Por Bruno Leonel

E o domingo, na região norte de Londrina, foi de muita música e emoção durante a estreia do espetáculo Dalva e Herivelto – Dois Corações realizado durante a noite na Vila Cultural Flapt! no Conjunto Saltinho. Pessoas de várias idades – Com uma presença notável também do público chegando à ‘melhor idade – preencheram a Vila Cultural para prestigiar a apresentação que, ao longo de quase uma hora de duração relembrou um pouco da saga de amor e mágoas vivida pelo casal Herivelto Martins e Dalva de Oliveira, nomes emblemáticos da música brasileira da era do rádio.

A apresentação do domingo (09) foi a primeira de uma serie de oito datas que irão acontecer até o final do ano - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
A apresentação do domingo (09) foi a primeira de uma serie de oito datas que irão acontecer até o final do ano – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Durante sua trajetória, o casal expôs sua relação num embate musical que dividiu opiniões e que marcou época como uma das primeiras duplas de crooners brasileiros a chamar atenção não só pela música, como também, questões da vida pessoal publicizadas pela mídia nos anos 50 e 60. “A ideia do espetáculo surgiu em 2015 e, logo pensamos em inscrever o trabalho no edital do Promic, foram algumas
noites de trabalho até escrever completamente o projeto. Assim que saiu a resposta positiva foi só
vibração, foi ai que começou o trabalho principal. Faz praticamente um ano que começamos a pesquisa (Envolvendo a história da dupla), a escolha de repertório (Direcionado por Natália Lepri, quem assina a direção), a busca dos músicos e a coisa foi ficando mais redonda… Quando vimos estava então nascendo um espetáculo que estava nos dando muito prazer em fazer!”, conta o cantor Caco Piacenti que também é responsável pela montagem do cenário.

Caco Piacenti e Camila Taari durante apresentação de 'Dalva e Herivelto - Dois Corações" - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Caco Piacenti e Camila Taari durante apresentação de ‘Dalva e Herivelto – Dois Corações” – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Em cena, os cantores interagem e encarnam os gestos dos personagens durante as performances. Em um clima mais intimista (Reforçado pela iluminação especial), Caco Piacenti e a cantora Camila Taari apresentam uma química muito viva. Ora gesticulando ora interagindo em forma de provocações enquanto cantam cada uma das 16 canções do repertório. O próprio ‘jogo cênico’ da apresentação funciona como um retrato da própria relação dos personagens da vida real. “Nós todos temos esse apreço pelo resgate. A música da Dalva e do Herivelto Martins, que era assim o maior compositor da época, fez muito parte da rotina do Caco, e também da minha vida! Minha mãe que era cantora de bailes na década de 80, 90, cantava muito esse repertório também, tenho essa obra dentro de mim muito aflorado, foi incrível perceber como, durante o processo de pesquisa e ensaios essas canções me faziam resgatar muitas lembranças”, contou a cantora Camila Taari, também responsável pela produção, à reportagem do Rubrosom.”Sempre ouvi meus pais cantando muito, algumas dessas músicas em casa. Quando comecei a ver que meu negócio era cantar, isso da obra deles voltou e tive vontade de resgatar o que eu ouvia quando era criança… “, acrescenta Caco. O grupo destaca algumas canções emblemáticas apresentadas no espetáculo como: Caminhemos, Bandeira Branca, Máscara Negra, O que será?, Calu…entre outras.

Segundo os interpretes, a parte cênica da apresentação foi toda pensada a partir da entrada da cantora Natália Lepri na produção. A bagagem da produtora em outras produções envolvendo o resgate musical (Como no trabalho realizado com o Trio Mambembe) foi um ponto importante para o envolvimento de Lepri no espetáculo. “Fiquei muito honrada com o convite, o espetáculo tem um repertório primorosíssimo que eu já amava… Assim também eu pude também saber da história de cada uma das músicas. Acho que o grande mote deles foi que o Herivelto trouxe a Dalva a fama, só que, o brilho dela em certo momento ultrapassou a fama dele, acabou gerando assim uma inveja  nele, uma coisa de ego entre os dois… Mas ela ainda sim foi maravilhosa, foi uma ‘estrela dalva’ mesmo! Eu vi há alguns anos um espetáculo no Filo sobre o Orlando Silva (Com o ator Tuca Andrada), aquilo me deu um grande
impacto – Eram músicas antigas, interpretadas como se fossem jazz, e isso me deu um impacto muito grande, essa nova cara para choros, trazendo baixo acústico, piano… Essa foi a ideia básica. Ai vimos muita coisa em livros, vimos a serie da globo, que é muito fiel na parte histórica, muito bem produzida (Embora tenha alguns detalhes meio ‘over’ também)… É uma história de amor, paixão, traição e morte… Tudo envolvido nas canções. E como é bonito ter brigas em músicas, acho que conta isso, o show retrata essa história.  Ela era uma diva nos anos 50, como foi a Elis. Havia fãs que desmaiavam por ela”, acrescentou Natália Lepri.

Sequência – Até o final do ano, serão mais sete apresentações, ocorrendo em espaços públicos (Como no Centro Cultural Lupércio Luppi – Veja a seguir) e também espaços voltamos ao público da terceira idade. “Tudo foi pensado para o público idoso, haverá apresentações em locais como o centro de convivência da pessoa idosa… É também algo mais presente ao tempo deles. Acho que o espetáculo cativa várias idades, mas o que a gente quis é que esse público mais de idade se envolvesse, será bem interessante”, pontua Camila. O grupo aproveita o espaço também para agradecer, além do patrocínio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à cultura), à Escola Primeiro Encontro, que cedeu uma sala ao grupo que é utilizada durante os ensaios.

Próximas Apresentações:

10/10 Centro de Convivência da Pessoa Idosa região Leste – 15 horas
13/10 Centro de Convivência da Pessoa Idosa região oeste – 15 horas
16/10 Centro Cultural Lupércio Luppi – 10h30
25/10 Lar das Vovozinhas – 15 horas
27/10 Feira Livre da Av. Inglaterra – 20 horas
10/11 Centro de Convivência da Pessoa Idosa região Leste – 15 horas
21/11 Centro de Convivência da Pessoa Idosa região oeste – 15 horas


Ficha técnica

Voz: Caco Piacenti e Camila Taari
Bateria: Bruno Cotrim
Piano: Fabrício Martins
Contrabaixo: Filipe Barthen
Sopros: Júlio Erthal
Direção Cênico-Musical: Natália Lepri
Assistente de Direção Musical: Guilherme Araujo
Figurino: Alex Lima
Arte Gráfica: Rodolfo Ribeiro
Patrocínio: PROMIC – programa de incentivo à cultura de Londrina
Apoio: Escola Primeiro Encontro