Por Bruno Leonel

A cena musical de Londrina e região costumava ser bem diferente há 25 anos atrás. Eram tempos mais difíceis para o acesso à informação e, tanto aqui na cidade como também no cenário nacional, as bandas e artistas (que tinham apenas poucas opções de lugares para tocar), sobreviviam à base de troca de fanzines e cartas com flyers e fitas K7 como forma de divulgar e compartilhar suas músicas. Uma das bandas mais emblemáticas desta época – E também, uma das mais lembradas e queridas pelo público londrinense da ‘velha guarda’ –  o Hard Money, está completando 25 anos em 2016 e, para celebrar a data, o grupo toca no próximo domingo (11) no Cortiço Bar em Londrina.

Juliano Teles (Guitarra), Felipe Teixeira (Baixo) e vocal e Luis 'Cientista' (Bateria e vocal): Hard Money versão 2016 - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Juliano Teles (Guitarra), Felipe Teixeira (Baixo) e vocal e Luis ‘Cientista’ (Bateria e vocal): Hard Money versão 2016 – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O trio Hard Money, hoje considerado um sobrevivente deste período, nasceu neste contexto e, com seu punk rock focado em músicas de conscientização, embate contra estereótipos e preconceito é considerado por muitos uma das primeiras bandas da cidade que exerceu de fato uma notável influência em outros grupos que surgiram posteriormente (Veja a seguir).

Com quatro álbuns, “Do it Yourself” (1994); “Resistence” (1995), “For Friends” (1996); “Split Tape” (1998), e um DVD – “Do it Yourself (2011) – lançados pelo selo Lab Rec, a Hard Money se apresentou em festivais e shows por todo o Brasil e participou de coletâneas, como a HC Scene ao lado de nomes importantes da cena punk nacional e internacional, como Dead Fish, Mukeka Di Rato, Dominatrix, Noção de Nada, Wacky Kids, Jason e The Rosettes (Alemanha).

A abertura da noite contará com a participação da banda Surface, que também conta com Luis ‘Cientista’ fundador do Hard Money na bateria. Os ingressos antecipados estão à venda por R$20 (com direito a um DVD de uma das bandas) na loja Sonkey – Rua Sen. Souza Naves, nº 9.

A sonoridade crua e veloz da Hard Money, caracterizada por narrativas do cotidiano e contundentes críticas cantadas em inglês, embalou toda a geração do rock feito em Londrina na década de 1990 e influenciou o surgimento de toda uma nova geração de bandas punks e hardcore na cidade: The Cherry Bomb, Estilhaço, Grogues Cegas e Violentas, Gentlemen, Faulty Puzzle, Higgledy Piggledy, Little Lazybone, Self Made, Os Picaretas, Short Fuse, Overwhelm, Yellow Woodpecker, Droogies e a própria Surface, que fará o show de abertura no dia 11.

DCE UEL durante o Primeiro show da Hard Money em 1991 - Foto: Acervo blog Vida Operária
DCE UEL durante o Primeiro show da Hard Money em 1991 – Foto: Acervo blog Vida Operária

Em 2016, a banda segue reformulada. O baixista Felipe Teixeira, integrante mais novo do trio, e que há anos frequenta já shows e eventos de música independente na cidade falou um pouco sobre a experiência de tocar com o trio que ele já acompanhou há tanto tempo. “A sensação é inexplicável, no fim dos anos 90, quando eu comecei a driblar os seguranças de shows, e frequentar os espaços, o segundo show em que estive foi o do Hard Money… Então, eu já tocava Ramones, e foi muito legal saber que eles tinham o trabalho autoral. Cheguei a pegar fitas e materiais com amigos meus da cena que, até já casaram e sumiram dos shows… E é demais, algo que há 16 anos atrás eu jamais iria pensar”, contou o músico.

O repertório do show comemorativo será um apanhado das músicas próprias mais marcantes e de influências confessas da Hard Money, como Agent Orange, 7 Seconds, e, principalmente, Ramones. A formação de 25 anos da banda é composta por Luis Eduardo “Cientista” (bateria e vocal), Juliano Teles (guitarra) e Felipe Teixeira (vocal e baixo). Confira entrevista com a banda:

Além do Felipe, o Juliano é o segundo integrante mais novo do trio – Com 10 anos de banda já… Você já acompanhava a banda antes também?
Eu fui no primeiro show do Hard Money, em 1991 no DCE… Vi a formação original e em 2006 surgiu a oportunidade de tocar com eles e, depois ainda, eu entrei. Eu via os shows deles antes, como fã e depois entrei na banda…

E essa renovação dos integrantes? Mesmo após tanto tempo de Hard Money, o ciclo vai movimentando e gente que via a banda hoje toca com vocês, tem essa renovação… Como é isso pra você Cientista?
Cientista:
O Hard Money tem uma coisa bem legal, por mais que renove as pessoas parece que você está em 1991 ainda, tocando o mesmo som e que ainda mexe com as pessoas. Engraçado que irão as pessoas nesse show que, nem frequentam mais esse ambiente de ‘balada’, nem vão mais a shows, mas vão no lugar pra conhecer e ver essa interação do público e banda. Quando eu comecei, já tocava em banda  – O grupo Desordem e Regresso, do final dos anos 80 – E a gente aprendeu um pouco a produzir, divulgar fitas, fazer shows e, quando fizemos o Hard Money já tínhamos experiência. Combinávamos bandas pra tocar junto, chamávamos pessoas de grupos diferentes… Nem tinha essa divisão de ‘punk’ headbanger, tinha o clima de ir pra ver as bandas dos amigos também. Hoje em dia o pessoal as vezes vai tocar e já vai embora depois, é até um pouco de falta de respeito entre as bandas, esse tipo de ajuda une as bandas e faz a coisa caminhar um pouco melhor.

E a cena daquela época? Era mais difícil mas tinha um espírito de amizade maior entre os grupos daquela época?
Cientista:
No começo eram 20 ou 30 pessoas que gostavam e eles interagiam, onde havia show todo mundo colava. Se formou uma base para poder, quando surgiu o Hard Money, saber como fazia e organizava os eventos. Divulgamos tudo e conseguimos colocar quase 300 pessoas no DCE (Onde cabem cerca de 50 pessoas) e sem estrutura nenhuma começamos a movimentar o lugar…

Hard Money comemora 25 anos de história neste domingo
Hard Money durante show em 29-04-1994 na cidade de Palotina-PR – Foto: Claudio Yuge/Acervo Hard Money

E a banda hoje? Vocês tem feito shows pontuais, todo o ano… Pensam já  nos próximos passos? Gravar material e coisas assim?
Cientista:
Em primeiro lugar, o show de domingo será um termômetro, veremos como tudo funciona como banda… A interação e a empatia entre todos. Funcionando isso, com certeza, pensamos em retomar mais músicas, pensar em outras faixas e tudo irá acontecendo a partir dai. Quem puder participar, compareça, assim o público ajuda a cena de Londrina
Juliano: Será um show histórico… Pra quem gosta de punk rock, de música, tem que estar lá. E tem ainda uma surpresa para quem estiver por lá.
Felipe: Eu toco há anos já e, sempre que participo de algo assim fico ansioso, tenho preocupação, fico um pouco sem comer (risos), deixo a cerveja só depois do show, porque é algo que mexe muito com o emocional, com o físico, me deixa abalado no bom sentido. Ansiedade de ver a coisa acontecendo…


SERVIÇO:
“Hard Money – 25 anos de banda”
Quando: 11 de dezembro (domingo), às 19 horas
Onde: Cortiço Bar (Avenida Bandeirantes, 145)
Faixa etária: livre
Ingressos antecipados com direito a um DVD da banda ou da Surface: R$20 – Sonkey (Rua Senador Souza Naves, nº 9)