Por Bruno Leonel

Nesta sexta (20) o rapper e compositor Bernardo Santos, mais conhecido como BNegão irá discotecar em Londrina. Conhecido tanto pelo trabalho com o Planet Hemp como também pela carreira solo e o projeto com os ‘Seletores de frequência’ o músico carioca se apresenta com seu projeto ‘bota som’ onde fará uma seleção de clássicos da black music e do funk. “A seleção é 100% free” em matéria de estilos e artistas que entram no repertório garante o músico. O som começa a partir das 21h no Bar Valentino durante a festa Funk Me.

Foto: FELIPE DINIZ/DIVULGAÇÃO
Foto: FELIPE DINIZ/DIVULGAÇÃO

O projeto ‘Bota o Som’ começou ainda na década de 90, durante breve pausa de Bernardo, da banda Planet Hemp (Veja a seguir).”Discoteco com cds porque além de serem fáceis de levar (junto com malas e outros pesos), também me dá a adrenalina de não saber o que vai acontecer em seguida. Tenho dois minutos (ou um pouco mais) pra escolher a música certa pra manter a pista no fervo, sendo que só toco o que eu realmente gosto”, contou o músico em entrevista ao Rubrosom. Segundo Bnegão aliás, um novo trabalho já está sendo gravado junto dos companheiros de ‘Planet’, mas, sem previsão para lançamento.

Aproveitando uma pausa entre uma viagem e outra, o músico conversou por e-mail com o Rubrosom. Durante a conversa o músico falou sobre o projeto atual, a questão de conciliar o ‘bota som’ com outros trabalhos e até sobre a forma como a política afeta (E influencia seu trabalho). Confira a entrevista:


Rubro – O projeto que você vai trazer essa semana pra Londrina o ‘Bota Som’ é um trabalho que você faz já há bastante tempo, como surgiu a ideia?
Cara, isso começou exatamente por conta da prisão do Planet, em 1998. Com a “implosão“ da banda, acabei sendo chamado pro time de djs da lendária festa Zoeira, que rolava na Sinuca da Lapa, no Rio de Janeiro, e a coisa fluiu imediatamente. À partir dali a coisa foi desenvolvendo e acabaram rolando convites pra discotecar pelo Brasil e pelo mundo. Tudo isso com um alto grau de ebulição na pista.

Como é o processo pra ‘selecionar’ o que vai tocar na pista? Vai mais de clássicos ou é meio ‘free’ pra tocar o que pintar de legal na hora?
Totalmente free, 100%. Quem criou o termo foi meu irmão Marcelo Yuka (Compositor e ex-O Rappa). O Bota Som, em tese, faz uso do que estiver à mão pra fazer o som rolar. No meu caso, uso discos digitais metálicos (os famigerados cds). O Bota Som não faz mixagens nem tem técnicas de dj. Ele se garante na seleção sonora. No meu caso também uso o microfone pra comunicação. E em quase toda festa alguém diz que curtiu geral o show (mesmo sendo uma discotecagem).

E sobre a agenda na estrada? Tem sido complicado conciliar shows (Seletores, Planet) com o ‘bota som’ ou ta numa fase mais tranquila de shows?
Os shows são prioridade sempre. As discotecagens, marco quando aparece espaço na agenda, e em via de regra, são marcadas com menos de 2 meses de antecedência (‘inna black ninja styla’), quando eu realmente tenho a certeza que a data não será utilizada por nenhuma banda.

O que você tem ouvido de bandas e artistas novos? Hoje em dia ainda você costuma acompanhar lançamentos buscar novidades?
Acompanho totalmente! As coisas que acontecem hoje em dia, aqui no Brasil, é que me dão gaz e me inspiram à seguir na missão. De bandas novas e outras nem tanto, posso citar o BaianaSystem (melhor banda do Brasil, atualmente, na minha opinião), Tássia Reis, Karol Conká, Tropkillaz, Nômade Orquestra, Far From Alaska, Strobo (banda sensacional, de Belém do Pará), Bixiga 70 e por aí vamos…

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BNegão e os ‘Seletores de Frequência’, artistas parceiros desde 2003 – Foto: Divulgação

Sua música (Em todos os projetos) sempre foi muito ligada à coisa da crítica política, contestação… Hoje em dia, você  tem ainda preocupação em buscar informações e trazer sempre isso pro seu trabalho?
Sempre. Entrei na música por isso, e esse continua sendo o foco principal das minhas letras e da minha caminhada como sujeito. Sem dúvida alguma.

E a política no Brasil em 2017? Tem como ser otimista ainda ou estamos numa ‘época obscura’ mesmo?
Estamos numa época obscura, sem dúvida alguma, mundialmente falando…mas eu nasci numa época pior que essa, portanto, isso não me assusta. Vou seguir incomodando quem precisa ser incomodado, e seguir agindo, visando a transformação positiva de qualquer ambiente em que eu esteja.
 
Uma curiosidade: Qual foi a inspiração pra fazer uma música como ‘Dança do Patinho’?? Hehe, é uma música que vejo ‘agitar’ muito em todos os shows que você faz…
A inspiração geral é o Brasil, mesmo. Costumo dizer que essa letra tem 516 anos (vai fazer 517, esse ano)… mas a fagulha inicial veio de um problema de uma banda antiga minha, com uma gravadora. Tinha um brecha no contrato que lascava a gente, e eu jurava que tinha lido tudo…à partir do momento que vi que tinha dado esse mega vacilo, fiz a primeira frase ( “você que assina contrato sem ler”), em homenagem à mim mesmo, À partir daí, fui listando situações clássicas brasileiras e saiu a letra.A música, fiz em parceira com o DJ Rodrigues: eu queria fazer um funk carioca com peso de uma tonelada no refrão, mas ele fez uma batida quebrada sensacional, e acabou descobrindo aquelas duas notas, que levam a música toda. Somei um stab feito com um som da orquestra do Duke Ellington e um som infantil da quebrada da música, pra dar um clima de “Patinho”mesmo, pro bagulho. E assim nasceu esse verdadeiro clássico do underground nacional…E sobre o trabalho com os ‘Seletores’ de frequência? Lançaram o ‘Transmutação’ em 2015 e partiram pra turnê… Fãs podem já esperar um trabalho em breve?
Esse ano será o nosso último ano de atividade. Mas vamos finalizar de forma avassaladora. Vamos lançar um disco de músicas instrumentais e outro dedicado ao Funk 70 (trilha pra festa “Funk Me” , com certeza). Somado à isso vamos lançar vários compactos de vinil, ao longo de ano, relançar o Enxugando Gelo em cd e lança-lo finalmente em vinil (duplo). Vamos fazer e lançar diversos clipes do Transmutação também, e ainda existe a pilha de gravarmos e lançarmos um DVD ao vivo. E seguiremos fazendo shows, até dezembro, pelo Brasil e pelo mundo todo.


SERVIÇO
Festa Funk Me
Com BNegão
, Dj Ed Groove e Boogie
Sexta-feira (20) a partir das 22h
Entrada: R$ 15