Por Bruno Leonel

Houve uma época em Londrina, em meados dos anos 90, no qual um circuito forte de bandas locais movimentava a cena daqui mesmo contando com poucos recursos e espaços precários para realização de shows. Se os recursos eram baixos, e os espaços limitados, sobrava vontade de fazer acontecer. Formada em 1996, talvez uma das bandas mais emblemáticas deste período foi o The Cherry Bomb, que em 2016 celebra 20 anos de sua fundação. Mais experientes e, agora, contando com uma estrutura mais elaborada, o grupo fez um show comemorativo no último sábado (14) no Cemitério de Automóveis em Londrina – O show teve abertura da banda A abertura da banda Zelador, de São Paulo (SP).

Cherry Bomb ao vivo na Usina Cultural em Londrina, no ano de 2003 - Foto: Acervo Pessoal/Rodrigo Amadeus
Cherry Bomb ao vivo na Usina Cultural em Londrina, no ano de 2003 – Foto: Acervo Pessoal/Rodrigo Amadeu

Durante os 10 anos de atividade, desde sua fundação até o ano de 2006 quando entraram em ‘hiato’ o grupo realizou um número respeitável de shows em bares, repúblicas e espaços improvisados pela cidade. Shows esses, aliás, que muitas vezes, que eram interrompidas pela polícia antes mesmo que as bandas todas tivessem feito suas apresentações. Quem viveu viu, e também, sofreu influência do trio que deixou suas impressões em várias bandas da cidade formada nos anos seguintes.

Ao todo o grupo teve cinco registros de estúdio; Sad Songs for Happy Girls (Demo de 1996); Bombs to You (1997); The Cherry Bomb (1998); Light Up The Town Garage Takes (2000) e Disconected Satellites (2003). No último ano em atividade, arriscou o primeiro compacto com músicas cantadas apenas em português ‘Os Substitutes’ (2006) “É a mesma banda, mas cantando em português, eu mudei o nome, queria algo meio que mesclado, não sei se fiz bem, mas o material é interessante… Acho que não faria isso de novo (Risos), mas é bacana, eu gosto do EP”, comenta o baixista e vocalista Rodrigo Amadeu. Completam o time, o músico Lucas Ricardo (bateria) e Humberto Scaburi (guitarra e voz).

A banda durante show no Anfiteatro do 'Zerão' em 2002 - Foto: Acervo Pessoal
A banda durante show no Anfiteatro do ‘Zerão’ em 2002 – Foto: Acervo Pessoal

O tempo passou, todos se dedicaram á projetos paralelos. Rodrigo chegou a morar alguns anos na Inglaterra, e desde o começo de 2016 retornou á Londrina. No ano passado um show de reunião da banda (Ocorrido no extinto Hush Pub) reuniu fãs nostálgicos e mostrou que mesmo após tantos anos ‘inativo’ o nome ainda tem importância na cidade, sobretudo, por antigos fãs que acompanharam o trio durante toda a adolescência.

Aproveitando os 20 anos da banda, o ‘show’ de reunião e as possibilidades de um ‘novo passo’ na história do trio (Veja a seguir), conversamos com Rodrigo Amadeus sobre a atual fase do ‘The Cherry bomb’. Confira:

Depois de anos tocando, vocês deram uma pausa em 2006, você viajou pra Inglaterra… Como foi essa ‘pausa’, cada um foi cuidar de seus projetos?
Em maio de 2006 ano eu viajei, fui pra Inglaterra e, quando cheguei lá, toquei com algumas bandas. Primeiro toquei com Júpiter Maçã, em uma curta temporada em que ele fez shows por lá (Em 2007), depois no ano seguinte toquei em uma banda com dois músicos espanhóis, fiz tipo uns 10 shows, ai fiquei um tempo parado de tocar. E depois, finalmente em 2010 eu montei o ‘The Flying Rats’, inicialmente só bateria e guitarra/voz, depois eu acabei colocando um amigo meu no baixo. A gente ficou ativo até 2015…. Durou cinco anos a banda!

E na Inglaterra, imagino que rolava muito mais espaço pra tocar?
Quando você tem um projeto, uma banda, e tá disponível a cair em um cenário, a cair numa frequência de estar ‘bookado’ (Agendando shows) é normal, é só entrar em contato com a galera e cair numa cena, tem muita coisa rolando ao mesmo tempo.

E o lance da volta para o Brasil? Foi mais por motivos pessoais, pintou algum projeto novo por aqui?
Na verdade, como eu fiquei fora do país por quase dez anos…. Houve uma necessidade natural, de voltar e ficar mais com a família. Não sei, eu senti que precisava voltar e voltei, mas a gente nunca sabe. Retornei para o Brasil no ano passado (2015), a gente fez um show e fiquei por uns 25 dias aqui e retornei para a Inglaterra. AI fiquei com vontade de retornar e ficar por aqui mesmo, voltei pra ficar, é disso que sei agora. Em relação à banda, a gente tocou ano passado e, fazendo as contas, bateu com o aniversário de 19 anos do ‘The Cherry Bomb’, e pensei ‘Poxa, ano que vem dá pra fazer o show de 20!’, assim que cheguei lá comecei a pensar no show de aniversário e sugeri para o restante dos caras. Aí acabei voltando e vamos fazer esse show… E deixar rolar conforme for rolar né? Não posso prometer nada, se irá rolar muita coisa após isso aí, se a gente irá parar ou não, mas, a tendência é rolar…

"Sou meio nostálgico comigo mesmo sabe? Com as minhas coisas, mas com a banda não, fizemos bastante coisa, se der para continuar fazendo, na medida do que for acontecendo, legal..." contou Rodrigo durante entrevista - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
“Sou meio nostálgico comigo mesmo sabe? Com as minhas coisas, mas com a banda não, fizemos bastante coisa, se der para continuar fazendo, na medida do que for acontecendo, legal…” contou Rodrigo durante entrevista – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Além do ‘Cherry Bomb’ vocês estão todos com outros projetos? Tem trabalhado em outras coisas?
A banda é coisa da música mesmo, os outros caras tem os trabalhos deles, tem a família deles. Ainda to me readaptando aqui na verdade, de forma geral.

Você é uma pessoa muito nostálgica Rodrigo? Em relação à banda, à época que vocês pegaram na cidade, e que, muita coisa mudou…
Acho que não, eu sou nostálgico de maneira geral. Agora, em relação às coisas que fiz com a banda não. Porque tipo, duas décadas passam muito rápido né? Passou muito rápido, sou meio nostálgico comigo mesmo sabe? Com as minhas coisas, mas com a banda não, fizemos bastante coisa, se der para continuar fazendo, na medida do que for acontecendo, legal. Quando você é mais novo você tem àquela urgência de querer fazer mil coisas, eu teria feito mais coisas se tivesse tido a oportunidade, especialmente entrar em estúdio, ter gravado mais coisas, material com mais qualidade. Se tivéssemos tido a oportunidade de ter grana pra pagar estúdio, os primeiros materiais eram bem crus, mas acho que o que importa é o negócio vivo. Era tudo mais caro, mais difícil, você terminar um material para salvar numa DAT (Digital Audio Tape) você tinha que atravessar a cidade, era mais complicado.

Eu estive no show da ‘volta’ de vocês em 2015 … Eu tive a impressão de ter visto um show, no geral, bastante emocional, com gente que viu a banda na adolescência podendo rever… Como foi pra vocês?
Acho que foi do caralho! A única questão é que não tivemos muito tempo para ensaiar. Teve uma semana inteira com cinco ensaios, dessa vez estamos tendo mais tempo pra ensaiar, eu não toquei bêbado (risos) e vai ser mais tranquilo… Da outra vez foi complicado. Minha mãe foi no show, ela viu e falou ‘Tava legal, mas porque você tocou bêbado?’ (Risos) acontece, eu tava de férias… Quem vir agora, vai ser a mesma coisa, mas, mais ensaiado. Nesse show teve uma nova também, estamos começando a fazer alguns sons novos aí.