Por Bruno Leonel

A literatura produzida por mulheres, suas aspirações, a constante batalha por mais espaço (Em um meio historicamente preenchido por escritores homens) e seus trabalhos dedicados à outras mulheres (Ou não); Esses foram alguns dos temas trazidos à tona durante o ‘Café com Elas’, realizado dentro da programação do Londrix, realizado na última quinta-feira (16) no Museu Histórico de Londrina.

Durante a conversa escritoras comentaram sobre as principais inspirações, assim como, o espaço que a literatura feita por mulheres possui em gêneros como poesia e outros - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Durante a conversa escritoras comentaram sobre as principais inspirações, assim como, o espaço que a literatura feita por mulheres possui em gêneros como poesia e outros – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Em cerca de uma hora e meia de um ‘bate-papo’ bastante rico e plural, o grupo formado apenas por escritoras mulheres (Composto pelas escritoras Manuela Pérgola, Samantha Abreu, Vivian Campos, Beatriz Bajo, Flávia Verceze, Vi Karina, Camila Sousa, Lua Lobo e Christine Vianna) discutiu e trouxe a tona, cada uma falando um pouco de sua individualidade, alguns dos temas que permeiam o universo de sua produção, eventuais frustrações e também inspirações literárias. Um pouco muito comum a quase todas, foi a auto crítica e a insegurança de, no começo, querer mostrar seus textos e produções à mais pessoas… Quase sempre, essa ‘mostragem’acontece após um longo período de avaliação pessoal, e também de apoio de pessoas próximas, como várias das autoras citaram. Uma das mais jovens presentes, Vivian Campos (Confira entrevista completa com ela aqui), que publicou seu primeiro livro em 2016 falou sobre como uma fase pessoalmente difícil de sua vida, fez com que ela tivesse para escrever textos e ‘microcontos’. Outra das escritoras, Camila Sousa falou sobre inspirações, dentro de casa, como o próprio pai, que sempre à incentivou.

Questões sobre temas recorrentes em predominância de certos temas em poesias e romances de escritoras mulheres foram citadas em alguns momentos do debate “Desde o tempo de Florbela Espanca, Sylvia Plath, há temas que são pertinentes à mulher, você escreve sobre o que você trás no seu DNA, sua literatura representa o mundo em que você vive… E claro, a mulher começou tardiamente devido à várias questões sociais, em um mundo que é formado por homens, havia meios sem tanta representatividade… A literatura é uma forma de sair desse universo de imposições, a arte trás sempre essa coisa de fugir da própria ignorância, a coisa de não ver o outro…”, contou Christine Vianna que participou do ‘debate’.

Um varal de poesias com algumas das produções de cada autora foi montado em uma sala do Museu Histórico durante o 'Café com Elas' - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Um varal de poesias com algumas das produções de cada autora foi montado em uma sala do Museu Histórico durante o ‘Café com Elas’ – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Escritoras já veteranas como Samantha Abreu (Que recentemente lançou Mulheres sob descontrole, seu segundo trabalho) e Edra Moraes (Que publicou o terceiro livro em 2016) também falaram sobre a importância e as descobertas que a literatura trouxeram ao longo do tempo, inclusive surpresas como ser reconhecido por pessoas já ‘estabelecidas’ como escritores. “Essa coisa de ser elogiado ou ter uma crítica positiva de alguém que você não conhece, que te leu sem saber de quem se tratava é muito intenso também. Recentemente, tive um contato com o Ignácio Loyola, quando ele esteve em Londrina, e entreguei a ele meu livro ‘Para ler enquanto escolhe feijão’, ele foi muito atencioso e elogiou o meu trabalho, foi muito positivo isso, no meio literário você as vezes entrega um livro seu e, muitas vezes, nem tem um feedback, nem fica sabendo o que a pessoa achou do trabalho e é ótimo poder ter esse retorno’, contou Edra – O próprio Ignácio falou de Edra aliás em nossa entrevista com ele (Confira Aqui).

Como em uma 'olimpíada' cada uma das autoras recebeu um bastão que simbolizava a 'vez' de falar de cada pessoa presente - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Como em uma ‘olimpíada’ cada uma das autoras recebeu um bastão que simbolizava a ‘vez’ de falar de cada pessoa presente – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Para muitas delas, hoje vive-se um momento – Ligado á muitas discussões sobre a questão de gênero e a importância de lutas como o feminismo – que favorece a proliferação e o interesse pela literatura que, especificamente, é dedicada à questões da feminilidade. Sobretudo em Londrina, muitos concordaram que houve um aumento recente (Sobretudo em espaços especializados) de escritoras mulheres na cidade. “Acho que teve um ‘boom’ de escritoras na cidade sim, especialmente de escritoras jovens… Hoje mesmo no debate há escritoras de 23 anos já com livros lançados, é muito importante essa representatividade na literatura, a voz da mulher na poesia, vimos também o aumento do interesse do público, havia uma sala lotada de pessoas acompanhando escritoras jovens, não são pessoas já consagradas, como por exemplo Karen Debértolis, Celia Musili, mas sim que tem uma trajetória recente”, contou Christine Vianna (Da Atrito Arte) que também participou da conversa literária.

Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Sobre a recente ‘alta’ de escritoras na cidade, Manuela Pérgola também falou sobre o atual momento. “Acho que tem uma questão pessoal ligada a isso, não sei se as pessoas estão mais ‘abertas’, ou ainda, as coisas estão ficando tão difíceis que estão todos tendo que se voltar pra coisas que dão respiro como literatura, poesia, é algo que está ‘ampliando’ mais…”, contou Pérgola. A escritora comentou também sobre a atual onda de ‘livros de youtubers’ que, ironicamente ou não, colocaram livros assinados por mulheres entre alguns dos volumes mais vendidos (Entre o público jovem) em listas recentes de grandes livrarias. “Pessoalmente, como você citou (A Youtuber Joujout) eu gosto dela, mas não sei se é algo inspirador… No sentido de abrir pra algo mais ‘existencial’ mesmo, eu acho meio raso, talvez seja minha formação (Manuela é psicóloga), mas tem gente escrevendo muita coisa boa e que não está sendo vista, ela teve sorte e deu as caras… Foi um pouco de sorte, eu não tenho o livro dela mesmo (Risos) embora goste dos vídeos”, contou Manuela em entrevista ao Rubrosom. (A autora escreve para a Obvious e no Contosprosaepoesia).


Londrix
Festival Literário de Londrina
De 13 a 18 de Fevereiro – Programação completa