Por Bruno Leonel

Foi lançado durante o final de semana o projeto ‘Na casa dos Ancestrais: Circulação teatral por onze terras indígenas do PR e de SC” do Núcleo Às de Paus. O projeto, encabeçado pela companhia de teatro juntamente com indígenas de várias comunidades (Do Sul do país) irá realizar uma circulação teatral de modo a levar a arte do grupo (quando possível) para espaços de tribos de índios. O início oficial do projeto ocorreu no último sábado com uma apresentação da peça “A Pereira da Tia Miséria” realizada no antigo prédio da ULES (Avenida Duque de Caxias) na Ocupação Artística do Movimento dos Artistas de Rua de Londrina. Em seguida, os indígenas da Comunidade Água Branca apresentam cantos e danças de sua cultura. O projeto é contemplado pelo prêmio Myriam Muniz (2015), da FUNARTE.

Pessoas de todas as idades acompanharam a apresentação realizada no último sábado (23) no espaço da ocupação - Foto: Bruno Leonel (Rubrosom).
Pessoas de todas as idades acompanharam a apresentação realizada no último sábado (23) no espaço da ocupação – Foto: Bruno Leonel (Rubrosom).

Teatro – Ás de Paus lança projeto ‘Na casa dos Ancestrais’

Desde a estreia de “A Pereira da Tia Miséria” (2010), o espetáculo circulou por quase todos os estados brasileiros e foi vivenciado nos mais diferentes cantos do país. Em 2015, a companhia realizou no Maranhão o projeto “EMARANHADO – Jornada em busca das riquezas esquecidas entre o Grajaú e o Parnaíba”, contemplado pelo prêmio Artes na Rua (2014). Esta experiência foi de grande importância para a companhia, pois proporcionou aos atores novas maneiras de compartilhar o seu fazer artístico com o público e de estabelecer vínculos efetivos com as comunidades, a fim de que elas se tornassem criadoras e compartilhassem os seus saberes também.

O caráter experimental da peça, com o uso inteligente do espaço (De modo a organizar o público em uma forma circular) e uso de vários adereços como pernas de pau e também uma ‘árvore’ central feita de metal (a tal da pereira) usa um aspecto visual chamativo para falar sobre o tema da miséria (retratada na forma de ‘tia’) e a fome como metáfora para a situação das crianças nascidas em situação de risco.  “O espetáculo vai completar seis anos, já nos revezamos aqui na própria montagem – Comecei fazendo a morte, hoje faço a ‘Tia Miséria’ assim é sempre uma nova redescoberta do texto. Se apresentar aqui, na nossa casa, é sempre importante… Hoje estando aqui na ocupação é um espaço maravilhoso. É uma forma de trazer pessoas da comunidade para ver que aqui estão acontecendo coisas de graça para a comunidade mesmo”, contou ao RubroSom o ator Thunay Tartari do Núcleo Às de Paus.

Já nas próximas semanas, o grupo estará circulando por comunidades (No Paraná e de fora) como parte da circulação prevista no projeto. “Fizemos o bate-papo com a comunidade ‘Água Branca’ (Baseado na região do Apucaraninha), para a gente é uma forma de abrir o diálogo além de entrar em contato com a cultura deles que é ainda distante para a figura do ‘homem branco’, é uma relação que está mudando e nós temos que estabelecer esses contatos, também na medida que eles permitirem. Pra gente é o início de uma abertura que a gente pode ter por um longo tempo… Nossa ideia é, com esse projeto, circular por várias aldeias. É previsto também passar algum tempo com eles, para estabelecer um diálogo, uma oficina de perna de pau, buscando assim formar um diálogo… Nós também queremos conhecer a realidade deles”, enfatiza Thunay. Toda a circulação deste projeto será registrada pelo Cineclube Ahoramágica que, mais tarde, transformará o registro em um documentário.