Por Bruno Leonel

No último domingo (1), em meio a um tempo ensolarado, mas que, vinha acompanhado de um frio que insistia em incomodar, crianças, adultos e eventuais curiosos compareceram à Praça Isaac Newton (Vila Industrial, Região Oeste de Londrina) durante a troca de livros promovida pela ‘Biblioteca Viva Itinerante’. O projeto consiste em promover a leitura, especialmente entre jovens e crianças, que podem levar livros usados e trocar por outros (Que ficam expostos no local) de forma totalmente gratuita.

Viviane Camargo compareceu à 'Biblioteca Viva Itinerante' junto com o filho de quatro anos - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Viviane Camargo compareceu à ‘Biblioteca Viva Itinerante’ junto com o filho de quatro anos – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Entre livros infantis, gibis e até alguns volumes mais populares, algumas dezenas de crianças, acompanhadas dos pais, compareceram á troca. A movimentação começou às 15h30. Realizado já há oito anos, o projeto da ‘Bibioteca Viva’ é realizado pela educadora Daniella Fioruci. “A ideia sempre foi estar em espaços afastados da região central. Eu não fazia sozinha,  sempre teve alguém acompanhando, antes já fiz uma época com o palhaço Coisa Fina. A gente ia para a praça em diferentes bairros, sempre foi um projeto que deu muito certo, caminhamos muito pelas periferias, mas, há uns anos atrás mudou um pouco, começamos a adotar um bairro só e com a ideia de ‘aprofundar’ a relação, principalmente com a ideia de de ‘ocupar a praça’ de uma maneira saudável” ressalta a artista. Além das praças, Daniella conta que o projeto acontece também ligado à escolas municipais, com a troca realizada no horário de saída, e outras ações ‘paralelas’ como a contação de histórias feitas em momento de intervalo, dentro das dependências dos estabelecimentos.

Crianças de várias idades compareceram e levaram livros para a troca ocorrida durante o período da tarde - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Crianças de várias idades compareceram e levaram livros para a troca ocorrida durante o período da tarde – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Durante o vento de domingo, em um segundo momento, os presentes puderam acompanhar a apresentação do Palhaço Ritalino (Encenado pelo artista Tiago Marques) que tocou um pouco de sanfona e divertiu jovens e adultos com piadas de um humor inteligente e sagaz (Algumas vezes, nem tão infantil quando pode parecer). Teve até piada ironizando o dia do trabalhador, aproveitando o primeiro de maio, que caiu bem no domingo anulando eventuais chances de iniciar o mês já com um feriado prolongado. “Hoje é dia do trabalho, mas quem está por aqui em um horário desses, acho que é porque não tem trabalho mesmo né?” brincou Ritalino em um dos momentos mais irônicos da apresentação. As sacadas inteligentes e o humor rápido chamam a atenção para o artista.

O evento começou por volta das 15h30 e movimentou a tarde na Vila Industrial - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
O evento começou por volta das 15h30 e movimentou a tarde na Vila Industrial – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Adultos e crianças se divertiram com o humor escrachado e as brincadeiras feitas pelo ‘Palhaço Ritalino’. “Muita gente fala que o palhaço bom é o palhaço velho, porque já viveu muito… E como o palhaço lida com a derrota, você precisa ser velho porque assim já foi derrotado algumas vezes na vida, já passou por altos e baixos. A gente tenta fazer esse trabalho, perdendo um pouco, empatando, avançando um pouco a cada dia e, tentando fazer o pessoal rir um pouco. Embora (Hoje) tenha sido uma apresentação curta no tempo, e não tenha atingido um público tão grande – Uma televisão atinge bem mais né? – O que eu acredito é nessa força do encontro. Mesmo se fosse uma pessoa só, se ela tiver dado risada, para a gente, já foi um lucro imenso…” Enfatizou Thiago ‘Ritalino’ durante conversa com a reportagem do RubroSom.

 

"Mesmo se fosse uma pessoa só, se ela tiver dado risada, para a gente, já foi um lucro imenso" comenta o artista Thiago Marques (Palhaço Ritalino) que se apresentou durante o evento - Foto: RubroSom/Bruno Leonel.
“Mesmo se fosse uma pessoa só, se ela tiver dado risada, para a gente, já foi um lucro imenso” comenta o artista Tiago Marques (Palhaço Ritalino) que se apresentou durante o evento – Foto: RubroSom/Bruno Leonel.

Últimos Encontros

Segundo Daniela, após os encontros do último fim de semana (No sábado, dia 30 a ‘biblioteca’ também havia passado pelo Conjunto Jamile Dequech) o projeto iria encerrar atividades, após mais dois encontros, a serem realizados no mês de maio, em escolas municipais de Londrina. Por anos anos, o projeto contou com apoio de recursos do Promic, mas, em 2016, como o mesmo não foi aprovado pelo edital, não há, no momento, recursos disponíveis para seguir em diante nos próximos meses.“Durante cerca de seis anos, circulamos por bairros diversos e nos últimos dois anos fechamos aqui na Vila Industrial e no Conjunto Jamile Dequech.  Apesar de não termos recursos do edital neste ano, estamos pensando já em outros projetos, e em outras formas também de dar continuidade à ‘Biblioteca Viva Itinerante’, acho também que é uma oportunidade de parar um pouco e talvez aumentar o repertório também em relação à ‘contação de histórias’, estudar um pouco… A reflexão é o tempo todo, mas o repertório a gente precisa desenvolver também“ comenta a artista sobre os próximos passos para 2016. Atualmente, Daniella também participa de outros projetos como o Encontro de Contação de Histórias, que neste ano chega à quinta edição.

Boa receptividade

Se para os artistas o processo é bastante envolvente, para os moradores dos bairros, que prestigiam tanto a troca como o show do artista Ritalino, o público também tem uma imagem muito positiva da ‘ocupação’ na praça, como contou Valdo Cavalcanti, profissional de câmaras frias e que mora já há 30 anos no bairro. “É importante até divulgar mais eventos desse tipo, isso ajuda às crianças a não ficarem tanto ‘a toa’ além de incentivá-los a ler livros… Seria bom se pudesse haver algo todos os meses assim” comentou. Ele acrescenta que o espaço físico, da Praça Isaac Newton, deixa um pouco a desejar também, para a realização desse tipo de evento. “A praça poderia ser mais bem cuidada, ela está cheia de buracos com uma calçada ruim. Aqui na praça temos problemas com alguns vândalos que depredam o local também”, comentou o morador, que visitou a praça acompanhando seus dois filhos de 6 e 9 anos.

"A gente ia para a praça em diferentes bairros, sempre foi um projeto que deu muito certo, caminhamos muito pelas periferias, mas, há uns anos atrás mudou um pouco, começamos a adotar um bairro só" comenta Daniella Fioruci, idealizadora do projeto - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
“A gente ia para a praça em diferentes bairros, sempre foi um projeto que deu muito certo, caminhamos muito pelas periferias, mas, há uns anos atrás mudou um pouco, começamos a adotar um bairro só” comenta Daniella Fioruci, idealizadora do projeto – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Também moradora do bairro, Viviane Camargo, que trabalha com transporte escolar, “É a primeira vez que vim, trouxe meu filho de quatro anos… Mas ele ainda não sabe ler, a gente lê pra ele (risos). Mas acho o evento importante, é sem dúvida um bom incentivo. Hoje ele está levando um livro, pretendemos voltar nos próximos encontros…” reforça Viviane.


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