Por Bruno Leonel

O artista paulista David Magila participa nesta semana de dois eventos em Londrina como parte da programação do Sesc Cadeião em Londrina. Com um foco no trabalho de pintura e desenho, o artista estará nesta semana realizando uma oficina de pintura mural dedicada à pessoas de várias idades. Além da prática, o artista realiza também um bate-bapo no próximo domingo (5) onde falará um pouco sobre os principais aspectos do seu trabalho e alguns eventos do qual participou.

Uma pintura feita no mural de 8m do salão principal do espaço também está sendo preparada para o evento. “Nessa apresentação, eu acabei fazendo um recorte dos meus últimos trabalhos, tem mural e tem trabalhos menores que tenho feito no ateliê, é uma apresentação dos meus últimos trabalhos que busca mostrar o processo que foi feito aqui, todos os dias estou registrando e irei mostrar esse processo durante a apresentação”, contou o artista.

O artista David Magila em frente ao painel que está produzindo, no salão principal do Sesc Cadeião - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
O artista David Magila em frente ao painel que está produzindo, no salão principal do Sesc Cadeião – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Natural de São Caetano do Sul – SP, (Filho de uma família descente de Lituanos e Poloneses) David se formou em cursos de desenho clássico e aquarela no Liceu de Artes além de ser graduado como Bacharel de Artes Plásticas no Instituto de Artes da UNESP no campus São Paulo. Recentemente recebeu alguns títulos importantes como um Prêmio na categoria “Conjunto da Obra’ no 1º Festival Camelo de Arte Contemporânea – Casa Camelo – Belo Horizonte – MG – Brasil em 2016 e também o Prêmio Aquisitivo no ’40º Salão de Arte’ de Ribeirão Preto – MARP – SP – Brasil.

Terra Rossa - Pintura Mural feita em Galpão na cidade de Londrina - Foto: Divulgação
Terra Rossa – Pintura Mural feita em Galpão na cidade de Londrina – Foto: Divulgação

Cores vivas, recortes que flertam com figuras e elementos do cenário urbano, e peças planejadas para serem executadas de força personalizada em determinados espaços (Site Specific) são algumas das principais características do artista. O trabalho em Londrina, segundo David, é resultado de um projeto submetido ao Sesc ainda em 2016. “Tive um contato com o espaço após participado de uma semana de artes na DAP (Divisão de Artes Plásticas) da UEL… É um projeto feito  para cá, após ter conhecido o espaço e gostado da história do espaço”, contou Magila ao Rubrosom. É já a terceira vez que o artista participa de eventos na cidade.

Painéis do artista feitos para a exposição 'Meio-Fio' na Galeria OMA - Foto: Divulgação
Painéis do artista feitos para a exposição ‘Meio-Fio’ na Galeria OMA – Foto: Divulgação

Em entrevista, David comentou sobre suas principais referências, o trabalho que desenvolve durante suas viagens e também sobre a importância de levar a arte a novos espaços. Falou inclusive sobre a polêmica recente, ocorrida em São Paulo, na qual murais e painéis com grafites e pinturas foram apagadas por ações da Prefeitura Municipal. “Os trabalhos que eu faço são todos a partir de uma ligação com o próprio local, esses trabalhos ‘site specific’ voltados ao ambiente e que conversam com a arquitetura e espaço do local. Eu acho que, pra mim, é super importante fazer um trabalho que dialogue com essas informações”, contou o artista. Confira a entrevista:


Você veio já algumas vezes a Londrina participando de eventos?
Eu vim em 2013, quando participei de outro evento do DAP… Na ocasião eu enviei trabalhos para a seleção e montaram uma exposição com alguns dos trabalhos que eu tinha feito. A partir disso comecei a ter um conhecimento maior dos espaços (Voltados á arte) na cidade…

Um dos eventos essa semana é referente a uma oficina de pintura mural… Há quanto tempo você trabalha com essa linguagem?
Eu tenho trabalhado muito com instituições, quando se trata de pintura mural em larga escala… Hoje to fazendo aqui esse painel com 8 metros de altura, com mais ou menos 20 de largura, são trabalhos especiais feitos para espaços via-edital. Já fiz algumas experiências com o Sesi, nesse sentido de fazer uma pintura e, depois, fazer uma oficina para pessoas interessadas, sejam eles estudantes ou adolescentes… Em 2016 fiz um projeto em Bragança Paulista, que foi bem interessante, desenvolvemos uma pintura mural em um edifício da Prefeitura e, assim, fui lá e ativei esse espaço novamente. Fiz uma oficina também com pessoas interessadas em um festival de inverno da cidade. Pessoas de várias idades. O que é muito enriquecedor… Além de fazer um trabalho que eu propus, é importante criar uma certa educação visual para as pessoas.

Quando você pega adolescentes e crianças assim, existe um tratamento de educar essas pessoas para que elas possam ver o trabalho de artes com uma forma diferente, como uma pessoa que está envolvida e que sabe onde ela está, sabe questionar e analisar também…

Falando de uma polêmica atual, você já fez trabalhos em espaços públicos também, tem esse lado da ‘pintura mural’…. Em São Paulo tivemos o caso recente do Prefeito João Dória apagando murais e painéis com obras de artistas diversos, tem alguma leitura sobre isso?
É um processo quase criminoso o que o Prefeito tem feito por lá… É uma forma higienista de que você com uma tinta cinza vai educar uma população, de que você irá acabar com problemas de uma cidade super complexa, e, pelo contrário. Esse tipo de atitude, que eu acho que o grafite, o picho, a arte de rua, tudo isso se engloba… Acho que isso é uma forma de completamente equivocada de educar uma população, você tem que fazer o contrário, você tem que incentivar para que as pessoas tomem a cidade para elas, não ficar achando que todo mundo precisa ficar em casa, preso a um espaço para se fazer arte, com espaços para fazer lazer, a cidade é de todo mundo, ela tem que ser ocupada, ela tem que ser viva…

Simples Figuração 7 Exposição coletiva Do Traço ao Palco na Praça das Artes, SP - Foto: Divulgação
Simples Figuração 7 Exposição coletiva Do Traço ao Palco na Praça das Artes, SP – Foto: Divulgação

É a partir disso que as coisas acabam acontecendo de uma forma melhor. Se você proíbe, você está gerando conflitos, isso pode virar uma guerra de ‘gato e rato’… Você cobre uma obra, ai pichadores vão lá e reagem, e fica essa coisa de quem tem mais tinta pra apagar, sendo que uma cidade como São Paulo tem problemas muito mais sérios para resolver. Indo pra assuntos básicos, falta tudo na cidade.

E as suas referências, dá pra citar nomes que te influenciem?
Referências eu tenho diversas… Não só de artistas mas, de outras mídias também. Atualmente a gente recebe níveis de informação muito altos, quando você fala em ideias vem do cinema, internet, rádio em vários formatos. Mas eu gosto muito dos clássicos, como ‘ Cy Twombly ’, um cara que tem uma potência na pintura muito interessante. Gosto do Richard Diebenkorn , um artista muito bom, gosto do Henri Matisse, esses caras em geral…

Você falou que Londrina tem um circuito legal aqui para a arte em Londrina?
É, eu vejo que pela viagens que fiz, tem algumas cidades que são mais interessantes do que outras… por conta de uma política pública, por incentivos do governo, por ações independentes mesmo, da população, da própria cena artistica e, o que me chamou a atenção é que há espaços até mais formais (Como a UEL) e locais como o Sesc, é um espaço que acaba atingindo pessoas de uma forma diferente, sem falar em espaços independentes que chegam à outras faixas de público, acho que isso só movimenta e tende a agitar a cena.


INFORMAÇÕES
Bate Papo com David Magila 
– Dia 05 de fevereiro às 16h
Oficina de Pintura Mural – Dia 03 de fevereiro às 15h – De 13 a 15 anos
Inscrições: (43) 3572-7700