Por Bruno Leonel

‘Aumenta pra mim o volume do microfone? Isso joga uns dez reais ai no volume (Microfonia) foi demais! Joga só uns cinco reais…’, brinca o músico com o técnico, durante a passagem de som na Concha Acústica de Londrina. Bem humorado, performático e dono de um carisma peculiar… Essas são algumas características do músico e compositor Eduardo Dussek que se apresentou na semana passada durante uma passagem pelo Festival Internacional de Londrina (FILO). A apresentação gratuita ocorreu na região central de Londrina e reuniu fãs de várias gerações do músico. “Sou muito sortudo em ter público de diversas classes sociais”, contou o músico em entrevista ao Rubrosom. Em Londrina, Dussek se apresentou acompanhado dos músicos: Marcio Mazza (Bateria e percussão:) | Franklin Gama (Baixo) | e Elias Borger (Saxofone e flautas:).

Eduardo Dussek - Não se pode ter medo de fazer o que quer
‘Acho que não se pode ter medo de se fazer aquilo que se quer fazer, estudar muito também, assumir que você tem uma arte que é meio maluca meio diferente, mas que o povo entende’, contou Dussek sobre o trabalho ao longo dos anos – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

É a segunda participação do músico em uma edição do Filo, em 2011 ele se apresentou durante o Cabaré (Ambiente voltado à atrações musicais), segundo ele, ambientes diferentes pedem repertórios diferentes. “Hoje, logo na passagem de som, já deu pra perceber que o público terá mais pessoas do povão, e eu adoro povão“, contou o músico. Como não pode deixar de ser, o público conferiu sucessos, escritos ao longo dos 40 anos de carreira do compositor como “Rock da Cachorra”, “Barrados no Baile”, “Cantando no Banheiro” e muitos outros dessas quatros décadas. Além de compositores que Dussek admira como Rita Lee, Gilberto Gil, Tim Maia, Tom Jobim e mais. “Londrina me recebeu em festa na última vez, e agora volto para dar minha festa para os londrinenses. Esta cidade é uma festa!”, diz.  Durante a entrevista Dussek falou sobre o longo tempo de carreira, a influência das artes cênicas em seu trabalho (Ele começou fazendo trilha sonora para peças de teatro quando ja estudava na Escola Nacional de Música) e a preocupação em não se repetir. Confira a entrevista completa:

Eduardo você tem uma estrada já de 40 anos de carreira… O que você pode sentir neste tempo todo em relação ao público? Deu uma renovada, as vezes são filhos das pessoas que te acompanham no começo?
Sem dúvida, aumentou bem, a terceira idade que não ia com a minha cara passou a ir com a minha cara (risos) por causa de shows que eu fiz sobre Carmem Miranda, Sassaricando, sobre o Carnaval. A galera que tem minha idade, a partir dos 50 me curte, e o pessoal filho dessa gente também, fica uma festa em família, com todo o tipo de gente, sou muito sortudo em ter público de diversas classes sociais, posso ir desde um show em um lugar mais chique como num lugar mais humilde, sou sempre bem recebido, é muito bacana!

Há uns 5 anos (Em 2011) você também passou pelos palcos do FILO, em Londrina, se apresentando durante o Cabaré, era um espaço mais restrito… E hoje você se apresenta aqui na Concha Acústica, em um evento gratuito, seu show muda muito nos dois ambientes?
Muda alguma coisa sim, porque eu faço mais popular ou menos, mais sofisticado ou menos sofisticado. Mas o ‘mood’ (Humor) é sempre o mesmo, deixar as pessoas alegres. Lá no Filo de 2011, por ser o Cabaré, tinha uma conotação mais teatral, havia muita gente da dança, do teatro. Hoje, logo na passagem de som, já deu pra perceber que o público terá mais pessoas do povão, e eu adoro povão, o pessoal canta junto, se intromete, dança junto e ai fica muito emocional, muito brincadeira vira uma festa com bolo e guaraná!

Seu trabalho musical sempre foi envolvido com essa coisa da atuação, você fez trilha sonora para teatro, trilha sonora para novela, atuou em alguns trabalhos também… Como você leva esses dois trabalhos? Um agrega coisas no outro?
Acho que é tudo a mesma vertente! A coisa de sensibilizar o ouvinte ou o admirador da arte, sensibilizar quem quer que seja, quem está teatralizando junto. Já trabalhei também com arquitetura, com rádio, sou ator, já dirigi algumas peças e shows – Sou pintor também, tenho feito alguns quadros – além de escrever, sinto sempre a mesma coisa. Você só consegue realizar, após muito esforço você tem a recompensa da transcendência, é uma barreira que você tem que atravessar. Depois que o foguete sobe e ultrapassa a atmosfera, ai meu irmão é só flutuar (Risos).

Quarenta anos depois…. Criar se torna mais difícil com o passar dos anos? Tem uma preocupação da sua parte em de repente não repetir coisas?
Não se repetir sim… Não cair nas mesmas ideias, mas, acho que não se pode ter medo de se fazer aquilo que se quer fazer, estudar muito também, assumir que você tem uma arte que é meio maluca meio diferente, mas que o povo entende. Nestes 40 anos de carreira sinto que tem um retorno legal.

E os novos projetos? Tem algo para esse ano ainda que pode adiantar para gente?
Eu prometi pra mim mesmo que faria três coisas em comemoração a esses 40 anos de carreira; Que eu faria um show novo, diferente do show de hoje, mas um com músicas românticas e algumas coisas tiradas do baú. Tem um livro chamado ‘Trôpego de Capricórnio’ onde irei escrever sobre minha carreira, que é muito engraçado, misturando ficção e realidade, de um jeito divertido; E um CD duplo com músicas românticas/engraçadas em músicas românticas/românticas mesmo no outro… Sei lá quando sai, acho que demorarei uns 40 anos para comemorar estes 40 anos (risos) com essa crise é difícil saber ao certo.