Por Bruno Leonel

Não é dia letivo, mas ainda assim há pessoas no colégio em pleno sábado. Ao entrar pelo portão do local, já é possível ouvir a música que ecoa de uma sala próxima. Violões, flauta e até um acordeom soam em harmonia enquanto frases breves são ditas junto à música. Trata-se da oficina de choro, realizada todos os sábados no Colégio Marcelino Champagnat na região central Londrina. Músicos de vários níveis, estudantes e entusiastas do estilo se reúnem logo pela manhã para trocar referências, tocar e aprender mais sobre o choro.

roda de choro
Músicos se reúnem todos os sábados, pela manhã, para a prática do choro – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

O RubroSom acompanhou, no último sábado, uma dessas oficinas, que ocorreu dentro de uma das salas de aula do colégio. Participantes de várias idades diferentes tocavam (Uns com partituras, outros sem) e sempre atentos à orientações do músico Osório Perez (Do Clube do Choro de Londrina). Osório acompanha os outros no violão, ao mesmo tempo em que dá breves orientações como o próximo acorde, mudança de ritmo e outros detalhes; “Aqui no colégio a oficina acontece desde Julho de 2014, mas, ela acontecia antes. No Facebook mesmo, temos uma página do projeto que já contabiliza seis anos!”, comenta o músico. O som é executado com perfeição, mesmo um convidado que participa no dia pela primeira vez, toca junto com o restante dos músicos sem problema.

'A música está no sangue. A gente vê pessoas dedicadas aqui, muito humildes, isso faz a gente se sentir bem", contou o agricultor Joaquim Carlos Inocente - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
‘A música está no sangue. A gente vê pessoas dedicadas aqui, muito humildes, isso faz a gente se sentir bem”, contou o agricultor Joaquim Carlos Inocente – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Ao todo oito músicos participam da oficina, músicos mais experientes e também outros mais novos; “O choro é uma paixão nova, eu comecei a ouvir mais aqui na oficina mesmo. Toquei violão clássico, jazz e até rock…mas agora o choro tem durado mais”, afirma Felipe Zilloto, de 18 anos, que toca desde os dez anos de idade… “Sempre vale a pena participar. Acordar cedo, e essas coisas, são ruins em qualquer lugar. Estudar e evoluir no instrumento, é bem importantes…”, comenta o músico que entre seus ‘chorões’ preferidos cita nomes como Dillermando Reis, Iamandú.

O choro é uma paixão nova também de alunos mais experientes como Joaquim Carlos Inocente, de 58 anos (Que no dia tocava acordeom).”Fiquei uns 33 anos sem tocar o instrumento. Minha atividade profissional castiga um pouco – Joaquim é agricultor – Horário de plantio, colheita envolve um período de meses que a gente para. Mas, a música está no sangue, sempre quando posso, eu volto a retornar para os estudos, fazemos por prazer mesmo… “ contou Joaquim ao RubroSom, é a primeira vez que o músico participava da oficina. “A gente vê pessoas bem dedicadas aqui, muito humildes, isso faz a gente se sentir bem. Dentro do repertório gosto muito do Pixinguinha, Jacó do Bandolim… São as referências que a gente vê sempre por aí…” acrescenta Joaquim.

O projeto é feito sem qualquer tipo de apoio ou recurso externo. Alunos e interessados podem participar da oficina que acontece todos os sábados. É necessário que cada um leve seu próprio instrumento. “A gente faz uma pesquisa de repertórios muito simples, choros simples de duas partes, para poder sentir a prática Canções de duas partes, músicas para pessoa poder sentir a prática de conjunto, a vivência do regional. Conforme a pessoa vai evoluindo, ela mesma vai criando o repertório mais complexo, sozinha… A gente também abre pra quem quer trazer novidades”, conta Osório Perez que realiza a oficina semanalmente.

“O choro é uma paixão nova, toquei violão clássico, jazz e até rock...mas agora o choro tem durado mais", conta o músico Felipe Zilhoto (À direita) - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
“O choro é uma paixão nova, toquei violão clássico, jazz e até rock…mas agora o choro tem durado mais”, conta o músico Felipe Zilhoto (À direita) – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

O projeto ocorreu durante boa parte de 2015 e, neste ano, começa a retomar atividades quase na metade do ano. “Eu já comecei a sentir falto da oficina, neste tempo sem fazer, só vem quem tá disposto mesmo… É um horário bom de fazer, resolvemos retomar pra não perder mais a outra metade do ano”, relembra Osório. Como os principais compositores Osório cita nomes como Maurício Carrilho (Sobrinho de Altamiro Carrilho), Joaquim Sobrera, Valdir Azevedo… “Circula por ai, para a galera fixar bem. É aberto para quem quiser vir, o objetivo é tocar em conjunto. Muitas vezes a pessoa toca e estuda em casa, mas não tem um grupo pra praticar, ela pode vir aqui e participar” conclui o músico.


SERVIÇO

Oficina de Choro
Onde:
Colégio Champagnat – Rua São Salvador, 998
Quando: Todos os sábados, a partir das 9h
Participação gratuita: (Necessário levar instrumento)