Por Bruno Leonel

Com uma seleção já tradicional de sons, e um time de djs formado apenas por meninas, aconteceu na última quarta-feira (14) a 20ª edição do Baile do LP na Vila Cultural Cemitério de Automóveis. Seguindo com a proposta trabalhar com vertentes pouco conhecidas de músicas latina, africana, brasileira, o evento trouxe à Londrina pela primeira vez a DJ Gabriela Pensanuvem (SP). Além de Gabriela, a seleção de djs formada só por mulheres contou ainda com Natália Monaco, Adrielle (Dri Selectress) e Gabriela Wis, já conhecidas do público que frequenta o Baile do LP.

Gabriela Pensanuvem comandando o som durante o 20º Baile do LP - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Gabriela Pensanuvem comandando o som durante o 20º Baile do LP – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O som começou por volta das 21h. Gabriela Wis iniciou os trabalhos tocando alguns clássicos do vinil para o público que timidamente começou a lotar o espaço. A artista Hadylle Moreira realizou uma live painting (Pintura ao vivo) durante o evento.  “O Gustavo (Veiga) tem uma pesquisa extensa de som no vinil, isso remonta à ideia tradicional da figura original do dj. O repertório foge um pouco da música ‘dominante’ na mídia atual, até pelo fato de que, não há muitos artistas atuais, em peso, lançando vinis – É algo mais restrito – e por isso acaba focando mais no resgate de sons dos anos 70,80,90… O estilo é algo como ‘Som Transatlântico’, brasileiro, africano, caribenho e outros…”, contou João Gabriel Domenciano durante a edição de aniversário do Baile, realizada em 2016 – Leia Matéria aqui.

O evento, que ocorreu na véspera de feriado atraiu bastante público para o Cemitério de Automóveis - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
O evento, que ocorreu na véspera de feriado atraiu bastante público para o Cemitério de Automóveis – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Entrevistamos a Dj de São Paulo, Gabriela Ubaldo (Pensanuvem) que contou um pouco sobre seus projetos.  Além de residente da festa Macumbia (Que terá uma edição nesta sexta em Londrina), realiza também outros eventos com projetos recentes como a ZAMBI, em parceria com o DJ Peba Tropical e o coletivo Pitangueira, com as DJs Dé Schuw e Mari Boaventura.  É criadora também do Festival Órbita, que já conta com 8 edições na Casa das Caldeiras.  Sobre o trabalho e pesquisa com a música latina, assim como a experiência de tocar em festivais e circular em eventos por cidades diferentes. Confira entrevista:

(Rubrosom) – Você começou tocando por volta de 2009, como foi esse início nas pickups? Li algo que seu trabalho do começo era + focado em reggae jamaicano.
Eu tocava, mas não com pick-ups, usava cds mesmo, e comecei fazendo uma homenagem pro Bob Marley. Tive umas deprês na época, ai foi pra casa de um amigo em Florianópolis, me cuidar um pouco, e ele só ouvia Bob Marley, em plena época que eu nem gostava, me aproximei muito e foi maravilhoso esse tempo, me aproximei muito do som do Bob Marley e decidi que ia fazer um evento pra homenagear a obra dele. O lance com o vinil apareceu depois, quando resolvi trabalhar mais com Cumbia.

Gabriela está na ativa desde 2009 e possui atualmente projetos onde toca música latina ao lado de outros djs -Foto: Divulgação
Gabriela está na ativa desde 2009 e possui atualmente projetos onde toca música latina ao lado de outros djs -Foto: Divulgação

 

Quais foram suas referências pra começar a tocar esse repertório mais ‘latino/groove’? Teve outros djs que te influenciaram?
Até hoje o que eu mais gosto de tocar é reggae. Mas é também o que eu menos toco por conta de outros projetos, dedicados à outros estilos, que foram caminhando pra frente. Eu tinha uma amiga que tocava como dj, e ela me falou dessa vertente mais ‘cumbia reggae’ que eu poderia gostar do som. Comecei a ouvir produções desse estilo, mais em mídias digitais mesmo. E com essa amiga a gente resolveu a fazer Macumbia (Que também será realizada em Londrina), o negócio foi crescendo e virou um projeto grande, foi ai que eu fiz uma primeira viagem para Colômbia, comprei bastante coisa de vinil e decidi que iria trabalhar só com discos. Nesta transição de CD para disco, nunca usei computador e nem controladora, é mais fácil de tocar com disco. Djs que me influenciaram, tem um de reggae que me influenciou que chama Ricardo Magrão. Ele falava muito sobre o preciosismo dos discos, de ter a coleção e o lance da trajetória sonora dentro do seu set acabou trazendo isso pro lance da Cumbia. Viajo bastante pra comprar discos (Não se encontra muita Cumbia aqui).

Além das capitais, você tem viajado e circulado pra festas e festivais em lugares bem diferentes (incluindo no interior), nos últimos anos o público aumentou, rolou talvez um ‘redescobrimento’ do público por essas vertentes latinas de som?
Poxa, o lance dos festivais, sempre foi um sonho em poder viajar tocando. Nunca estudei muito, fui aprendendo na marra. Acho que hoje rola uma articulação maior entre pessoas que tocam. Essa vinda pra Londrina mesmo tá acontecendo porque eu participei do Psicodália (Na época do Carnaval) ai o João que produz a festa aqui me convidou. Essa projeção tem muito a ver com a proposta sonora, o público que ama muito o som, uma hora isso vai se multiplicando, tem um apelo visual de projeção que chama a atenção do público que vai conhecendo o som.  

Você fez eventos com o pessoal/bandas do Selo Risco certo? (João comentou algo de você ter ajudado a levar bandas pro Dália), como foi essa parceria? Conheceu o pessoal de amigos em comum??
Eu sou amiga do pessoal do Risco há anos, ai rolou o convite para participar. Nunca tinha passado o carnaval em um festival assim, e foi maravilhoso, espero participar nos próximos.

Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Com essas redes novas todas hoje (Spotify, Mixcloud) ficou mais fácil pesquisar sons novos e quebrar barreiras de estilos? Você acha que essa tecnologia toda tem algum ponto negativo também?
Eu não curto muito essas ferramentas, não gosto do Spotify, não gosto dessa ‘vibe’ de pagar pelo som e dessa coisa de artistas lançarem trabalhos só por essa plataforma. Até hoje não tenho uma conta, não digo que nunca vou fazer, mas, meu trampo é outro. As coisas que eu pesquiso nem estão por lá, sou meio crica ainda, mas uso o mixcloud que me ajuda bastante a divulgar meus trabalhos. Essas ferramentas ajudam a divulgar pra outros públicos.

Como você pensa seu set antes dos eventos/festas, é algo mais espontâneo ou rola aquela ‘analisada’ no pessoal do lugar?
Quando toquei das primeiras vezes eu até anotei como eu deveria comandar os botões do mixer (risos). Hoje em dia, como é disco, você tem que fazer uma seleção prévia, participo em Londrina de três eventos distintos e, cada um com uma proposta, você acaba se virando nos trinta e vendo como é o pessoal.