Por Bruno Leonel

Desde a última sexta-feira (28) trabalhos feitos pelo designer Beto Shibata, estão em exposição na Vila Cultural Grafatório em Londrina. O espaço tem patrocínio do Programa Municipal de Incentivo á Cultura (PROMIC). A exposição intitulada ‘Meu Universo’ reúne diversos trabalhos do artista visual, criados no período de 2013 para cá, que utilizam técnicas diversas como colagens, serigrafias, gravuras e tapeçarias. A mostra foi inaugurada durante a abertura do evento intitulado Ciclografias: teoria das colisões; Em sua quarta edição, o evento reúne artistas e público para uma série de ações, sempre visando o intercâmbio, as trocas e o compartilhamento de saberes.

Exposição de Beto Shibata foi aberta na última sexta (28) - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Exposição de Beto Shibata foi aberta na última sexta (28) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Profissionalmente, Shibata já trabalhou na MTV –  Na Revista TRIP e publicou suas ilustrações em diversos periódicos mundo afora. Cores vivas, frequentemente apresentadas em painéis com elementos geométricos e, com a união de misturas incomuns de, texturas e formas, são alguns dos elementos presentes nos trabalhos apresentados em Londrina. Durante a exposição, houve também um momento de ‘troca de ideias’ com outros designers e profissionais presentes no evento.  Atualmente, Beto é sócio do Firmorama e Atlas. Na conversa, ele falou sobre alguns projetos da carreira, o espaço para experimentação que alguns veículos permitiram no passado assim como a separação entre trabalhos mais artísticos e o lado mais comercial.

Designer Beto Shibata apresentou alguns trabalhos que utilizam técnicas variadas como gravura, colagens e serigrafias - Foto; Divulgação
Designer Beto Shibata apresentou alguns trabalhos que utilizam técnicas variadas como gravura, colagens e serigrafias – Foto; Divulgação

Segundo Beto, o início e a experiência no mercado editorial ajudaram, desde o começo, a traçar paralelos entre o trabalho mais funcional e o lado artístico “Em alguns momentos os dois trabalhos se misturaram, já trabalhei como ilustrador em algumas publicações, mas, nessa vertente, sempre tentei pegar publicações que tinham a ver com a maneira como eu pensava, ou ainda matérias das quais eu gostasse. No trabalho mais funcional, havia outros objetivos… Então, as vezes eu separava ou incluía, conforme o contexto”, contou Beto.

Exposição 'Meu Universo' foi inaugurada na Vila Cultural Grafatório na última sexta-feira (28) - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Exposição ‘Meu Universo’ foi inaugurada na Vila Cultural Grafatório na última sexta-feira (28) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Segundo o artista, o período em que trabalhou com o mercado editorial – início dos 2000 – foi também uma época com outras demandas para a parte do design, oferecendo muitas vezes, um espaço não mais possível em publicações de hoje “Eu acho que, é um amadurecimento profissional e comercial das revistas, o que eu vejo, e algumas revistas conseguiram perceber isso, é que, o impresso não seja mais o principal. A revista da MTV mesmo, acho que acabou no auge, nós havíamos tirado-a da banca – logo, sabíamos com quem estávamos falando – e, neste momento (Final de 2008) quando ela acabou, estávamos há um ano exclusivos para assinantes, já havíamos feito experimentações na internet e, nós pudemos chamar quem a gente queria para colaborar com a revista – Pegamos o início da Street Art, artistas das galerias, dando muita liberdade de experimentação, é uma época que eu guardo como muito relevante…”, pontuou Shibata em entrevista ao Rubrosom.

Beto Shibata (Na frente, do lado direito) conversa com o público durante abertura da exposição - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Beto Shibata (Na frente, do lado direito) conversa com o público durante abertura da exposição – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Na atualidade, Beto pontua também alguns nomes das artes que ele acompanha. “Os estúdios que eu continuo admirando são de pessoas como o Tonho / Quinta-feira do RJ, que é meu contemporâneo, nos formamos na mesma época, ele tem um trabalho comercial e autoral muito equilibrados … Hoje em dia ele faz a direção de arte da Void, tem também os estúdios Neasden Control Centre e do designer artista Geoff Mcfetridge, das revistas gosto também da revista Ernesto que é de BH…”, acrescentou Beto. Durante a conversa, o artista também citou sobre publicações nas quais trabalhou. “Acho que a Trip mesmo sempre teve uma linha editorial muito coerente, um dos aprendizados que tive lá, foi de cruzar as turmas… A MTV mesmo colocou Caetano Veloso com Emicida, a Trip colocou o Abílio Diniz, o Ferréz (Escritor), Arthur Veríssimo para ter paralelos de visões de mundo diferentes. Esteticamente eles experimentam, as vezes ainda colaboro com a revista TPM… Tem outras, a Void experimenta muito, assim como a Vista  – Revista de Skate de Porto Alegre, que tem um design bem interessante – hoje em dia ta mais fácil publicar e fazer as coisas com as tecnologias disponíveis, você consegue fazer tiragens menores, o cara experimenta mais e acaba fazendo algo que ninguém havia tentado antes…”, conclui Shibata.


CICLOGRAFIAS – Neste ano o Ciclografias reunirá, durante dez dias, os seguintes convidados: Fábio Morais (SP), Kenji Ota (SP), Beto Shibata (SP/SC), Daniel Barbosa (PR), Dirceu Maués (PA/MG) e Maurício Castro (PE). Todos eles ministrarão oficinas gratuitas, protagonizarão bate-papos e outras atividades abertas ao público – Confira a programação no site do Grafatório.