envolvendo o desvio de dinheiro.

Roda de Capoeira de Angola envolveu o público presente no Cemitério de Automóveis - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Roda de Capoeira de Angola envolveu o público presente no Cemitério de Automóveis – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

No Cemitério, o som começou por volta das 17h abrindo com uma discotecagem envolvendo rítmos latinos e música brasileira. Em pleno domingo de chuva e frio, um número considerável de pessoas compareceu ao local que foi ocupado por bandeiras de diversos coletivos ligados ao evento organizado pelo coletivo ‘Mobiliza Londrina’ fundado à cerca de seis meses. Com poucas horas de evento os primeiros gritos de ‘Fora Temer’ e a favor da democracia já ecoavam no espaço. Por volta das 18h30, uma roda de capoeira de Angola acontecia no local, com um fundo musical encabeçado por instrumentos típicos do estilo como berimbau e percussão.

Os músicos Pedro Oliveira (Esquerda) e João Carvalho (Direita) marcaram presença com músicas de protesto e performances com voz, violão e guitarra - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Os músicos Pedro Oliveira (Esquerda) e João Carvalho (Direita) marcaram presença com músicas de protesto e performances com voz, violão e guitarra – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Em seguida, mais apresentações musicais aconteceram no local com a participação dos músicos Pedro Oliveira e João Carvalho, que levaram suas músicas e versos de protesto para os palcos do cemitério de automóveis. A plateia acompanhava atenta cada verso que falava, entre outras questões atuais, sobre a agressão à fotógrafos e cinegrafistas durante manifestações, além do risco à direitos trabalhistas sugeridos por mudanças do atual governo. Em um dos momentos mais envolventes, João Carvalho cantou, acompanhado apenas por sua guitarra a música Vida Loka dos Racionais Mc’s. “É uma reunião de artistas que entendem esse processo (Impeachment) como um golpe… E estão se reunindo para se articular. Como é um município ainda de maioria conservadora, é um espaço importante para que os produtores, artistas se encontrem em um ambiente favorável, possam trocar referências e articular próximos atos, próximas ações. É um movimento de inspiração! As coisas que acontecem a partir daí são imprevisíveis”, contou o músico e professor João Carvalho à reportagem do Rubrosom.

Um número considerável de pessoas prestigiou o evento que durou até pouco depois das 22h30 - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Um número considerável de pessoas prestigiou o evento que durou até pouco depois das 22h30 – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Dando sequência aos trabalhos, o Cemitério de Automóveis se tornou um verdadeiro baile, com a apresentação de Café Modesto que envolveu a todos com ritmos como o forró e até clássicos do pagode. Casais, e até estranhos que arriscaram passos de dança entre si, agradeceram ao repertório. Em seguida, a novata Cabeça De Satelite, com seu rock meio experimental/abrasileirado fez uma apresentação empolgante tocando 100% do repertório autoral e agradando ouvintes com temas, ligados também à temática política como ‘Gambiarra’ e ‘Mate um Comunista(de Prazer)’.

Quarteto Cabeça de Satellite fez um show envolvente com repertório autoral - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Quarteto Cabeça de Satellite fez um show envolvente com repertório autoral – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Por fim, já passando das 22h30, subiu ao palco a banda Electric Hermano Trio com uma apresentação enérgica (Também focada no repertório autoral) que fechou o grande evento de forma bastante animada. Em meio a um domingo de frio e chuva, o evento do domingo fez jus ao nome (Além da mensagem política), especialmente pelo êxito em angariar público em meio a um contexto de diversos fatores contrários. Embora bandeiras de vários coletivos estivessem presentes, o movimento se apresenta como suprapartidário; “O festival foi uma extensão de atividades que já estávamos fazendo. O coletivo nasceu de uma ideia de mobilizar contra o que está acontecendo no país; Poder colocar pessoas na rua, unir coletivos e o pessoal se organizou para isso. Foram feitos até o momento três atos e, vimos que no país todo havia frentes que organizavam momentos semelhantes. Essa festa veio de uma ideia de unir pessoas em prol da discussão, e teve a ver pelo momento de ascensão, que o pessoal tem buscado mesmo”, contou Carolina Zunti Ferreira, membro do coletivo Mobiliza Londrina, responsável pela organização de atos e análises realizadas pelo grupo.