Por Bruno Leonel

Em londrina, o domingo dedicado ao Dia Nacional da Consciência Negra foi marcado por eventos temáticos em diversas regiões da cidade; No Festival de Cinema da Kinoarte, houve uma ‘Premiere Especial’ da data, com exibição do filme “Dona Vilma” – sobre a vida da líder Vilma Santos de Oliveira (Yá Mukumby) assassinada no ano de 2013, além de outros filmes ligados ao assunto. E no bairro Vista Bela (Região Norte) houve também o Encontro do Orgulho Crespo, que uniu apresentações artísticas, música e arte, para assim promover um pouco de reflexão sobre esta data de luta, em prol da igualdade racial. O evento aconteceu na quadra de esportes do Bairro, próximo à Rua Celeste Conto Moro.

Público acompanha apresentação do coletivo 'Black Divas' durante evento no Vista Bela - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Público acompanha apresentação do coletivo ‘Black Divas’ durante evento no Vista Bela – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O evento iniciou por volta das 15h, com organização feita por membros do projeto MH2 Música e Hip Hop. Além do enfoque cultural, histórias e crenças de matriz africana foram lembradas durante o evento por contadores de histórias e atores que fizeram breves encenações para o público (De maioria crianças) presente no local. “Acho que demorou para os negros começarem a fazer essa união, com coletivos… Só quem passa por isso, quem é negro, passa por isso de entender a questão do preconceito, precisamos lutar contra isso todos os dias. Acho que o nosso projeto veio pra falar isso também, sobre essa coisa do preconceito… Hoje acho que o problema ressurgiu um pouco com essas lideranças conservadoras em alta (Trump, no Brasil o Bolsonaro), agora que precisamos lutar, nossa batalha é pela liberdade…”, contou o músico e educador Leandro Palmeirah, que coordena o projeto MH2.

Integrantes do coletivo Azmina (Que em breve lançará seu primeiro registro sonoro) se apresentou no evento - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Integrantes do coletivo Azmina (Que em breve lançará seu primeiro registro sonoro) se apresentou no evento – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Na programação musical, o artista Valdir Sujim cantou e improvisou rimas juntamente com Fernanda Jardini, mostrando um pouco do lado plural e até eclético da programação musical. A presença feminina aliás foi um dos destaques do evento que, além de Fernanda trouxe também uma apresentação ao vivo do Coletivo de rap Azminas – Que se apresentaram dividindo o palco com a participação de um grupo de crianças bastante animadas com o evento –  E também o grupo de ativistas Black Diva, coletivo londrinense já com 13 anos de existência, e que realiza atividades culturais/educativas sempre promovendo debates como a questão do preconceito racial através da música A apresentação do grupo chamou a atenção, com um desempenho vocal bem interessante, as cantoras do grupo carregam desde referências da música black dos anos 70, e até ecos de música gospel e do soul norte-americano. “Trabalhamos sempre com temas como a violência contra a mulher, a importância do empoderamento e a valorização da cultura, nosso foco é sempre em escolas e atividades em bairros diversos pela cidade… Buscamos sempre ir aonde tiver necessidade” contou a militante Maria José Barbosa, membro do coletivo.

João de Carvalho (esquerda) e Leandro Palmeirah do Projeto MH2: Música e Hip-Hop se apresentaram durante o evento no domingo - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
João de Carvalho (esquerda) e Leandro Palmeirah do Projeto MH2: Música e Hip-Hop se apresentaram durante o evento no domingo – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O grupo de Capoeira Farol da Ilha também marcou presença durante o ‘Encontro’ levando um pouco de seu estudo e de sua pesquisa com ritmos e a cultura afro para o ‘Encontro’ no Vista Bela. “Acho que a capoeira precisa sempre estar envolvida nesses eventos, ela fala da história do Brasil, da história do negro, a gente acha um privilégio participar aqui, Londrina tem muitos grupos bons de capoeira… Hoje temos ido muito a escolas e espaços educativos, onde nos chamam sempre vamos”, contou o Mestre Reginaldo ‘Farinha’, do Farol da Ilha. O Encontro do Orgulho Crespo tem apoio da Central Única das Favelas (CUFA) além de patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC).

Movimentos que desafiavam a gravidade foram destaque na apresentação da roda de capoeira feita pelo grupo Farol da Ilha - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Movimentos que desafiavam a gravidade foram destaque na apresentação da roda de capoeira feita pelo grupo Farol da Ilha – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Em um momento mais ao final do evento, um público, majoritariamente formado por crianças, pode assistir ao documentário “Desconstruindo”, que fala sobre o processo de transição e aceitação do cabelo natural, por mulheres afro-brasileiras. Considerando a faixa etária predominante do público, o documentário representou uma foco de informação importante, uma vez que vários dos presentes estão exatamente na idade onde começam a ter referências e despertar reflexões sobre auto-estima e as próprias origens. Sobre a atual situação política de Londrina – Que nas últimas eleições, nomeou como vereadores (por exemplo) candidatos de perfil conservador, e até, assumidamente contrários à divulgação da cultura afro através projetos e educação, a ativista Sandra Aguilera, membro fundadora do Black Divas é categórica, afirmando que o momento é de luta “Foi um retrocesso, há muita intolerância ainda com etinias e também com religiões (De matriz afro), as pessoas tem invadido locais, queimado casas de Mães de Santo, há pouco tempo perdemos o Ministério da Promoção de Igualdade Racial, em Londrina o feriado do 20 de novembro foi perdido, mas aos poucos temos nos movimentado – Sandra cita a construção da Secretaria de Políticas Públicas no Paraná. É o momento de lutar, a Câmara não está fortalecida por agora, mas não iremos parar”, pontuou Aguilera em entrevista ao Rubrosom.