Por Bruno Leonel

O escritor londrinense Marrom de Abreu, mais conhecido pelo trabalho como compositor à frente da banda Montauk, lançou na última semana seu primeiro livro intitulado ‘Vermelho Cala Frio’ pela editora Madrepérola. De forma um pouco diferente do trabalho que Marrom faz com canções, o livro compila poemas do autor, produzidos ao longo de um período de 3 anos “(Os textos) ficaram guardados por um tempo, alguns apenas na memória mesma. A grande parte foi feito pro livro, o que foi até uma dificuldade, (essa coisa de) ter que escrever em um determinado prazo uma certa quantidade….”, contou Abreu em entrevista ao Rubrosom.

Marrom lançou o livro na última semana durante o evento Carnasarau no Bar Brasil - Foto: Divulgação
Marrom lançou o livro na última semana durante o evento Carnasarau no Bar Brasil – Foto: Divulgação

O escritor e roteirista Felipe Pauluk apresenta Marrom de Abreu como um poeta cirurgião às avessas, “não estanca, não cura, não tira o tumor e não arranca a enfermidade. muito pelo contrário, ele cavuca, ele mexe na ferida, nos mói e nos abre com o bisturi de suas palavras”, diz.

Para Pauluk, este livro é sobre a “decadência da alma, o sucesso dos sentimentos, a transgressão do peito e outras ferramentas básicas do cotidiano que usamos para tentar consertar corações, mas nunca conseguimos”, cita a apresentação do volume. Marrom de Abreu é compositor e músico. Começou a carreira como músico aos 14 anos. Atuante como músico e compositor da banda londrinense Montauk, lançou dois discos e divulgou seus poemas inicialmente nas redes sociais. Agora, por meio do livro Vermelho cala frio, estão reunidos todos os desafetos e ‘certezas incertas que o causam diárias insônias’. Confira uma entrevista com o músico:

Eu conheço um pouco do seu trabalho com as palavras mais pelas suas músicas (Como compositor do montauk) mas, e quanto a escrita? Ela apareceu na sua vida antes ou depois do lado cantor?? Há muito tempo já você se interessa por poesia e literatura
Acredito que toda inspiração pra poesia veio através das música, por ouvir compositores que transformavam suas letras em algo maior, mais escondido e lúdico. A música me trouxe tudo, inclusive essa vontade de compartilhar coisas menores que nem sempre eu podia colocar na Montauk, justamente porque eu por ser um compositor compulsivo, quase sempre tive muitos versos guardados, precisava espalhar de outra forma.


E as tuas influências? Você é um cara que absorve mais informação de outros escritores, ou, prefere formas diferentes de arte? Poderia citar pra gente?
Sendo bem sincero, próximo a fase final pra começar a escrever o livro, eu estava lendo muito Rubem Braga, me emocionando com os textos dele e além de tantos outros escritores, como compositores que me inspiraram, eu tentei tirar em suma a inspiração do cotidiano pra escrever esse livro.

Na apresentação, fala que o livro tem poemas sobre ‘ferramentas básicas do cotidiano para tentar consertar corações”, mas que nunca é possível, nunca consertam… Porquê nunca é possível? O coração ferido é parte do processo?
Não se trata tão bem de machucados e concertos, a ideia do livro é ‘agulhar’ e alfinetar pontos das relações humanas que são os mais intocáveis, sensíveis e talvez despertar pra realidade de como as coisas são cruéis, que o amor é sujo em grande parte das vezes, mas que também é possível sair da nossa zona de conforto.

Foto: Divulgação
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E sobre o desafio de escrever canções x escrever poemas – São processos muito diferentes pra você? Qual é pessoalmente mais difícil?
Como eu me coloco como um poeta do cotidiano, pequenas poesias acabam saindo naturalmente, algumas eu nem chego a guardar, já a música, essa demanda atenção. O cuidado é muito maior, afinal existem responsabilidades maiores, principalmente de conseguir ser o mais visceral possível dentro das melodia, pra que a conversa seja na mesma linguagem.

Como você espera que seus poemas ‘afetem’ o leitor? Quem já conhece suas músicas e letras deve encontrar algo de familiar por ali?
Ah, sem dúvida existe uma proximidade, mas se posso definir bem a comparação do livro para os dois discos, diria que não vai encontrar um “Marrom” tão sucinto e carinhoso.

Veja também! Entrevista do RUBROSOM com a banda Montauk – AQUI


INFORMAÇÕES 
O livro ‘Vermelho Cala Frio’ pode ser encontrado com a Editora Madrepérola