Por Bruno Leonel

Começou nesta terça-feira (2) a 6ª edição do Encontro de Contadores de História de Londrina (ECOH). Com programação gratuita, o Encontro vai levar 25 diferentes espetáculos (distribuídos em 36 apresentações) para o palco do Sesi/AML, para escolas municipais e estaduais da cidade, além de centros de educação infantil, vilas culturais e outros espaços londrinenses. A abertura foi feita durante esta tarde com o contador curitibano Vinícius Mazzon, que traz “Histórias à Brasileira – causos e cantoria”, às 15h. Uma nova sessão acontece às 20h, no Sesi/AML.

A proposta é espalhar o encantamento das boas histórias, afirma idealizadora do ECOH
Vinícius Mazzon traz histórias tradicionais do caipira do sul do Brasil para abertura do ECOH – Foto: Divulgação

No espetáculo, Vinícius Mazzon, Rorair Bier Júnior e Fábio Mazzon se inspiram nas antigas duplas de humor para contar os causos do matuto do sul do Brasil. Com boas doses de viola, a história recria o universo típico do interior da região sul e é indicada para maiores de 6 anos.

Atividade de gente grande

Durante o evento, a ‘Okupação do MARL’ também vai receber contações de história e é palco das atividades formativas do ECOH, que incluem as oficinas “Paixão pela Palavra” da contadora de histórias Kiara Terra, “Somos todos narradores” de Josiane Geroldi e a “Oficina de Manipulação de Bonecos”, de Pati & Companhia. As inscrições para as oficinas devem ser feitas através do link http://bit.do/oficinasecoh.

Encontros de todos os cantos

Mantendo a tradição, a sexta edição do ECOH vai reunir experiências diversas e muito plurais em narraçao de histórias, trazendo grupos e contadores de diversos lugares do Brasil. De Londrina, se apresentam o projeto Todos Por Um, com uma proposta de histórias reais, com personagens da cidade, o grupo Fio da Meada, a cia. Kiwi de Jaqueta, a contadora Gisa Tenório, a cia Boi Voador, o grupo Tem Criança no Samba, cia. Conta um Conto, Pati & Companhia, Palhaço Arnica e o Exército Contra Nada, radicado em São Paulo. Segundo a organizadora, a maior dificuldade em realizar a curadoria do Ecoh foi a seleção final. “Há muita gente boa que se inscreveu… De um modo geral a nossa curadoria procura a diversidade, mais do que um eixo comum. Histórias e contadores com “pegadas” artísticas diferentes”, contou Claudia Silva à reportagem do RubroSom.

Além dos conterrâneos, o ECOH ainda recebe os paranaenses Vinícius Mazzon e cia. Girolê, de Curitiba; a Cia das Histórias (Ponta Grossa), as catarinenses Josiane Geroldi, da cia. Contacauso e Rita Barbieri, da cia Tend’Arte, (Joaçaba) e, por fim, direto do estado de São Paulo se apresentam Cristiano Gouveia (Santo André), Fernanda Munhão (Ourinhos) além dos paulistanos Kiara Terra, Ana Roxo, Cristiano Meirelles, Nina Blauth, grupo Mãos de Fadas, cia. Arte Negus e Kelly Orasi.

Com exceção das oficinas, que tem custo de participação estipulado em R$20,00, a programação do ECOH é toda gratuita e, para as apresentações no Sesi, os ingressos devem ser retirados uma hora antes de cada espetáculo. As oficinas demandam inscrição prévia, que pode ser realizada no link http://bit.do/oficinasecoh


Confira uma entrevista com Claudia Silva, coordenadora do Ecoh:

Ao todo, são quantas atrações na programação desse ano? Em relação ao ano passado há muitas novidades?
Este ano vão ser 36 apresentações, sendo 25 histórias diferentes. Vários grupos estão vindo pela primeira vez. Uma novidade legal é que teremos histórias contadas em Libras (com tradução para o português). Vai ser na ILES, uma escola para surdos… Outra novidade é a rua de brincadeiras tradicionais, no Vista Bela, em parceria com o Sarau para além das fronteiras do hip hop, do Palmerah… Aliás, estamos fazendo uma campanha de arrecadação de livros e fantasias, que serão distribuídos lá.  E também tem a Okupação, que vai receber eventos do Ecoh e por isso estamos fazendo uma produção do local pra receber nosso público.

Qual a maior dificuldade em se fazer a curadoria de um evento como o ECOH??Imagino que você tenha contato com muitos grupos e contadores com propostas e perfis diferentes… tem algum ‘eixo’ em comum entre todos os grupos/coletivos da programação desse ano?
De um modo geral a nossa curadoria procura a diversidade, mais do que um eixo comum. Histórias e contadores com “pegadas” artísticas diferentes.

E sobre a circulação dos espaços, a ideia é fazer as oficinas e ‘contações’ irem a bairros e locais fora do ‘eixo centro’? Houve dificuldade em adequar a programação a espaços diferentes?
A gente costuma dizer que a proposta é espalhar o encantamento das boas histórias por espaços diferentes. Por isso vamos a vários lugares, como bibliotecas, escolas e outros espaços públicos.

Quem é o público do Ecoh hoje? Você diria que é mais para o público de idade escolar ou, no geral, há gente de várias faixas de idade?
O público é bastante diverso. Tem muitas atividades para crianças, mas são histórias que costumam encantar pessoas de várias idades. Tem tb muitas atividades, como as oficinas e aula pública, que são voltadas para adultos, gente interessada em aprender a contar histórias, educadores e outros. Tem tb histórias exclusivamente para adultos, como a da Cia Girolê, “Sobre lendas e mulheres”, no dia 10.

Mesmo com toda a modernidade tecnológica e os muitos avanços (Sobretudo nos meios de informação) a ‘contação’ de histórias é algo que ainda persiste e que continua sendo passada de geração em geração hoje em dia… porque você acha que a modalidade continua com tantos adeptos?
A narração de histórias tem crescido muito no Brasil desde os anos 80, 90… Mas é uma atividade ancestral, as pessoas sempre contaram histórias. Foi e é fonte de transmissão de conhecimentos desde muito antes das linguagens escritas. E as pessoas tb precisam de espaços de compartilhamento, de encontrar as pessoas. Diria que é uma necessidade mesmo, talvez esteja, inclusive crescendo tanto em função das nova tecnlogias. São ótimas pra muitas coisas, mas nada substitui um olho no olho…

O ECOH – Encontro de Contadores de História de Londrina é um projeto realizado pelo Instituto Cidadania, com a coordenação geral de Claudia Silva, e tem o patrocínio do PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura. Conta ainda com o apoio do SESI, Casa da Vila, Gráfica Oyama, Vila Cultural Alma, Quizomba, MARL – Movimento dos Artistas de Rua de Londrina, Loja Ciranda, Todos por um – Londrina, Sarau Para Além das Fronteiras do Hip Hop, Escola Seta e projetos Costurando Histórias e Engatinhando.

A programação completa, com todos os espetáculos, oficinas e demais atividades, está disponível no site do www.ecohlondrina.com e também no facebook/ecohlondrina.