Por Bruno Leonel

Produção de qualidade, público animado e apresentações inspiradas; Esse foi o saldo da primeira ‘encarnação’ do ano do evento Palco Alma Londrina, realizado pela Alma Londrina Rádio Web. O evento iniciou às 17h na Vila Cultural Kinoarte, e em meio a um domingo com um frio insistente (Mas que não prejudicou o evento e a boa música) levou um grande número de pessoas ao local. Era possível se cadastrar pelo site da rádio e assim ter acesso a uma lista com valor de entrada de apenas R$ 10 – Sem a lista o valor subia para R$20. Segundo informações da organização, foram mais de 200 pessoas cadastradas na lista. O projeto está sendo desenvolvido já desde 2014, e neste ano tem o enfoque de realizar apresentações em diferentes espaços da cidade; “Neste ano voltamos o projeto para as Vilas Culturais da cidade. Embora a Alma atue em Londrina, buscamos trazer artistas e ideias de outras cidades também, como o Rafael Morais (Maringá) que tocou hoje… A ideia é sempre privilegiar gêneros que estejam fora do eixo”, contou Daniel Thomas, Coordenador-Geral da Alma Londrina Rádio Web. Mais três ‘Palcos Alma’ são previstos até o final do ano.

Gêneros váriados como o reggae, a MPB e até ecos de tropicalia marcaram presença durante a primeira edição do evento - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Gêneros váriados como o reggae, a MPB e até ecos de tropicalia marcaram presença durante a primeira edição do evento – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

O evento recebeu apresentações do grupo instrumental londrinense Aduba; Os maringaenses Rafael Morais Trio e Claudio Caldeira – Com um som carregado de ritmos regionais brasileiros como o frevo, o baião, o carimbó; E a cantora paulistana Kika, expoente da cena paulistana, e que fez um show inspiradíssimo com uma banda bastante habilidosa (Que contava com o excelente guitarrista Guilherme Held; Conhecido pelo trabalho com o Criolo e Lanny Gordin). O show da cantora paulista apresentou repertório mais focado em seu elogiado disco, “Pra Viagem”, lançado neste ano. Nos momentos finais do show, teve até uma jam improvisada com a participação músicos das três bandas.

A jam final, com músicos das três bandas encerrou o festival perto das 22h do domingo - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
A jam final, com músicos das três bandas encerrou o festival perto das 22h do domingo – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Geralmente, mais da metade do êxito de um show corresponde à sintonia e envolvimento da plateia com os músicos que tocam, nesse aspecto, o público presente na Vila Kinoarte foi 10/10. Com uma presença feminina forte, e envolvendo pessoas de várias idades, muitos dos presentes acompanharam cada uma das apresentações, dançaram e até cantaram junto em vários momentos…. Quem não conhecia as faixas, não cantou junto, mas acompanhou atentamente cada canção executada. A habilidade dos músicos Londrinenses (Como o baixista Filipe Barthem; O percussionista Duda de Souza, e o guitarrista Luciano Assumpção e vários outros) casou muito bem com o clima despojado do evento garantindo um clima muito agradável. “A atmosfera do som vai mudando conforme o público vai chegando. O pessoal que vem, comparece para consumir música mesmo, independente se ela conhece o trabalho da banda ou não, e eles vem abertos a coisas novas… É uma oportunidade para mostrar o som do Aduba pra pessoas que não veriam em outros lugares”, contou o músico Thiago Menezes, da banda Londrinense, que já tem dez anos de estrada.

A londrinense Aduba (Formada por veteranos de várias outras bandas) abriu as apresentações por volta das 18h - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
A londrinense Aduba (Formada por veteranos de várias outras bandas) abriu as apresentações por volta das 18h – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

A cantora Gisele Silva de Oliveira (Mama Quila) fez uma participação na apresentação dos maringaenses Rafael Morais e Claudio Caldeira. “Eu toquei bastante aqui em Londrina com um grupo meu chamado Mestre Ouriço, o mais maneiro é como o pessoal aqui da cidade é receptivo à dança, à movimentação, não é todo lugar que as pessoas recebem assim. Londrina vibra muito, gosta muito da música autoral aqui, a cidade é artística. Me parece ter uma gestão cultural muito boa aqui, as pessoas aderem ás culturas, sempre estão calorosas para música, por que sabem que será bom. A cultura da cidade é tão rica, que quando vem algo novo, o público já tem sensibilidade para ouvir”, contou o músico Claudio Caldeira, que também tem um trabalho autoral paralelo, logo após à apresentação
realizada na Kinoarte.

A cantora londrinense Giselle da Silva participou da apresentação do Rafael Morais Trio - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
A cantora londrinense Giselle da Silva participou da apresentação do Rafael Morais Trio – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

O músico Rafael Morais, veterano de apresentações aqui pela cidade, também falou um pouco sobre a receptividade londrinense; “O pessoal comparece, canta nossas músicas, é genial… Existe um circuito por onde as bandas passam e o pessoal vai ficando mais íntimo, mais legal, essa troca de energia é mais intensa… O lugar influencia muito no show. Aqui na Kinoarte mesmo, um monte de plantas, árvores, esse lugar maravilhoso… É outra energia para tocar “ avaliou Rafael Morais.

A apresentação da cantora Kika durou certa de uma hora fechando a noite na Kinoarte - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
A apresentação da cantora Kika durou certa de uma hora fechando a noite na Kinoarte – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Uma das atrações mais aguardadas da noite, por boa parte do público foi a apresentação da paulista Angélica de Carvalho Pereira, a Kika para os íntimos, com uma banda afiadíssima – Que contou até com o produtor Victor Rice no baixo – A apresentação oscilou momentos mais calmos com lapsos de pura psicodelia, muitas delas aliás calcadas na guitarra do guitarrista Guilherme Held. “Acho que a improvisação vem da liberdade, depois que montamos tudo, depois que a música se torna uma coisa autônoma, você pode mudá-la em vários sentidos, a gente tem uma linguagem em comum, o pessoal toca dub e deu tudo muito certo. Tocando ao vivo, tudo interfere na performance, chegamos aqui a tarde, tinha sol, tinha alegria, sorriso… Muita vibe, e isso interfere muito no som, é muito legal, acho que até os astros (Risos), a gente lê uma astróloga que a gente gosta muito, e tem essa coisa de planejar, evitamos algumas datas, devido a numerologia… (Risos) e esse tipo de coisa” contou a cantora Kika, à reportagem do RubroSom. A turnê do trabalho ‘Para Viagem’ é muito recente ainda, o show da Kinoarte foi apenas a segunda apresentação desta turnê, para Kika foi uma ótima forma de começar. “Podíamos ter chegado aqui e ter poucas pessoas, mas não, o pessoal participou bastante, foi uma sintonia linda, e foi apenas a segunda apresentação da turnê, foi uma noite que nunca irei esquecer…”, se emocionou a cantora.


Informações

Página de Rafael Morais Trio
Página do Aduba
Site da Kika