Por Bruno Leonel

Foi positivo o saldo dos primeiros 12 shows ocorridos no final de semana de estreia do Demo Sul 2016 em Londrina. Performances competentes, boas surpresas e até shows emocionantes (Históricos?) estão entre alguns dos pontos altos da primeira safra de apresentações.

Demo Sul - Festival tem início positivo com os primeiros 12 shows
Patife Band fez uma das apresentações mais memoráveis desta edição do festival – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Desde o início dos trabalhos na última sexta (4) com De um Filho, De um Cego, na Concha Acústica, passando pelo Blues responsa da Luke de Held & The Lucky Band o swing da Central Sistema de Som e uma apresentação inspirada da Patife Band, acompanhada com entusiasmo pela platéia, o início do festival deste ano não poderia ter sido melhor.

Demo Sul - Festival tem início positivo com os primeiros 12 shows
Com oito integrantes no palco (E instrumentos como flauta transversal) a curitibana Central Sistema de Som fez uma apresentação repleta de swing – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

É possível arriscar aliás que duas das melhores apresentções do festival já aconteceram logo na estreia: De um Filho, De um Cego – Que debaixo de um sol escaldante levou sua psicodelia e lirismo para os palcos da Concha Acústica – assim como Patife Band, que em um show inspirado, cheio de improvisos e virtuose, com direito até à cantos ‘scat’ do vocalista percusionista Paulo Barnabe (O Paulo Patife), este último o show que mais fez pessoas se agruparem na frente do palco para prestigiar o coletivo que, desde 2006, não tocava em Londrina.

Homenageando o Blues e os ritmos do Mississipi, Luke de Held and the Lucky Band fez uma apresentação ainda durante o dia, fechando com uma versão para 'Make it with chu' do Queens of the Stone Age - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Homenageando o Blues e os ritmos do Mississipi, Luke de Held and the Lucky Band fez uma apresentação ainda durante o dia, fechando com uma versão para ‘Make it with chu’ do Queens of the Stone Age – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Sábado (5/11) – No Dia seguinte, em um ambiente mais confortável, o Iate Clube – Mas que, em alguns momentos, teve a qualidade de som prejudicada pela quantidade de reverberação (Sobretudo em shows mais pesados como o do Motorocker) – recebeu nomes mais novos, como o Loladéli que fez uma apresentação bastante intensa (Mesmo tendo tocado apenas meia hora), junto à veteramos-mor como o aguardado Di Melo (Nome mais antigo do festival), que tocou acompanhado da banda londrinense Sarará Criolo. Hits de seu disco clássico (1975) como (Kilariô e A vida Em Seus Métodos Diz Calma) assim como faixas de seu 2º disco, ‘O Imorrível’ lançado 41 anos depois… animaram a plateia. “Tenho ainda umas 400 músicas inéditas feitas… Mas nunca se sabe né? Não é porque sou ‘imorrível’ que terei tempo de gravar tudo isso(risos)”, brincou o cantor, durante entrevista, quando falou sobre os próximos projetos.

Di Melo durante histórica apresentação no Iate Clube no último sábado (5) - Foto: Bruno Leonel
Di Melo durante histórica apresentação no Iate Clube no último sábado (5) – Foto: Bruno Leonel

O cantor e a banda estavam em uma sintonia impressionante. O show ocorreu em dois momentos, de início, o pessoal do Sarará Criolo fez um show focado em músicas próprias, e até, resgatando alguns clássicos da black music. Após cerca de 40 minutos, o ‘imorrível’ subiu ao palco e mandou canções clássicas e também mais novas de sua carreira, amparado por um charmoso leque, Di Melo estava no clima de MC e, entre as faixas, falou bastante com o público, mandando até alguns breves discursos, que eram recebidos com salvas de palmas pelo público.

Sarará Criolo fez apresentação bastante competente focando canções do repertório, como também, interpretando canções do 'imorrível' - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Sarará Criolo fez apresentação bastante competente focando canções do repertório, como também, interpretando canções do ‘imorrível’ – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Antes disso ainda, uma apresentação cheia de ginga e ritmo foi feita pela banda ‘A república Imperial’ de Belém (PA), No Iate Clube, o carisma dos oito integrantes cativou o público, aliado à performances das canções de seu primeiro EP, Canções Ór, lançado em 2015 – Veja mais AQUI

Ritmos latino-americanos misturados à referências regionais formam o som da 'República Imperial' que tocou no sábado no Iate Clube em Londrina - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Ritmos latino-americanos misturados à referências regionais formam o som da ‘República Imperial’ que tocou no sábado no Iate Clube em Londrina – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Mais cedo, teve ainda a apresentação do duo Phantom Powers que fez uma apresentação invocada e cheia de energia tocando músicas de seu primeiro EP, lançado em 2015. A voz rasgada de Tio Vico, aliada à habilidade do músico em cantar, dominar as 6 cordas e a percussão chamaram a atenção do público. Com um som influenciado por folk e também rockabilly – com ecos até de nomes mais sombrios como Cramps – São algumas das referências que vem a cabeça com o som do duo. Atualmente, a banda segue em turnê de divulgação, tendo pelo menos mais 10 datas até o fim do ano.

Duo Phantom Powers (De Porto Alegre) durante show no Demo Sul - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Duo Phantom Powers (De Porto Alegre) durante show no Demo Sul – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Talvez a apresentação mais nervosa da noite, os Curitibanos do Motorocker levaram seu Hard Rock estradeiro para o festival, colocando o ‘time em campo’ com direito até a torcida organizada no local – Vários fãs compareceram ao festival usando camisetas listradas em azul e branca (Como as do Londrina Esporte Clube) com o nome da banda. “Foi realmente incrível, somos amigos do pessoal da Falange Azul há uns dez anos já e nos emocionamos muito com esse gesto de todo mundo vestir a camiseta! Sempre bom tocar para amigos assim”, contou o vocalista Marcelus Dos Santos.

O vocalista Marcelus agitou com a plateia e até subiu em caixas de som na frente do palco para cumprimentar o público - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
O vocalista Marcelus agitou com a plateia e até subiu em caixas de som na frente do palco para cumprimentar o público – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Domingo – No domingo o show aconteceu no Barbearia (Na Quintino Bocaiúva) e focou em bandas de peso – Não apenas de som, mas também de habilidade e virtuosismo. Como é o caso das londrinenses Hellpath, já com dez anos de estrada, e que se preparam para o próximo disco “Though the Paths of Hell”. Também de Londrina o trio de progressivo Imagery levou seus andamentos truncados e riffs técnicos para os palcos do Barbearia. Recentemente a banda lançou um single intitulçado  “End of The Line“.

Quinteto londrinense Hellpath se prepara para lançar novo disco em breve - Foto: Gabriela Campaner (Shameless)
Quinteto londrinense Hellpath se prepara para lançar novo disco em breve – Foto: Gabriela Campaner (Shameless)

Em uma proporção interessante de doze shows, em apenas 3 dias de evento -Sendo uma média de quatro shows por dia – a primeira parte do Demo Sul 2016 chamou atenção tanto pela variedade de gêneros, como também pela qualidade das atrações. Questões técnicas como o som no Iate Clube, em alguns momentos, prejudicaram mas não chegaram a comprometer o evento como um todo. Algumas pessoas acharam o preço dos ingressos – R$ 40 a inteira, para os shows do Iate Clube – um tanto quanto altos, depende da situação de mais alguns, mas, considerando a quantidade de artistas autorais (E de fora) presentes, proporcionalmente é um valor justo considerando que, em Londrina, alguns eventos e casas cobram até mais da metade disso, as vezes, sem nenhuma banda tocando. Em meio a uma semana que ainda promete atividades formativas e também simpósios, a edição 2016, sobretudo pela quantidade de atividades, segue como uma das melhores, talvez, dos últimos dez anos. E muita coisa boa ainda deve acontecer. Os shows continuam  10/11 no Bar Valentino. Estaremos lá. Al


SERVIÇO
Festival Demo Sul
De 4 a 12 de Novembro – Informações AQUI