Por Bruno Leonel

Com um time de djs bastante variado – que contou com Nati Mônaco, GabiWis e Fleury (do Bixiga 70) além do residente Gustavo Veiga – a 17ª edição do Baile do LP agitou o público e misturou ritmos durante o último sábado (11) na Vila Cultural Cemitério de Automóveis em Londrina. Com a ideia de explorar vertentes pouco conhecidas das músicas latina, africana, brasileira (E outras), e com apenas sons de discos de vinil, o evento cada vez mais consolida sua proposta de pesquisa/discotecagem em sua ideia de divulgar sua vertente de som intitulada como ‘Som Transatlântico’ (Segundo os próprios organizadores).

Nati Mônaco foi uma das djs que comandou o som durante o evento do último sábado (11) - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Nati Mônaco foi uma das djs que comandou o som durante o evento do último sábado (11) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O som começou por volta das 21h. Gabriela Wis iniciou os trabalhos tocando alguns clássicos do vinil para o público que timidamente começou a lotar o espaço. Até quase perto das 23 (Horário em que Nati Mônaco já fazia seu set) um cemitério de automóveis, já bem mais cheio, ocupava o lugar que se envolvia em ritmos diversos como funk, black music e até cumbia.

Evento durou até perto de 3h da manhã - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Evento durou até perto de 3h da manhã – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

“O Gustavo (Veiga) tem uma pesquisa extensa de som no vinil, isso remonta à ideia tradicional da figura original do dj. O repertório foge um pouco da música ‘dominante’ na mídia atual, até pelo fato de que, não há muitos artistas atuais, em peso, lançando vinis – É algo mais restrito – e por isso acaba focando mais no resgate de sons dos anos 70,80,90… O estilo é algo como ‘Som Transatlântico’, brasileiro, africano, caribenho e outros…”, contou João Gabriel Domenciano durante a edição de aniversário do Baile, realizada em 2016 – Leia Matéria aqui.

Um dos convidados de peso da edição foi também o músico Maurício Fleury do Bixiga 70, que paralelamente ao trabalho como instrumentista, desenvolve já o trabalho com discotecagens há pelo menos 15 anos. “Me arrisco bastante nos disco também (risos) desde moleque, é um trabalho tão importante quanto o trabalho como instrumentista, é muito importante pra mim conhecer e pesquisar sonoridades e coisas tipo inusitadas, porque a busca da música hoje em dia já fica bem filtrada, o disco vem de um conhecimento que rola em lojas de discos, algo mais paralelo…”, contou o músico que no Bixiga 70 é responsável pelas guitarras e teclados.

Fleury durante sua discotecagem no último baile do LP - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Fleury durante sua discotecagem no último baile do LP – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Segundo Fleury, sua maior preocupação com o repertório é pesquisar sons e trazer coisas do ‘terceiro mundo’ que sejam fora do eixo Europa/Eua. “Gosto muito de música latina, música brasileira meio desconhecida, pra mim é fundamental conhecer coisas, como eu viajo muito, considero muito esses ‘filtros’ que recebo o tempo todo, discos que ganho de amigos as vezes, a música colombiana hoje acho muito importante, já fui até a Colômbia apenas pra comprar discos (risos), e ainda conheço músicos que fazem esse tipo de som (o músico cita a banda ‘Los Piranhas’ que faz um som nessa linha também), vejo que hoje existe toda uma escola da pesquisa de grooves intercontinentais, é legal essa troca com djs mexicanos, tailandeses e de outros lugares… Uma coisa legal que descobri outro dia foi funk da Iugoslávia, viajei pra região e comprei alguns discos do estilo, isso mostra que tem coisas do mundo todo e que tem muito a ver…”, contou Fleury em entrevista ao Rubrosom. Além de circular bastante com o Bixiga 70, o músico já se apresentou como dj em eventos importantes na europa e festivais como o Sónar SP em 2012 e também eventos em Curitiba. Segundo ele, sua banda deve lançar ainda material novo neste ano.

Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Foto: Bruno Leonel/Rubrosom