Por Bruno Leonel

Carismático, atuante em diversas mídias e respeitado por fãs de música de várias gerações e idade; Essas são algumas características do músico Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, o Supla. Comemorando pouco mais de 30 anos de carreira – Com participações em diversos projetos como a antiga banda Tokyo, Psycho 69 e Brothers of Brazil – o músico lançou recentemente seu primeiro livro “Supla – Crônicas e fotos do charada brasileiro” e passou por Londrina, no mês de agosto, quando tocou no Oficina Bar. Segundo o próprio, os shows mais recentes focam sempre em músicas de várias fases da sua carreira. “E também músicas novas como ‘Diga o que você Pensa’ e ‘Parça da Erva’… To fazendo 30 anos de carreira, mas to ai fazendo sons novos. Nunca me repetindo, sempre mantendo o espírito do rock’n que incorpora vários estilos como metal, rockabilly ou baladas…”, contou o músico ao Rubrosom em entrevista por telefone.

Canções de várias eras da carreira do músico estarão presentes no show de Londrina - Foto: Divulgação
Canções de várias eras da carreira do músico estarão presentes no show de Londrina – Foto: Divulgação

Pela linha, o músico fala e usa gírias do mesmo jeito ‘gringo’ que costuma falar em entrevistas e aparições na televisão. De oratória rápida, é capaz de atravessar décadas de história em poucos minutos de conversa. Ele relembra inclusive de momentos, como na era da extinta MTV, onde através de tirações de sarro (No antigo programa ‘Piores Clipes do Mundo’ do Marcos Mion) acabou sendo revelado para uma nova geração que nunca havia, sequer, ouvido falar dele. “Ele começou a tirar um sarro das músicas, e eu achei muito bom. Nessa época (2000) eu tava morando nos Estados Unidos, ajudando minha mãe na campanha e fiquei sabendo da repercussão aqui. Começou com o clipe de ‘Green Hair’, todo o pessoal que participa desse vídeo eram amigos que me acompanharam. É uma grande música, uma canção de amor punk…. Teve uma época, na primeira Casa dos Artistas (2001) que o Silvio Santos até fez a dança da música com as mãos… E você? (Pergunta pra mim) o Silvio já fez coreografia de alguma música sua? Acho que não né… Da minha ele já fez, muito legal isso né (risos)”, ironiza o músico durante a conversa.

Ao contrário do que pode parecer, o livro não é biográfico, o artista escreveu 50 crônicas que representam 50 momentos de sua vida. A inspiração veio de álbuns de fotos que o músico guarda. “Escrevi em um período até rápido. Faltou muita coisa no livro, mas tem bastantes histórias legais. Escrevia sempre de madrugada, olhava minhas fotos a noite, sem o stress do dia, relembrei essas trajetórias, desde a adolescência nos textos…”, contou músico. Música aliás é um assunto que renderia horas de conversa com o paulistano. Antes de ser um músico e compositor, Supla é também um fã de música. “Eu continuo gostando dos mesmos artistas que me inspiraram… Gosto de artistas novos, quero me emocionar com as músicas, meu novo disco fala muito disso… quem vai show gosta de ver coisas antigas, se emocionar… Tem artistas novos que gosto também”, o músico cita a banda gaúcha Cachorro Grande, os últimos discos de Leonard Cohen e Johnny Rotten (Ex-Sex Pistols) e o grupo britânico La Roux como nomes atuais a se notar.

Além da música, política é um assunto que rende bastante para Eduardo Smith (Como filho de uma ex-Ministra da Cultura Marta Suplicy e de um ex-senador, Eduardo Suplicy) talvez nem pudesse ser diferente. “Infelizmente eu acompanho política. Muita gente não gosta, acha um saco, mas eu acompanho. Eu cresci com isso, eu não participo, mas tento agir com coerência… Não sou a favor do impeachment por exemplo, embora ache que ela (Dilma) teve muita falta de humildade, nunca recebeu meu pai, mas ela fez alianças que a derrubaram, o vice era o Temer…. Eu vejo pelas coisas simples. Acho que faço política de um outro jeito, na minha música. É uma forma honesta. Política é muito complicada você faz conchavo com vários partidos pra chegar no poder e todos fazem… Perde a ideologia”, pontua Supla em um momento mais sério da conversa.

Futuro

Após cerca de 30 minutos de conversa e quilômetros de histórias sobre os últimos anos de carreira, a pergunta é inevitável – E o futuro? A atual fase do músico parece bem positiva, ele tem um disco novo já pronto, que será lançado em breve. “O nome é ‘Diga o que você pensa’, está gravado, mas to ainda em negociação com algumas gravadoras. Logo mais devo soltar ele na internet, em todas as mídias. Sobre o futuro…, não sei, já fiz bastante coisa; Recentemente teve um show enorme no Auditório do ibirapueira, fiz muitos trabalhos,  o que mais eu posso fazer? Após trabalhar bem esse disco, os singles, eu vou… sei lá o que irei fazer. Matar e me ressuscitar (risos), preciso viver…” conclui Supla em um momento mais derradeiro da conversa via-interurbano.