Por Bruno Leonel

A banda sorocabana Wry (Uma das mais clássicas do rock alternativo brasileiro da virada dos anos 90/2000) se apresenta em Londrina no próximo dia 04 de Junho. O grupo toca no evento Undergaia, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis (Rua João Pessoa, 103), que também contará com a participação da banda Loladéli (Já entrevistada aqui no RubroSom) além de discotecagens de Carol Dutra e Flávio Testa.

Novo disco de inéditas da banda começa a ser produzido ainda neste ano - Foto: Fabrício Vianna.
Novo disco de inéditas da banda começa a ser produzido ainda neste ano – Foto: Fabrício Vianna.

Wry debutou no ano de 1994 quando tocou em festivais como o Juntatribo II, em Campinas/SP. Influenciados pelo rock britânico, e cantando em inglês o grupo carregava referências de bandas como Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine, Legião Urbana e U2. No ano de 1995 gravaram a primeira demo-tape intitulada Morangoland e desde seguiram tocando por várias cidades do país, e também, fora – Como durante o período em que se mudaram para a Inglaterra no ano de 2001, e ficaram por quase 8 anos. De volta ao Brasil, baseados novamente na cidade de Sorocaba, lançaram o trabalho ‘She Science’ de 2009 e pouco tempo depois entraram em hiato.

De lá pra cá, os membros se envolveram em projetos pessoais (Como a inauguração do Asteroid Bar, em Sorocaba) e mais recentemente, no ano de 2014, após um celebrado ‘show de retorno’ , decidiram cair na estrada novamente… A nova turnê parece ter ‘reacendido’ a chama e o grupo inclusive já se prepara para gravar um novo disco de inéditas. Enquanto o trabalho não chega, fãs podem conferir o vinil Whales, Sharks and Dreams, (Sonovibe) – Edição especial remasterizada dos EPs ‘Deeper in a Dream’, lançado originalmente em 2014 e Whales and Sharks, lançado na Inglaterra em 2007 pelo selo Club AC30. Com 10 faixas o disco conta com a inédita  “Million Stars”. A bolacha de 12 polegadas pode ser encontrada em lojas especializadas, entrando em contato com a banda.

Aproveitando a passagem do WRY por Londrina, o RubroSom entrevistou o vocalista e guitarrista Mario Bross que contou um pouco sobre o atual momento do grupo, relembrou algumas histórias e falou também sobre o futuro. Confira a entrevista:

Depois de alguns anos sem tocar, vocês fizeram um show de ‘volta’ em 2014 que foi recebido com entusiasmo pelo público… Como foi esse retorno para o Wry? O entusiasmo pra mais shows voltou ali, ou, já tinham planos de prolongar isso?
Depois que paramos em 2010, devido ao Asteroid que tomava nosso tempo, não pensávamos em voltar… O bar já alimentava nosso vicio por produção musical. Acontece porém que teve um encaixe de datas, na qual todos os membros estariam na mesma cidade na mesma época que celebraríamos a formação do WRY, foi dai depois desse show comemorativo que a chama reacendeu de vez e muito mais forte.

Como tem sido a rotina da banda hoje? Agora com o Asteroid (Bar) imagino que ficou mais corrido pra todo mundo…
O Asteroid tem uma equipe boa que trabalha com a gente, o pessoal é muito profissional e sabe o que faz. É corrido porque estamos no meio de shows, mas conseguimos tirar de letra e a rotina está muito boa. Lógico que não nos desligamos do bar, que é algo que amamos igualmente.

Vi algo sobre o ‘próximo disco’ de vocês ser planejado para soar como um trabalho um pouco diferente (Outros arranjos, ecletismo)… Diferente, exatamente, em quais aspectos? O que dá pra adiantar sobre o disco?
Menos paredes de guitarras, mais espaço pra arranjos diferentes nos vários aspectos da canção, e com bastante oxigênio. Eu diria que mais livre, saindo dos limites que um gênero mais exclusivo pode traçar.

Em que passo ele anda aliás? Tem muitas faixas prontas já?
Estamos trabalhando com 8 músicas no momentos e outros ideias surgindo. A gente grava, mas é uma pré-produção, só entraremos em estudio em definitivo por volta de outubro.

A banda surgiu em uma época onde havia muitas revistas/rádios de rock – Havia todo um ‘aparato’ que contribuía com as bandas… Hoje, os tempos são outros, o rock especialmente tem menos espaço na mídia… Esse tipo de coisa pesa para o Wry de 2016? Vocês se consideram talvez ‘sobreviventes’ dessa geração?
Hoje é diferente, mas acho que nesse exato momento está surgindo uma nova vida pra música independente, sentimos que está se engrenando apesar de muitos defeitos ainda. Desde a volta já fizemos uns 50-60 shows e dá pra notar uma melhora, uma preocupação maior daqueles que estão organizando. Ainda não chega a ser plausível, mas só o fato de começarem a entender o motor do negócio, é um passo muito legal!

A banda se mudou para Inglaterra em meados de 2000, em uma época onde poucas bandas nacionais (Pelo menos conhecidas) arriscavam esse tipo de coisa… Qual você acha que foi a maior conquista dessa temporada? Teve também pontos negativos dessa época?? (Alguma coisa que talvez, se fosse hoje, fariam diferente).
Não mudaria nada, gosto do jeito que foi até hoje e onde estamos, é claro que se tivesse mais dinheiro voltaria mais vezes pro Brasil na época gringa. É muito dificil o mundo do “se…”, na verdade. de qualquer forma, nossa época na Inglaterra foi fantástica, anos incríveis, de muito aprendizado. Ponto altos foram os shows grandes que fizemos com Ash, The Subways e The Rakes, o lançamento com o selo londrino Club AC30 e a presença do My Bloody Valentine em um dos nossos shows, o qual amaram, e depois na minha vida particular conversar várias vezes com Kevin Shields, um idolo musical pra mim.

Daria pra citar duas bandas nacionais (e duas estrangeiras) da atualidade que vocês gostem do trabalho?
Tame Impala e M83, das internacionais e das nacionais fica dificil, curtimos várias, Lava Divers, Justine Never Knew The Rules, INKY e Thiago Pethit.

Há um certo ‘revival’ atualmente de bandas que, foram populares nos anos 90, e que hoje, de volta aos palcos percebem que possuem um público ainda maior do que naquela época (My Bloody Valentine, Slowdive, etc…) embora vocês estivessem na ativa por mais tempo (Até 2011) acha que o Wry atingiu esse status de ‘banda clássica’??
Dentro do alternativo nacional eu diria que sim, apesar de termos vivido aqui até 2001 e depois voltamos só em 2009. Depois de 2001 só tocamos no Brasil em 3 turnês, todas na forma de 15 a 18 shows. Eu acho que de certa forma tem muita gente pra conhecer o WRY ainda.

Sobre os shows dessa turnê… Com tantos discos, tem sido difícil escolher as músicas do setlist? Tem mais faixas ‘clássicas/obrigatórias’ ou faixas mais recentes também?
Nesse show tem músicas de todos os trabalhos, fazemos de 12 a 13 músicas no show num espaço de 60 minutos. Tá bem divertido!

Até aqui, qual você considera o melhor trabalho do Wry? Tem alguma história curiosa dos bastidores da gravação, ou da época em que o ‘mesmo’ foi realizado??
Olha eu achava que era o EP inglês Whales and Sharks (Que está dentro do LP Whales, Sharks and Dreams 2016), mas agora com os novos trabalhos, que estamos fazendo, eu posso dizer com clareza e firmeza, o nosso próximo disco é o meu preferido! Alguma curiosidade? Já tropecei em disco de ouro (ou platina) do Is This It dos Strokes na época da gravação do Flames in the Head, porque gravávamos com o Gordon Raphael (Que produziu os dois primeiros dos americanos). E ter Tim Wheeler, do ASH, fazendo ‘backing vocals’ pra você na gravações de In the Hell of My Head é maravilhoso né?


Serviço
Undergaia – Com Wry + Loladéli (+ Discotecagens)
Quando:
Sábado (04/06)
Onde:
Cemitério de Automóveis
Quanto:
R$ 15 (Até às 23h) depois R$20

O Cemitério de Automóveis conta com o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC)