Por Bruno Leonel

Gerações de antigos e novos ‘rockeiros’ compartilharam energia e boa música durante o último sábado, no centro de Londrina, durante evento na Concha Acústica. A celebração em prol do ‘Dia Mundial do Rock’ (Que oficialmente acontece só no dia 13 de julho, mas que teve o evento adiantado para coincidir com o sábado) reuniu som de qualidade, uma presença impressionante do público e mais de 6 horas de músicas reunindo em um mesmo local diversas bandas que fizeram (E ainda fazem) parte da história do rock Londrinense. O evento conta com o apoio do ‘Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

Dia mundial do rock – Concha Acústica de Londrina 09/07
Público acompanha show da banda Imagery na Concha – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Mais uma vez, o evento teve o apoio do Festival Internacional de Música de Londrina (FIML) e contou com direção de Paulão Rock and Roll, que também fez as vozes de ‘Mestre de Cerimônias’ do local. A partir das 16h, as primeiras bandas já tocavam em alto e bom som. O equipamento de qualidade, aliado  a uma boa regulagem (Que contou com ninguém menos do que Angelo Galbiatti na mesa de som) garantiram um som de qualidade, mesmo para quem estava bem afastado do local. Soaram bem tanto as bandas mais ‘leves’ como também nomes mais ‘agressivos’ nos sons – Como o grupo de punk rock Polemik e o Turbo com seu Hard Rock. “Hoje fizemos um show 100% autoral, raro em Londrina isso, foi legal ver o povo cantando algumas músicas junto (Como ‘Manifesto Carnívovo’, acompanhada por um grupo de pessoas na frente do palco). Acho que a atração busca sempre atrações que animem o público, temos dado sorte nesse ponto, ficamos bem felizes com isso e sempre chamam a gente novamente…”, contou Ricardo Pigatto, vocalista do Turbo que participou pelo terceiro ano seguido do evento na Concha. O grupo atualmente divulga o primeiro disco de estúdio ‘Música para Pessoas Rústicas’.

Banda Turbo, a penúltima a se apresentar no evento, envolveu parte do público com seu hard rock - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Banda Turbo, a penúltima a se apresentar no evento, envolveu parte do público com seu hard rock – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

As apresentações curtas de cada grupo – Em média 5 ou 6 músicas de cada um – garantiram um dinamismo ao evento. Boa oportunidade para que o público conhecesse mais bandas em menos tempo, e até, ficasse com um gosto de ‘quero mais’ quando algumas das apresentações pareciam encerrar um tanto quanto ‘prematuramente’ (Isso é de praxe em eventos do tipo na concha). O bom som envolveu plateias de vários tipos. Próximo ao palco era interessante notar até famílias inteiras, envolvendo até três gerações diferentes, acompanhando o som de perto. Mesmo senhoras e pessoas de mais idade vez ou outra paravam para observar as bandas que tocavam no evento. “A dificuldade foi apenas passar o som rápido e já tocar, mas foi sensacional, legal demais, sempre que chamarem estamos ai… Hoje tinha crianças, pais, galera do rock, gente avulsa, todo mundo gostando, rock é isso ta no coração de todo mundo”, contou Denis Carvalho do ‘Oldies’ que se apresentou na concha reunindo músicos já experimentes de vários outros projetos e gêneros de Londrina.

Dia mundial do rock – Concha Acústica de Londrina 09/07
A banda ‘Oldies’ com o vocalista/guitarrista Denis Carvalho e o baixista Diego Menê reuniu músicos veteranos de outros gêneros e músicos de Londrina – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Por volta das 17h, o pessoal do Usina, terceira banda a se apresentar, já estava no palco resgatando alguns clássicos do rock e fazendo uma boa apresentação que envolveu novos  (E nem tão novos) fãs de rock. Não faltaram pérolas do Hard Rock como sons do Whitesnake e até do Kiss; “É muito legal participar de eventos assim, a gente é velho, da turma dos anos 80 e é o que a gente toca, até pra fazer um remember daquilo lá… É muito massa, vimos gente de tudo quanto é idade, encontrei um monte de gente das antigas e das novas gerações. Acho inclusive que poderiam ter mais eventos assim, voltados para o rock há ainda pouco espaço”, contou o músico José Alfredo de Paula Junior do Usina (Terceiro grupo a se apresentar no dia).

Outra apresentação competente ficou a cargo do trio progressivo Imegery (Provavelmente a melhor banda do festival, em relação ao virtuosismo e a habilidade técnica dos integrantes). A banda não tem um estilo fácil para ouvintes mais desavisados. Com as características típicas do gênero, andamentos quebrados aliados à mudanças súbitas de dinâmica marcaram presença na apresentação intensa e enérgica da banda. “O rock de uma forma geral, não é algo ‘mainstream’ como já foi. Pra gente que faz progressivo, que é ainda mais restrito, fica muito mais complicado para conseguir um acesso como este. A característica principal do gênero é a preocupação com a música, e a aceitação do público é uma preocupação disso. A gente espera que as pessoas entendam e se comuniquem, além de aprender um som novo“ contou Bruno Pamplona, baterista e vocal do Imagery. A banda está já há 6 anos em atividade.

O Brown Vampire Catz levou seu Psychobilly ao evento - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
O Brown Vampire Catz levou seu Psychobilly ao evento – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Quase um ativista do rock na cidade, o Músico Luke de Held também fez uma participação enérgica no evento, ao RubroSom ele contou um pouco do ‘embrião’ da ideia. “A gente começou essa história há alguns anos e, iniciou como ‘concerto pela paz’ ai veio o insight de fazer o evento do dia mundial do rock… Nas primeiras edições a gente somava forças, eu e o Paulão… junto das bandas e a partir do ano passado, o Festival de Música de Londrina atento a esse movimento passou a abraçar a causa, cedendo a estrutura para que as bandas pudessem se apresentar para o público gratuitamente… Fico feliz de ver que essa semente de anos atrás frutificou, o evento tem vida própria já. É isso que transforma o rock em cultura, essa coisa de transcender gerações, só fico com o coração repleto de gratidão vendo isso”, contou o músico Luke de Held, um dos idealizadores do projeto que se apresentou junto de amigos com um repertório especial com vários clássicos do rock.

Luke de Held (O último do lado direito) and friends fez também uma apresentação empolgante já durante a noite no festival - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Luke de Held (O último do lado direito) and friends fez também uma apresentação empolgante já durante a noite no festival – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

A direção do evento ficou por conta de Paulão Rock and Roll, que faz também a apresentação do show. Um espaço ao lado da concha foi montado para que fãs pudessem comprar camisetas, ‘merchans’ dos artistas e também bebidas (Que oscilavam na faixa dos R$4 cada uma, preço na média de eventos do tipo na cidade). Havia também uma ambulância de plantão para eventuais ocorrências.  “Tentamos honrar hoje a chance de fechar o evento, o repertório foi focado nas autorais apenas, por uma questão de logística nós tivemos que cortar um pouquinho, mas foi sensacional, gostamos muito da energia do público… É um espaço de oportunidade para bandas que iniciam, e para divulgar música no geral, é uma vitrine, poderíamos ter mais eventos do tipo, é um grande acontecimento”, comentou Thiago Galeli vocalista  e guitarrista do Busker Denim que fechou a apresentação na concha.

Ao final do evento, por volta das 22h20 esse foi o cenário pós-shows - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Ao final do evento, por volta das 22h20 esse foi o cenário pós-shows – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Consolidando o evento como parte do calendário cultural da cidade, a quinta edição do ‘Dia Mundial do Rock’ na Concha teve saldo positivo. Mesmo quem não era familiarizado com o gênero, no mínimo, parou para observar a música no local. Eventualmente vizinhos reclamavam do barulho e até se manifestavam contra – Em alguns momentos, houve até registros de pessoas, moradoras dos prédios próximos, arremessado objetos pelas janelas na direção de pessoas que estavam pela concha. Um bloco de gelo quase atingiu uma pessoa da nossa equipe(??!), além de questões pontuais o evento ocorreu com qualidade e boa música, consolidando a proposta inicial de levar música ás pessoas de forma acessível, e ainda, contando com notória variedade de nomes e gêneros… Falta muito para o próximo evento na Concha?